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Usiminas (USIM5) vê pouca chance de melhora nos resultados nos próximos meses

Usiminas (USIM5) vê pouca chance de melhora nos resultados nos próximos meses

Demanda, volumes de venda e custos devem seguir em linha com o observado no segundo trimestre

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Foto: Divulgação

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Os resultados da Usiminas (USIM5) no segundo trimestre, divulgados na manhã desta sexta-feira (29), decepcionaram os analistas, e a gestão da companhia vê poucas chances de mudança nos números nos próximos meses.

Durante teleconferência, Miguel Angel Homes Camejo, diretor vice-presidente comercial da Usiminas, disse que as dinâmicas de mercado devem continuar parecidas.

A expectativa da companhia é que o setor automotivo, grande consumidor do aço produzido pela siderúrgica, siga sofrendo com volatilidade e incertezas em torno da disponibilidade de componentes. A indústria geral, no entanto, deve continuar relativamente forte.

Outro setor que pode seguir pressionado, diz Camejo, é a construção civil. “A construção é o setor que pode sofrer mais, pela situação internacional, com guerra, política de Covid zero na China e alta generalizada dos juros, o que pode impactar a capacidade de consumo e investimento e ter impacto nas economias e no uso de aço”, explica.

Apesar da diferença de performance entre os setores, a empresa espera estabilidade na demanda por aço no mercado interno. “Esperamos que a estrutura de consumo do terceiro trimestre fique muito parecida com a do segundo”, completa Thiago da Fonseca Rodrigues, diretor vice-presidente de finanças e de relações com investidores.

Dessa forma, a perspectiva da companhia é que os volumes de venda no período de julho a setembro sejam parecidos com os do segundo trimestre. “Poderíamos falar de estabilidade. Não enxergamos maiores variações”, diz o VP comercial.

Outra linha que deve se manter estável, segundo Carlos Rezzonico, CEO da CSN Mineração (CMIN3), é a de custos. “Os custos por tonelada vão se manter no patamar atual. Muito depende do custo de combustível mas, no custo logístico dentro das nossas operações, não esperamos grandes variações”, afirma.

Thiago Rodrigues pontua, no entanto, que os preços de venda podem variar. “Acho que teremos estabilidade na estrutura, com um efeito preço variável, ainda muito alto na placa e no coque, e talvez encerrando esse benefício por parte do minério”, afirma.

O preço baixo do minério de ferro, inclusive, foi um dos fatores que puxou os resultados da Usiminas para baixo no segundo trimestre. Mesmo vendendo mais deste produto neste ano, a receita da companhia foi equivalente a pouco mais da metade da observada um ano antes.

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No caso do aço, o movimento foi diferente. As vendas ficaram praticamente estáveis, mas a receita cresceu, porque houve alta de preços.

Camejo aponta que o preço do aço vendido pela Usiminas é de 12% a 15% mais alto que o dos competidores, e que há uma “concorrência desleal” no setor, em particular na área de aços revestidos por causa de um incentivo chinês à exportação.

Apesar disso, a empresa vê as importações de aço no Brasil diminuindo e considera que pode continuar cobrando mais que os rivais pelo aço vendido aqui. “Estamos enxergando uma diminuição gradativa das importações no mercado interno. Acreditamos que, com esse prêmio, iremos manter a diminuição gradativa na participação das importações no consumo interno”.

Camejo enxerga, ainda, oportunidades de aumento de exportação no setor eletroeletrônico, o que poderia aumentar a demanda por produtos da Usiminas.

Os resultados

A Usiminas apresentou um lucro menor que o esperado no segundo trimestre, pressionado pela queda nos preços do minério de ferro e por um aumento de despesas operacionais da companhia.

Segundo a empresa, o lucro do período encolheu 77% na comparação com o segundo trimestre do ano passado, saindo de R$ 4,54 bilhões para R$ 1,06 bilhão.

Agentes de mercado já esperavam a queda no lucro, mas foi mais intensa que o previsto. A XP projetava lucro de R$ 1,10 bilhão para a Usiminas, enquanto o BTG Pactual esperava R$ 1,20 bilhão.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, amortização e depreciação) também recuou no segundo trimestre deste ano, e finalizou o período em R$ 1,93 bilhão. O montante representa queda de 62% em relação ao segundo trimestre de 2021.

O número do Ebitda veio em linha com a expectativa do BTG, mas menor em comparação aos R$ 2,12 bilhões projetados pela XP. No mesmo comparativo, a margem Ebitda também recuou, e passou de 52,8% no segundo trimestre de 2021 para 22,6% agora.

O lucro, diz Thiago Rodrigues, não acompanhou o Ebitda devido principalmente à variação cambial, que impactou as dívidas em dólar da companhia.

Projeções da Usiminas para o terceiro trimestre

Além de divulgar seu balanço, a Usiminas informou que seu conselho de administração aprovou o retorno da operação de Alto-Forno 2, da usina de Ipatinga até o final de outubro deste ano.

De acordo com a mineradora, o investimento (CAPEX) total envolvido nos reparos da instalação atingiu R$ 35 milhões. “A decisão de retomada das atividades é baseada na programação de produção e estoque de placas da empresa, já que temos expectativa de parar o Alto-Forno 3 em abril do ano que vem”, comentou a Usiminas.

Ademais, a companhia divulgou projeções dos volumes a serem vendidos em aço no terceiro trimestre deste ano. A Usiminas pretende vender de 950 mil a 1,05 milhão de toneladas de aço no período, levemente abaixo do apresentado no segundo trimestre.

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