Após dispararem ontem com a apresentação da PEC da Transição, os juros futuros e o dólar cedem na manhã desta sexta-feira (18) após notícias de que a proposta pode ser desidratada pelo centrão e declarações do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, indicando que o novo governo trabalhará em uma nova âncora fiscal para substituir o teto e que cortará gastos.
Às 10h10, a moeda americana cedia 1,28%, e os contratos DI com vencimento em janeiro de 2024 recuavam 6 pontos-base, mas ainda estavam em um patamar elevado, de 13,97%.
Os juros com vencimento em janeiro de 2026 caíam 10 pontos-base, a 12,98%, segundo dados da plataforma TradeMap. O Ibovespa futuro era negociado em alta de 1,54%.
Segundo informações da CNN Brasil, os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, vem debatendo alterações na PEC que poderiam reduzir drasticamente o impacto fiscal final – de R$ 198 bilhões, a abertura de espaço no Orçamento cairia a R$ 80 bilhões.
Os líderes também teriam a intenção de limitar o waiver (licença para gastar) para no máximo dois anos – o PT (Partido dos Trabalhadores) queria que os benefícios fossem tirados do teto de forma permanente, mas concordaria com quatro anos.
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Ontem, Alckmin, deu entrevistas classificando a reação dos investidores à PEC como “momentânea”, e disse que o novo governo discutirá uma nova âncora fiscal para substituir o teto de gastos.
“Não há razão para estresse. O presidente Lula sempre teve responsabilidade fiscal”, disse. À jornalista Miriam Leitão, da Globo, ele exemplificou a possibilidade de revisão de contratos e disse que a reforma tributária que já está em tramitação pode ser aprovada.
“É uma reforma que pode fazer o PIB [Produto Interno Bruto] crescer, tem efeito na produtividade, na competitividade, simplifica, reduz custos, evita guerra fiscal”, disse.