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BC mantém alta do PIB de 2022 em 1% e alerta para risco do petróleo para inflação

BC mantém alta do PIB de 2022 em 1% e alerta para risco do petróleo para inflação

Autoridade monetária melhorou estimativa para o resultado das transações correntes do Brasil com outros países

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O Banco Central manteve a projeção de alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 2022 em 1% em seu relatório trimestral de inflação divulgado nesta quinta-feira (24), mas ressaltou que a incerteza em torno da expectativa é maior do que a usual por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia.

A autoridade monetária afirmou que o cenário para a inflação é de alta de 7,1% neste ano e de 3,4% para 2023 , mas que se a cotação do petróleo se normalizar (cenário alternativo adotado pelo Comitê de Política Monetária do BC na última reunião de política monetária), essas projeções se reduzem a 6,3% e 3,1%, respectivamente. Este último cenário é considerado o mais provável pelo BC.

“A projeção de crescimento do PIB em 2022 foi mantida em 1,0%. Ressalta-se que a incerteza ao redor da projeção é maior do que a usual, particularmente em virtude da rápida alteração no cenário global com o recrudescimento das tensões geopolíticas globais”, apontou o BC no relatório.

Ainda para a atividade econômica, o Banco Central destacou que o PIB do quarto trimestre mostrou uma surpresa positiva, o que eleva o patamar da economia neste início de 2022.

“Adicionalmente, continua havendo perspectiva favorável para alguns setores específicos. Mesmo com a piora recente dos prognósticos para a agricultura, a expectativa é que a agropecuária ainda contribua positivamente para o crescimento em 2022.”

Espaço para recuperação

O BC continua vendo espaço para recuperação econômica dos segmentos mais atingidos pela pandemia de coronavírus, que teve início em 2020.

“As atividades econômicas mais atingidas pela pandemia ainda operam em patamares razoavelmente abaixo do observado no fim de 2019, sugerindo existência de espaço para a recuperação conforme se dissipa o risco sanitário associado à variante Ômicron da Covid-19 e prossegue o processo remanescente de normalização da economia, inclusive a transição do consumo em direção a serviços.”

Apesar disso, o relatório destacou que, se serviços têm espaço para recuperação, a indústria patina, afetada pela quebra de cadeias de fornecimento no mundo por causa da pandemia.

“Em sentido oposto, na indústria, até janeiro, continuava elevada a parcela de empresários que citavam a escassez de matéria-prima como um fator limitante ao crescimento da produção no início de 2022”, ponderou o BC.

Choque de commodities

No relatório, o BC destacou o choque de commodities provocado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e as sanções do Ocidente aos russos, além das  dificuldades de se projetar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para este ano e o próximo.

“A elevação desde o último relatório de inflação dos preços de commodities − intensificada mais recentemente pela escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia e suas possíveis repercussões − e dos preços de produtos importados, embora atenuada pela recente apreciação do real, pode ser considerada um novo choque de oferta do ponto de vista da economia doméstica, com impacto altista sobre a inflação e negativo sobre a atividade econômica.”

No relatório, o Banco Central avaliou que a alta nos preços do petróleo terá um impacto significativo sobre o IPCA e que as incertezas para as projeções do comportamento da inflação são elevadas.

“A elevada volatilidade do preço do petróleo, especialmente no contexto atual de aumento súbito do risco geopolítico internacional, e o aumento no grau do seu repasse para o preço da gasolina ao consumidor final resultam em incerteza e volatilidade substancial para as projeções de inflação, especialmente no curto prazo.”

Transações correntes

Com a desvalorização recente do dólar, o BC melhorou a estimativa para o resultado das transações correntes do Brasil com outros países neste ano.

A expectativa agora é de um saldo positivo de US$ 5 bilhões. Em dezembro, no último relatório, a projeção era de um rombo de US$ 21 bilhões.

Inflação de 2024 abaixo da meta

Para 2024, o BC projeta uma inflação abaixo da meta (entre 2,3% e 2,4%, para um objetivo de 3%).

“A partir desta reunião, a primeira do segundo semestre, o Copom já deve passar a considerar a inflação de 2024 no horizonte relevante de política monetária”, avaliou o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles. “Uma inflação abaixo da meta é sinal de que a dose do aperto monetário teria ido longe demais. Por isso, entendemos que o Copom não deverá estender o ciclo para além do primeiro semestre”.

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