A ação da Petrobras (PETR4), uma das mais negociadas na Bolsa brasileira, junto com a Vale, encara um cenário inusitado neste fim de ano. Depois de ser exaltada ao longo de boa parte de 2022, principalmente por causa dos dividendos bilionários distribuídos aos acionistas nos últimos meses, a empresa virou alvo de pessimismo.
No início de novembro, bancos como Goldman Sachs e JPMorgan rebaixaram a recomendação das ações da companhia, citando os riscos relacionados à troca de governo e, consequentemente, do comando da empresa. Nesta semana, foi a vez de o UBS-BB fazer o mesmo.
O banco de investimentos passou a recomendar a venda das ações, após meses sugerindo que os investidores comprassem o papel por causa das mudanças positivas ocorridas na companhia.
“Seis anos se passaram [desde que começamos a avaliar a Petrobras] e agora acreditamos que isso está em um caminho de reversão, com os próximos anos parecendo mais sombrios do que os pontos altos que a Petrobras alcançou”, escreveram Luiz Enfeldt e Tasso Vasconcellos, analistas do banco.
A Órama também passou a recomendar a venda do papel. Na visão da corretora, o principal temor é que, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Petrobras reverta avanços conquistados nos últimos anos, como a redução dos custos de produção, a diminuição do endividamento e a venda de ativos menos lucrativos, como refinarias.
“Para que as ações de fato representem um investimento atrativo, teríamos que ter alguma confiança de que a Petrobras de amanhã seguirá sendo a mesma empresa de hoje”, afirmou Phil Soares, chefe de análise de ações da corretora.
O contexto político-econômico pegou em cheio a Petrobras neste ano, mesmo antes das eleições majoritárias. As mudanças na presidência da companhia afetaram bastante o olhar sobre a independência da estatal e visaram principalmente frear o repasse da cotação do petróleo à bombas no mercado interno.
Atualmente, de dez recomendações sobre a Petrobras disponíveis no TradeMap, com base em dados da Refinitiv, seis são de manutenção, uma de compra e uma de venda. E dos dez preços-alvo, o upside estimado é de quase 60%. A ação recua mais de 30% desde o resultado do segundo turno das eleições, mas ainda acumula alta em torno de 40% no ano.
Para o Itaú BBA o papel pode cair mais com possíveis mudanças na política de preços a partir da entrada do novo governo. A classificação do banco para a ação é de market perform, equivalente a uma recomendação neutra.
“A implementação de uma composição de preços baseada em custos que não considere os custos de oportunidade de combustíveis, petróleo e capital investido na oferta para o mercado teria um impacto dramático nos resultados da companhia”, dizem analistas do banco.
Na sexta (18), os investidores tiveram uma notícia boa, a de que TCU (Tribunal de Contas da União) negou o pedido do Ministério Público para suspender o pagamento dos dividendos aprovados pela companhia no terceiro trimestre. A Petrobras então anunciou que serão pagos R$ 1,67 por ação, sendo R$ 1,60 em dividendos e R$ 0,07 em JCP (juros sobre o capital próprio).
E na quinta (24), mais uma informação positiva para os acionsitas. A empresa recebeu R$ 10,3 bilhões da cessão de 5% de participação em contrato no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, para a chinesa CNOOC Petroleum Brasil (CPBL).
Para Sérgio Castro, analista CNPI da Agência TradeMap, a depender da política do governo de Lula em relação à Petrobras, o montante pode vir a ser revertido no pagamento de dividendos.
Veja os destaques da semana da Agência TradeMap.
Gafisa desiste de OPA
A construtora Gafisa (GFSA3) desistiu de realizar uma oferta pública de novas ações e fará um aumento de capital privado no valor de R$ 150 milhões. Em setembro, a companhia havia informado que pretendia vender novas ações, dependendo das condições macroeconômicas e do mercado de capitais, além de aprovações societárias.
Aquisições (equivocadas?) de Natura e Dasa
Natura (NTCO3) e Dasa (DASA3) têm sido negativamente impactadas por aquisições recentes, reportando piora de rentabilidade. No caso da empresa de consumo, o principal impacto no trimestre passado foi o processo de terceirização da infraestrutura de tecnologia da Avon, segundo o Goldman Sachs.
