Petrobras agrada investidores e governo com máquina de dividendos – o que marcou a semana

Na quinta-feira (28), no meio do pregão, a companhia anunciou o pagamento de dividendos recordes de quase R$ 88 bilhões

Gustavo Nicoletta

Gustavo Nicoletta

Foto: Shutterstock

A Petrobras (PETR4) deu mais uma prova de que a estratégia da companhia de controlar custos, reduzir o endividamento e aumentar a rentabilidade de seus ativos está dando frutos – ainda que com uma bela ajuda da alta nos preços do petróleo.

Na noite de quinta-feira (28), a estatal anunciou que o lucro líquido do 2º trimestre somou R$ 54,3 bilhões, uma alta de 26,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Vale ressaltar que, horas antes do anúncio, os investidores já estavam bem contentes com outra notícia vinda da Petrobras: um volume recorde de dividendos – R$ 88 bilhões -, a serem pagos em agosto e setembro.

O governo federal, principal acionista da empresa, receberá sozinho cerca de R$ 32 bilhões.

E o Planalto certamente já estava contente com a companhia antes mesmo de vir à tona o quanto receberia. Isso porque na quarta-feira (27) conseguiu mais voz no que diz respeito às decisões da companhia sobre os preços de combustíveis.

Uma nova diretriz da Petrobras determinou que as decisões sobre reajustes na gasolina e no diesel, que antes estavam a critério somente da diretoria, passassem também pelos conselhos de administração e fiscal, órgãos mais povoados por pessoas indicadas pelo governo federal.

Com isso, finalmente, o governo parece ter alcançado o que pretendia a partir do troca-troca realizado na presidência da estatal nos últimos meses. Tanto que, na manhã do dia seguinte, a Petrobras informou a redução de 3,9% no preço da gasolina nas refinarias.

Os bons resultados da estatal, no entanto, parecem ter solapado preocupações dos investidores com as intervenções do governo na companhia. Tanto as ações preferenciais quanto as ordinárias da Petrobras fecharam em alta de 3% e 2,12%, respectivamente, na quinta-feira, e estiveram à frente das valorizações desta sexta (29).

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Veja os destaques da Agência TradeMap na semana:

Será o fim do bear market?

Depois de registrarem a pior performance desde 1970 no primeiro semestre, as bolsas americanas se recuperaram em julho e caminham para encerrar o mês em alta, a primeira desde março deste ano, com o índice S&P 500 subindo mais de 7% e o Nasdaq mostrando avanço perto de 10%.

Free float fora da regra

As recentes correções nos preços das ações têm levado empresas a realizarem programas de recompra. Como algumas operam em segmentos de governança corporativa em que é necessário manter um nível mínimo de papéis em circulação, várias delas pedem dispensa temporária das normas. Atualmente, 15 companhias têm o aval para negociar menos ações que o mínimo exigido.

Turbulência mais longa na Gol

A Gol, que reverteu lucro em um prejuízo de R$ 2,8 bilhões no segundo trimestre, teve o alto preço dos combustíveis e a valorização cambial como principais vilãs dos resultados. Ocorre que o cenário futuro ainda deve ser desafiador, já que as incertezas políticas e a extensão da guerra entre Ucrânia e Rússia devem manter o combustível e o dólar em patamares elevados.

Reversão de venda de ativos da Oi é “improvável”

É “improvável” que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) reverta a venda de ativos de telefonia móvel da Oi (OIBR3) para outras operadoras do setor – ainda que esta possibilidade tenha sido verbalizada pelo presidente da agência, Leonardo Euler de Morais. A avaliação é da Genial Investimentos. Para a corretora, desfazer a venda dos ativos da Oi Móvel traria mais problemas do que soluções e dificultaria o fim da recuperação judicial da Oi.

Mercado reage mal a balanço da Vale

O Itaú BBA avaliou como “negativo” o resultado registrado pela Vale no segundo trimestre. Os analistas do banco ressaltaram que a empresa publicou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) menor que o esperado. “A frustração em relação as nossas expectativas é explicada principalmente por: desempenho de custos abaixo do esperado na divisão de minério de ferro e resultados mais fracos na divisão de cobre”, disse o banco.

Agenda da semana

O principal tema da semana será a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, na reunião que ocorre nos dias 2 e 3 de agosto. Já se coloca em pauta se seria a hora de o colegiado interromper a trajetória de alta da taxa básica de juros, a Selic, ou ao menos minimizá-la.

Mas a expectativa é que a autoridade monetária prolongue um pouco o aperto monetário. O Boletim Focus desta semana mostra que, nas contas do mercado, a Selic encerrará este ano em 13,75% . Atualmente em 13,25% ao ano, a taxa foi elevada em 0,50 ponto percentual no encontro mais recente do Copom, em junho. Em janeiro de 2021, estava em 2% ao ano.

A manutenção da trajetória de alta se justificaria pela necessidade de controlar a inflação. Mas a alta de preços já foi menor que a prevista em junho. E o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) tende até a mostrar deflação em julho e agosto, devido à ampliação do auxílio emergencial e redução do ICMS.

No exterior, o destaque da semana serão os dados a respeito do emprego nos Estados Unidos, previstos para sexta-feira (5).

Nesta semana, dados mostraram que a economia americana encolheu por dois trimestres seguidos, o que tecnicamente caracterizaria uma recessão. No entanto, especialistas dizem que o mercado de trabalho do país está aquecido demais, e que neste contexto fica mais difícil aplicar este diagnóstico.

Os dados de sexta-feira devem ajudar a esclarecer se a fraqueza na atividade está se espalhando e prejudicando a criação de empregos. Se for este o caso, aumentariam as chances de o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, reduzir o ritmo de alta de juros no país.

Segundo o Wells Fargo, o mercado espera que o indicador aponte a criação de 250 mil empregos em julho – bem menos que os 372 mil gerados em junho.  O próprio banco, no entanto, está mais pessimista que o consenso, prevendo abertura de 215 mil postos de trabalho.

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