Sem limite para gastos, sem limite para juros – o que marcou a semana

Intenção do governo eleito é ter fora do limite do teto de gastos, instituído na Constituição, em 2017, até R$ 175 bilhões ao ano em despesas

Foto: Shutterstock/Immersion Imagery

A semana seguinte à que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter como prioridade as ações sociais, mesmo em detrimento do teto de gastos, foi novamente tumultuada. Desta vez, as declarações repetidas do presidente eleito sobre o assunto e a apresentação da primeira versão da PEC da Transição, na quarta-feira (16), acertaram em cheio as expectativas do mercado sobre os juros.

De acordo com o mostrado na ideia inicial da Proposta de Emenda à Constituição, a intenção do governo é ter fora do limite instituído na Constituição, em 2017, até R$ 175 bilhões ao ano em despesas. O dinheiro serviria para pagar os R$ 600 mensais do Bolsa Família e mais R$ 150 por criança de até seis anos para famílias que recebem o benefício.

O furo do teto já seria suficiente para gerar temor no mercado. Mas junto veio um pedido para que a licença para gastar mais que o previsto em lei tivesse prazo indeterminado. Isso contribuiu para o cenário econômico futuro ser enxergado de forma mais nebulosa.

Na quinta-feira (17), as taxas do Tesouro Direto abriram em alta, sob efeito da disparada do chamado risco fiscal. A turbulência nos juros chegou a atrasar o início dos negócios no Tesouro Direto. A taxa do título prefixado com vencimento em 2025 foi de 13,73% ao ano, a mais elevada da série iniciada em fevereiro de 2018.

As outras opções de prefixado também subiram às máximas desde julho. O papel com vencimento em 2029 oferecia, na manhã de quinta, taxa de 13,53% ao ano, ante 13,20% na véspera. Já a opção com juros semestrais e encerramento em 2033 estava em 13,52%, ante 13,08% na quarta.

O que o mercado quis indicar é que, diante da perspectiva de aumento além do esperado nos gastos públicos, passou a prever inflação mais forte e mais aumentos da Selic, a taxa básica de juros. A Selic está atualmente em 13,75% ao ano, e a expectativa era que caísse no primeiro semestre de 2023. Depois da PEC, o mercado passou a prever que a taxa chegaria a 14% ao ano no início de 2024.

O efeito também foi sentido na Bolsa, por causa das companhias com operações mais sensíveis à alta de juros, como construtoras e varejistas. No meio do dia, o Ibovespa recuava 2,54%, aos 107.442 pontos, no menor nível desde 30 de setembro. A queda acumulada pelo índice em novembro chegou a 5,46%, enquanto o saldo de 2022, na quinta, foi uma alta de 4,66%.

Foi então a vez do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), em entrevistas, apaziguar os ânimos e dizer que o novo governo trabalhará em uma nova âncora fiscal para substituir o teto e cortará gastos. Os juros futuros e o dólar então recuaram nesta sexta (18), com a ajuda também da sinalização de que a PEC da Transição não terá uma tramitação tão fácil no Congresso diante da aglutinação de partidos conhecida como Centrão.

A situação em relação à condução fiscal pelo novo governo, mesmo antes da posse, já está envolta em incertezas. O contexto inevitavelmente leva à revisão de estratégias de investimentos. Nesse cenário de volatilidade, especialistas em renda fixa recomendam cautela. É hora de priorizar os pós-fixados e ser seletivo ao aproveitar as demais opções (IPCA e prefixados), ao menos até a próxima reviravolta.

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Veja os destaques da Agência TradeMap na semana.

De Taesa a Gol: as ações com mais recomendações

A Agência TradeMap fez um levantamento com base em recomendações de analistas e identificou as ações com mais têm indicações de venda. E a primeira da lista é Taesa (TAEE11). Os papéis são considerados uma “furada” no momento, porque estão negociados acima do preço justo, com retornos pouco atrativos.

IRB, a renúncia do presidente, queda e valorização dos papéis

O presidente do IRB Brasil (IRBR3), Raphael de Carvalho, renunciou, na quinta-feira (17) após cerca de 1 ano no cargo. O substituto será Marcos Falcão, que faz parte do conselho de administração desde maio de 2020. Durante o mandato, Carvalho levou a companhia a apenas um trimestre lucrativo, entre janeiro e março deste ano.

As ações da companhia registraram alta na segunda-feira (14), depois de ter caído acima de 4% na sexta (11), com a divulgação de mais um prejuízo. A valorização pode ter refletido movimentações de grandes players no mercado, aponta Luan Alves, analista chefe da VG Research.

Brasil ou Argentina? Quem tem mais chances de vencer a Copa?

Relatório da XP, com base em dados de inteligência artificial e números de sites de aposta, mostra que, caso entre em campo na final, a seleção brasileira tem 63% de chances de vencer a competição. Logo atrás estão a Argentina, com 61% de probabilidade, e a Espanha, com 59%.

Os mais bem pagos jogadores da Copa

A Agência TradeMap fez um levantamento a partir de dados de Forbes, Sportico, Sports Browser e Spotrac para montar a seleção dos 11 jogadores mais bem pagos que foram convocados para o mundial. A lista leva em consideração salários e bônus. O jovem francês Kylian Mbappé, aos 23 anos, encabeça a lista.

Oportunidade também para ‘minipetros’

A Petrobras (PETR4) não será a única do setor a aproveitar o avanço dos preços do petróleo. Na Bolsa, Prio (PRIO3), 3R Petroleum (RRRP3) e PetroReconcavo (RECV3), privadas e apelidadas como “petro juniors” ou “minipetros“ também vão surfar a onda criada em consequência do embargo à commodity produzida na Rússia.

Curiosidades dos balanços com o fim da temporada

O inverno fora de hora no Brasil, o efeito Pix no balanço de varejistas e até a guerra entre Rússia e Ucrânia estão entre algumas das curiosidades escondidas nos números das companhias referentes ao terceiro trimestre deste ano. Sabia, por exemplo, que um terço da carteira do Banco do Brasil (BBAS3) já é feita com base em critérios ESG?

Agenda

A expectativa sobre a prévia da inflação de novembro é um dos pontos relevantes da agenda da semana. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de novembro sai na quinta-feira (24). O indicador, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), referente a outubro fechou em alta de 0,59%, com o maior impacto do aumento de alimentos e bebidas, após três meses de queda.

O Boletim Focus publicado na segunda-feira (14) mostrou que o mercado espera que o indicador da inflação encerre este ano com alta de 5,82%, ante 5,63% na semana passada. É a terceira semana seguida de mudança para cima após 17 publicações consecutivas de queda. Para o ano que vem, a projeção se manteve em 4,94%. Até outubro, a inflação acumulada é de 4,70% no ano e de 6,47% em 12 meses.

Na quarta-feira (23), é o dia de divulgação da ata da última reunião do Fomc (colegiado de política monetária), do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O encontro, encerrado em 2 de novembro, levou ao aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica, como esperado, para o intervalo de 3,75% a 4% ao ano. O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou, na ocasião, que o mais importante não era o ritmo de desaceleração que poderia vir, mas o patamar final da taxa após o fim do ciclo de alta, cujo momento ainda não está previsto.

No dia seguinte à divulgação da ata, quinta-feira (24), os mercados americanos estarão fechados devido ao feriado de Ação de Graças no país. E na sexta (25), vão fechar às 15h (horário de Brasília).

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