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Varejistas: ações de Magalu (MGLU3) e Via (VIIA3) estão baratas ou podem cair mais? Gestores contam os papéis preferidos

Varejistas: ações de Magalu (MGLU3) e Via (VIIA3) estão baratas ou podem cair mais? Gestores contam os papéis preferidos

Mesmo com forte queda das ações de varejo como Magalu MGLU3) e VIA (VIIA3), cenário continua desafiador com inflação e juros altos e gestores preferem papéis voltados para segmento de alta renda

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As ações das empresas varejistas, principalmente de consumo discricionário e e-commerce, foram fortemente penalizadas com a alta da taxa Selic e da inflação.

Mas apesar da queda de mais de 70% de papéis como da Magalu (MGLU3) e da Via (VIIA3) nos últimos 12 meses, até 25 de abril, e da aproximação do fim do ciclo de aperto monetário, gestores ainda não veem oportunidade de compra desses ativos diante de um cenário ainda desafiador de crescimento baixo e desemprego elevado, que deve pressionar a renda da classe média baixa.

Nesse contexto, a preferência dos gestores tem recaído sobre empresas voltadas para o consumo básico e para o público de classe média e alta, cujo consumo tem se mostrado mais resiliente.

“O ciclo de alta da Selic está próximo do fim, mas não sabemos por quanto tempo os juros vão permanecer nesse patamar elevado e, para isso, precisaríamos ver a inflação se acomodando um pouco”, diz João Mamede, analista sênior de renda variável da AZ Quest.

Segundo Mamede, o principal ponto para as ações de varejo é quando a inflação vai de fato começar a ceder.

A média da projeção dos analistas no último Boletim Focus, divulgado em 26 de abril, é de um IPCA a 7,65% no fim de 2022, acima da meta de inflação, de 3,5%.

Diante disso, o analista tem preferido ações de empresas de varejo voltadas para o público de média e alta renda, como Arezzo (ARZZ3), Grupo Soma (SOMA3) e Track&Field (TFCO3), cujo consumo é mais resiliente.

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“A população de alta renda sente menos os efeitos de inflação porque tem poupança, o que permite manter um nível de consumo saudável”, diz Mamede.

A gestora Polo Capital também tem focado desde o meio do ano passado em empresas de varejo voltadas às classes A e B, como Grupo Soma e Track&Field.

Além de estarem mais bem posicionadas frente ao cenário macroeconômico, essas empresas têm apresentado bons resultados, afirma Felipe Abad, do time de gestão dos fundos de ações da Polo Capital.

No caso do grupo Soma, além da diversificação do mix de produtos, após a aquisição da Hering e Farm, a empresa tem focado no plano de internacionalização. O grupo apresentou registrou lucro líquido de R$ 226,1 milhões em 2021, 563% maior que em 2020.

Já a Track&Field vem ampliando o mix de produtos, antes focado muito em moda esportiva para academia, e tem investido na plataforma omnichannel, que integra diversos canais de venda físicos e digitais. “A empresa tem um time muito bom que entrega crescimento forte e tem investido na expansão de lojas com a abertura de franquias”, diz Abad.

Com a visão de que as companhias voltadas para o segmento C e D são mais vulneráveis ao cenário macroeconômico atual, a Polo tem ganhado com a aposta na alta das ações do Grupo Soma, que sobe 4,56% no ano até 25 de abril, contra a C&A (CEAB3), que cai 27%.

A Polo ainda tem uma posição em Track &Field contra Lojas Renner (LREN3), apostando na performance melhor da primeira. “Além de a inflação corroer o poder de compra da população de mais baixa renda, essas empresas com foco nesse público estão mais expostas ao segmento chamado de ‘fashiontronics‘, como a venda de aparelhos de celulares, que vem sofrendo e, por enquanto, parece não estar em um ponto de inflexão”, diz Abad.

A C&A apresentou queda de 23,2% nesse segmento no quarto trimestre de 2021, na comparação anual.

