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Bola de neve: renda comprometida e inflação pressionam (ainda mais) a inadimplência

Bola de neve: renda comprometida e inflação pressionam (ainda mais) a inadimplência

Situação das famílias está mais deteriorada que em ciclos de atrasos anteriores

Inadimplência bolso vazio

Foto: Shutterstock

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O endividamento em nível recorde e a inflação sem dar um sinal consistente de trégua devem resultar em (ainda) mais inadimplência para o consumidor. E em meio a esse cenário, colocar as contas em dia deve demorar ainda mais tempo.

“O cenário está mais deteriorado [para o consumidor] que em períodos anteriores. Há um maior endividamento, o desemprego está elevado há um longo período e a inflação não dá trégua”, diz Guilherme Dietze, analista econômico da Fecomércio-SP (Federação do Comércio de São Paulo).

Com os preços subindo a um ritmo superior ao da renda e os juros em alta, sobram menos recursos para as famílias pagarem as contas. No momento que os gastos essenciais são priorizados, como alimentação e transportes, os atrasos começam a aparecer.

Esse aumento da inadimplência já está presente nos dados do Banco Central (BC) e também nos grandes bancos. A expectativa é que esse movimento continue ao longo dos próximos meses.

No Santander, primeiro dos grandes bancos a divulgar balanço, a taxa de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) na pessoa física chegou a 4% ao final do primeiro trimestre, ante 3,6% ao final do trimestre anterior e 3,1% em março de 2021.

Já os dados do BC estão um pouco mais defasados devido à paralisação dos servidores, mas o movimento é similar. A inadimplência na pessoa física foi de 3,3% em fevereiro. Esse número indica uma alta de 0,1 ponto percentual na comparação com o mês anterior e de 0,4 ponto em 12 meses.

Mais difícil sair do calote

Na visão de analistas, a inadimplência à pessoa física não irá superar momentos de alta de inadimplência anteriores. Em maio de 2016, a taxa de atrasos para esse público chegou a 4,32%. Em contrapartida, será mais difícil o endividado sair dessa situação.

Dietze lembra que em 2016, o endividamento estava abaixo de 40%, o que significa que as dívidas de uma pessoa ou família equivaliam a menos de 40% de seus rendimentos em 12 meses. O endividamento agora está em 52,6%, o maior já registrado.

“Os juros estão mais elevados, então quem tem uma prestação está transferindo mais dinheiro para o banco e sobrando menos salário. A inflação e os juros limitam o pagamento de contas”, diz o economista.

A taxa Selic está em 11,75% ao ano, e tudo indica que terá uma nota alta de 1 ponto percentual, a 12,75%, nesta quarta (4). A inflação em 12 meses está em 11,30%.

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E quando se considera as dívidas além do setor financeiro, a situação fica pior. A pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que em abril 28,6% dos entrevistados tinha contas em atraso. No mesmo mês de 2021, essa porcentagem era de 24,2%, com uma situação pior para os que ganham até 10 salários-mínimos.

Risco para os bancos?

Apesar dessa alta da inadimplência, Leo Monteiro, analista da Ativa Investimentos, acredita que os bancos vão conseguir lidar com esse aumento da inadimplência.

A razão é que as grandes instituições estão com uma espécie de colchão para lidar com calotes. No jargão do setor bancário, isso é chamado de provisão para devedores duvidosos (PDD).

Essa despesa subiu em 2020, com os bancos se preparando para enfrentar a pandemia da Covid-19. No entanto, a inadimplência não veio, mas eles continuaram com as provisões elevadas.

A expectativa é que além de Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil também registrem aumento da inadimplência, mas com um impacto menor sobre o lucro. Isso porque essas instituições já possuem provisões elevadas e não vão ter despesas adicionais para lidar com os calotes.

“Esses bancos vão passar menos sufoco, mesmo com inadimplência maior”, diz. ”

Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, também vê Bradesco, Itaú e BB sofrendo menos com a inadimplência. Não porque ela não irá subir, mas porque estão mais preparados para esse momento.

Além disso, são instituições com atuação relevante em outras áreas, como seguros e crédito rural, que ajudarão a amenizar as perdas no segmento de crédito à pessoa física.

O que não muda é a percepção de que o ciclo de inadimplência no segmento pessoa física será mais persistente devido ao cenário macroeconômico.

“Essa inadimplência ocorre em função da menor disponibilidade de renda. As famílias estão sendo obrigadas a gastar mais com alimentos e transporte. Isso não muda no curto prazo”, avalia.

 

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