Ibovespa sobe 0,55% com impulso da Petrobras (PETR4) e apesar de queda da Vale (VALE3)

Saldo do índice na semana é de valorização de 4,3%, e ganhos do mês são de 4,7%

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Pixabay

Com balanços do segundo trimestre em foco, o Ibovespa fechou o pregão desta sexta-feira (29) em alta de 0,55%, aos 103.164 pontos, impulsionado pela alta da Petrobras após resultados acima do esperado – e ignorando a queda da Vale, cujos números frustraram o mercado.

Com o avanço de hoje, dia com R$ 26,24 bilhões em volume negociado, o principal índice da Bolsa brasileira encerrou a semana com valorização de 4,29% e o mês de julho com ganhos de 4,69%. Desde o início do ano, porém, o Ibovespa soma perdas de 1,58%.

As Bolsas estrangeiras também deixaram de lado as preocupações com inflação e recessão para focar nas surpresas positivas da temporada de balanços. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 1,42%, o Dow Jones subiu 0,97% e o Nasdaq valorizou 1,88%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve ganhos de 1,53%.

Exterior ignora riscos

Principal índice de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, o banco central americano, o PCE (Índice de Despesas de Consumo Pessoal) avançou 1% em junho na comparação com maio, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo escritório oficial de estatísticas americano (BEA).

O crescimento veio bem acima do esperado por analistas ouvidos pela Reuters, que acreditam em um aumento de 0,5% no mês. O núcleo do PCE, que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia, avançou 0,6%, pouco acima dos 0,5% esperados.

O dado é informado um dia depois da divulgação da primeira leitura do PIB (Produto Interno Bruto) americano do segundo trimestre, que mostrou queda de 0,9%.

Na Europa, foi divulgado pela Eurostat que o PIB da zona do euro avançou 0,7% no segundo trimestre, muito acima do esperado pelo mercado, que apostava em leve alta de 0,1%.

Petrobras sobe, Vale desce

Por aqui, o que o mercado esperava se confirmou. A Petrobras viu seus resultados saltarem no segundo trimestre do ano, impulsionados, principalmente, pelos preços mais altos do petróleo no mercado internacional, que subiram 10% no período, ficando na média em torno de US$ 112 o barril do tipo Brent, além dos produtos refinados, que também registraram elevação dos preços.

No período, o lucro líquido da estatal alcançou R$ 54,330 bilhões, uma alta de 26,8% ante o mesmo período do ano anterior, enquanto o lucro operacional, refletido no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, subiu 58,6%, para R$ 98,260 bilhões na mesma base de comparação.

O lucro líquido ficou bem acima do projetado por cinco casas consultadas pela Agência TradeMap. O Itaú BBA esperava um lucro de R$ 39,74 bilhões, enquanto o BTG Pactual previa R$ 34,694 bilhões, o BofA (Bank of America) estimava R$ 41,048 bilhões e o Santander era o que tinha o maior pessimismo com o resultado, de R$ 25,820 bilhões.

Pouco antes do resultado, a empresa revelou ainda que pagará R$ 6,73 por ação ordinária ou preferencial, entre agosto e setembro, totalizando R$ 87,8 bilhões. Do montante total, R$ 32,1 bilhões serão pagos à União (considerando BNDES e BNDESPar).

No pregão de hoje, a Petrobras também foi ajudada pelo petróleo, que subiu em meio à continuidade da guerra no leste europeu, com autoridades ucranianas dando início a uma contraofensiva para recuperar a cidade de Kherson, ocupada pela Rússia. O mercado também aguarda a reunião da Opep+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e Aliados) na semana que vem, com expectativas de que não haverá aumento de oferta.

O petróleo tipo Brent fechou em alta de 2,1%, a US$ 103,97 por barril. Nesse contexto, as maiores altas do Ibovespa foram de 3R Petroleum (RRRP3), Petrobras ON (PETR3) e Petrobras PN (PETR4), com ganhos de 6,88%, 6,42% e 5,76%, respectivamente.

O dia foi bem diferente para a Vale (VALE3). O lucro líquido da mineradora teve recuo de 17,7% no segundo trimestre, na comparação com os mesmos três meses de 2021, para US$ 6,203 bilhões, afetado pelos preços menores do minério de ferro e do cobre.