A varejista recomprou do Bradesco o direito de oferecer produtos financeiros nas lojas, e tem focado no lançamento do C&A Pay. “Com a renda dessa população mais comprometida, o movimento seguinte é uma inadimplência maior”, diz Abad. “Por isso, preferimos o Grupo Soma, que tem entregado performance melhor.”

A receita total de serviços financeiros da C&A no quarto trimestre foi de R$25,2 milhões, redução de 48,7% em função da maior provisão com perdas.

Já a Renner vem tendo dificuldade para crescer nas plataformas digitais, após levantar R$ 4 bilhões em uma emissão de ações (follow-on) em 2021 para investir nesse segmento. “É possível que as vendas nos canais digitais tenham uma margem estruturalmente mais baixas”, afirma Abad. “Nesse nível de preço, prefiro a Track&Field, que negocia a um múltiplo parecido, com crescimento muito maior.”

Segundo o UBS, a Track&Field negociava no fim de março a um múltiplo de preço/lucro para 2022 de 15,4 vezes, contra 18,7 vezes da Lojas Renner.

Consumo básico ganha relevância com queda da renda

Com a renda familiar mais baixa das famílias e o desemprego alto, a gestora Claritas vê mais oportunidade em empresas voltadas para o consumo básico, como a rede de atacrejo Assaí (ASAI3).

A gestora também enxerga potencial em ações de empresas voltadas para o segmento alta renda, como da operadora de shopping centers Multiplan (MULT3), conta Eduardo Morais, gestor de portfólios da Claritas.

O analista de ações da gestora Forpus Capital, Rafael Cintra, também vê oportunidades em companhias de consumo básico como Assaí, Carrefour (CRFB3) e Hypera (HYPE3), de medicamentos. “A única empresa mais de varejo que temos na carteira é Centauro [SBFG3, de artigos esportivos], porque vemos que ela pode ser beneficiada com a valorização do real e importar os produtos da parceria Nike.”

Concorrência maior afeta varejistas de e-commerce

O aumento da concorrência nas plataforma de marketplace tem ajudado a pressionar ainda mais as margens das varejistas com atuação no e-commerce, como Magalu, Via e Lojas Americanas (AMER3).

A entrada de players internacionais como AliExpress, Shopee, Shein e Mercado Livre (MELI34) fez com que houvesse um aumento da competição no varejo online, reduzindo as margens das empresas.

A Magazine Luiza teve prejuízo de R$ 79 milhões no quatro trimestre. Já a Via registrou queda no lucro de 91,4% no quarto trimestre frente ao mesmo período do anterior, somando R$ 29 bilhões.

“Para 2022, a maior preocupação dessas empresas é com a rentabilidade”, diz Mamede. Segundo o analista da AZ Quest, as empresas nacionais revisaram a estratégia de crescimento a todo custo na aquisição de clientes e agora estão focando em recompor as margens, com aumento de tarifas de frete.

“Não devemos ver ao longo deste ano um crescimento forte de receitas como vimos no passado e não enxergamos uma melhora no e-commerce no primeiro trimestre”, diz Mamede.

Múltiplos ainda esticados

Mesmo com a queda das ações da Magalu (74,31%) e da Via (75,22%) em 12 meses, após uma série de resultados fracos que decepcionaram o mercado, os gestores ainda não veem oportunidade para voltar a comprar os papéis.

Para Abad, apesar da forte queda nos preços, as ações ainda parecem caras e a gestora não se sente confortável para ter uma posição na carteira.

Apesar da baixa, a ação da Magalu negocia com múltiplo preço/lucro estimado pelo UBS de 68,9 vezes para 2023, contra 90,6 vezes do Mercado Livre, que atua na América Latina.

Além da maior competição, a alta de desemprego prejudica o consumo de itens discricionários como eletroeletrônicos e linha branca, que têm tíquetes mais altos e representam uma fatia relevante da venda dessas varejistas.

Também houve um aumento de consumo desses itens na pandemia e, agora, mesmo a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), não será suficiente para incentivar uma retomada do crescimento das vendas desses produtos, afirma Mamede.

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