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Empresas de e-commerce devem ser as mais beneficiadas pelo corte do IPI, diz XP

Empresas de e-commerce devem ser as mais beneficiadas pelo corte do IPI, diz XP

Companhias que produzem na Zona Franca de Manaus podem ser negativamente impactadas

Galpão logístico

Foto: Shutterstock

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A redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciada pelo governo na última sexta-feira (25), deve beneficiar as ações de varejo, sobretudo as de empresas que atuam no e-commerce, avalia a XP Investimentos, de acordo com relatório publicado na quarta-feira (2).

O decreto publicado pelo governo reduz o imposto entre 18,5% e 25%, a depender do produto, com o objetivo de incentivar o comércio local, reaquecer a economia e gerar empregos.

Depois de o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, ter classificado o corte como positivo e afirmado que ele deve ajudar a enfraquecer a inflação, os analistas da XP passaram a enxergar uma sinalização de que a indústria deve repassar a diminuição do imposto para o preço final dos produtos.

A medida, então, deve beneficiar principalmente a Magazine Luiza (MGLU3), a Via (VIIA3) e a Natura (NTCO3), diz a corretora, “uma vez que isso deve levar a menores custos, o que nós acreditamos que deve ser repassado completamente para os preços finais para aumentar a demanda ou ser parcialmente incorporado nas margens”.

Até mesmo empresas que produzem artigos sobre os quais não incide o imposto, como vestuário, calçados, medicamentos e alimentos, podem ser impactadas positivamente pela redução dos preços de algumas de suas matérias primas. Nesse grupo, a XP destaca a Alpargatas (ALPA4).

Os segmentos de varejo alimentar e farmácias também podem se favorecer, impactados por menores preços em parte de seu mix de vendas e por um poder de compra mais preservado.

Enquanto as empresas de e-commerce devem ser as mais beneficiadas, companhias como Vivara (VIVA3) e Multilaser (MLSA3) podem ser negativamente afetadas, segundo a XP. Isso porque as companhias operam na Zona Franca de Manaus, região isenta do pagamento do imposto, e a redução de seus benefícios fiscais pode impactar sua competitividade.

Cenário para as locadoras

Enquanto o impacto sobre as varejistas deve ser majoritariamente positivo, o corte do IPI pode trazer tanto benefícios quanto malefícios para as locadoras de veículos, diz a equipe de analistas do Goldman Sachs, também em relatório distribuído ontem.

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Do lado positivo, a redução do imposto pode diminuir o preço dos carros novos, reduzindo os custos para as locadoras e, consequentemente, permitindo uma expansão menor de investimentos.

Por outro lado, a redução no preço de carros novos costuma trazer consigo uma queda no valor dos seminovos, o que pode causar diminuição no valor da frota das companhias. Na projeção do Goldman, a frota da Localiza (RENT3), que terminou 2021 avaliada em R$ 16 bilhões, poderia ter seu valor reduzido em cerca de R$ 240 milhões.

A redução no valor das frotas, por sua vez, leva a um impacto negativo no lucro. Novamente em relação à Localiza, o Goldman Sachs prevê que isso cause redução de R$ 158 milhões nos ganhos de curto prazo da locadora, o que corresponde a 8% da projeção do banco para 2022.

Os analistas do Goldman ressaltam, porém, que os preços de carros têm subido acentuadamente nos últimos anos, impulsionados não por impostos, mas por fatores como limitação na oferta e maiores custos de produção. Tais aumentos, diz o banco, poderiam compensar os efeitos da redução do imposto.

A Genial Investimentos, por sua vez, em comentários ao mercado nesta quinta-feira, indicou que não espera impactos significativos sobre as locadoras: “As locadoras devem ser minimamente afetadas, devido à perda no valor da frota. Por outro lado, o Capex (investimentos em bens de capital) previsto para 2022 pode diminuir, à medida em que os carros comecem a ser vendidos com preços reduzidos”.

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