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Os números mais fracos, no entanto, já eram esperados pelo mercado. “A Vale deve mostrar um declínio sequencial em resultados no segundo trimestre, pressionado por resultados mais fracos na divisão de minério de ferro”, disseram analistas do Itaú BBA, em relatório de prévia dos resultados.

Além disso, o mercado projetava um lucro mais fraco do que o anunciado: analistas do BofA projetavam US$ 3,187 bilhões; o Santander esperava US$ 3,593 bilhões; e a XP Investimentos, mais otimista, estimava US$ 4,078 bilhões.

Analistas do Itaú BBA avaliaram o resultado da Vale como “negativo” e ressaltaram que o resultado operacional da empresa ficou aquém do esperado. As ações da mineradora fecharam o pregão em baixa de 1,33%

Porém, nem tudo é negativo para a mineradora. A Vale também comunicou o pagamento de R$ 3,57 por ação em proventos para seus acionistas. O valor bruto corresponde a R$ 2,03 em dividendos e R$ 1,54 em juros sobre capital próprio.

Outros balanços mexem com o mercado

No fechamento, as maiores baixas do Ibovespa eram de Americanas (AMER3), Magazine Luiza (MGLU3) e Usiminas (USIM5), com perdas de 7,22%, 5,15% e 4,76%, nesta ordem.

Vale e Petrobras não foram as únicas ações impactadas por balanços. A Usiminas apresentou um lucro menor do que o esperado no segundo trimestre, pressionado pela queda nos preços do minério de ferro e por um aumento de despesas operacionais da companhia.

Segundo a empresa, o lucro do período encolheu 77% na comparação com o segundo trimestre do ano passado, saindo de R$ 4,54 bilhões para R$ 1,06 bilhão. Agentes de mercado já esperavam a queda no lucro, mas foi mais intensa que o previsto. A XP projetava lucro de R$ 1,10 bilhão para a Usiminas, enquanto o BTG Pactual esperava R$ 1,20 bilhão.

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Outra forte queda, de 3,25%, foi de Multiplan (MULT3). A operadora de shopping centers registrou um lucro líquido de R$ 172,6 milhões no segundo trimestre, aumento de 84% em relação a igual período do ano passado, um resultado impulsionado principalmente pela receita líquida, que cresceu 58,4%, para R$ 436,5 milhões.

O avanço no lucro líquido se deu apesar da expansão das despesas financeiras, que foram turbinadas pelo aumento da Selic, que impulsionou as despesas da empresa com juros. No segundo trimestre, as despesas financeiras somaram R$ 94,3 milhões, alta de 164,5% em relação a igual período do ano passado.

Na direção oposta, a Hypera (HYPE3) surpreendeu positivamente o mercado em todas as linhas de seus resultados do segundo trimestre, divulgados na noite de quinta-feira (26). Como consequência, suas ações figuraram entre as maiores altas do pregão, com avanço de 5,19%.

O lucro líquido foi pressionado pelo resultado financeiro, que sofreu com o aumento da taxa de juros e com as dívidas da aquisição da Takeda, mas permaneceu praticamente estável, com contração anual de 5%, em R$ 456 milhões – 13,7% acima da estimativa da XP.

Criptomoedas

Depois de um primeiro semestre de fortes perdas, o mercado de criptoativos encerra julho em ritmo de recuperação. No cenário macroeconômico, o sentimento positivo, que também deu gás para outros ativos de risco, como as Bolsas, é impulsionado pela queda do temor de recessão com o aumento dos juros americanos.

Já no universo de ativos digitais, o grande destaque foi para a expectativa de atualização da blockchain do Ethereum (ETH), prevista para setembro. A fusão (the merge, em inglês) é o evento cripto mais aguardado do ano pela mudança na forma de mineração da cadeia, além de encaminhar outras melhorias aguardadas para o próximo ano.

Por volta das 16h50, o Bitcoin (BTC) registrava alta de 0,44%, a US$ 23.922, conforme dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.

O desempenho caminha a maior cripto do mercado para fechar o mês com alta de na ordem de 17%, a mais expressiva desde outubro do ano passado.

O ETH também segue em ritmo de recuperação, com alta de 1,1%, a US$ 1.730, segundo dados da Binance disponíveis na plataforma TradeMap. A segunda maior cripto do mercado segue para fechar o mês com alta de aproximadamente 55%.

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