Banco do Brasil distribui dividendos
O Banco do Brasil (BBAS3) comunicou ao mercado nesta sexta-feira (25) que distribuirá R$ 985,9 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP). O provento será de R$ 0,34 por ação, e é relativo aos resultados do quarto trimestre deste ano. O montante será pago no dia 30 de dezembro de 2022 para os acionistas com posição no dia 12 do mês.
Para Itaú, Positivo está fora do Ibovespa
Depois de passar um ano entre os integrantes do Ibovespa, a ação da Positivo (POSI3) deve deixar o índice em 2023. A previsão é do Itaú BBA. As ações da Eztec (EZTC3), EcoRodovias (ECOR3) e CSN Mineração (CMIN3) também na margem para serem excluídas, mas ainda deverão permanecer no índice em 2023.
PDG planeja grupamento para elevar valor de ações
A PDG (PDGR3) quer agrupar as ações após o papel atingir a mínima histórica. A intenção da empresa é fazer o valor da ação voltar a se enquadrar nas normas da B3, de no mínimo R$ 1, já que cada papel está avaliado a R$ 0,38. A proposta é que 40 ações passem a corresponder 1 (uma).
FIIs mais baratos segundo Órama
A Órama montou um ranking baseado em dois indicadores muito usados pelo mercado: o preço sobre o valor patrimonial da cota (P/VP) e o dividend yield para identificar os fundos de investimento imobiliário (FIIs) mais baratos dentre os listados na B3. A primeira posição é ocupada pelo XP Properties (XPPR11).
O que o terceiro trimestre diz sobre de 2023 para os bancos?
Os resultados ruins de Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) fizeram jus, sob o aspecto negativo, aos empréstimos para pessoas físicas, num momento onde o nível de endividamento familiar aumenta. Os bancos continuarão a sofrer com o mix de crédito desfavorável, com exposição maior a piores pagadores.
Rede D’Or (RDOR3), Fleury (FLRY3) e Cosan (CSAN3) acertaram nas aquisições em 2022?
A compra da SulAmérica (SULA11) pela Rede D’Or (RDOR3) foi vista como uma grande cartada da empresa de hospitais, enquanto a Cosan (CSAN3) pegou os investidores no contrapé ao divulgar que adquiriu uma fatia de quase 5% na Vale (VALE3). Especialistas avaliam como o contexto macro econômico favoreceu essas operações.
Safra compra banco Alfa por R$ 1 bi
O Banco Safra anunciou, na noite de quarta-feira (23) a compra da totalidade do banco Alfa, de propriedade da Administradora Fortaleza. O negócio foi fechado por R$ 1,03 bilhão e inclui a financeira da instituição, a seguradora e o braço de consórcios.
Bitcoin (BTC) e companhia vão quase ao fundo do poço
O mercado de criptoativos registraram menores preços em mais de dois anos no início da semana. Os investidores menos pessimistas acham que a atual sangria abre oportunidade para novos aportes ou aumento de posição. Mas todos que é preciso ter estômago forte para isso, porque a chance de novas quedas no curto prazo é alta.
Agenda da próxima semana
O resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro referente ao terceiro trimestre é o destaque da semana que vem. O dado sai na quinta-feira (1º). Os Itaú calcula que a economia cresceu 0,5% no período em relação ao segundo trimestre, quando a expansão foi de 1,2%.
Para o quarto trimestre, o banco projeta alta de 0,1%, na comparação com o terceiro. Considerando o primeiro e o segundo trimestres de 2022, o PIB do país acumula crescimento de 2,5%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A previsão do governo é que a economia cresça 2,7% neste ano, número mantido na última edição do Boletim Macrofiscal, divulgada no dia 18. Segundo o Ministério da Economia, o desempenho do emprego, do setor de serviços e da taxa de investimento justificaram a manutenção na ocasião.
Em 2021, o país registrou avanço de 4,6% no PIB, apagando as perdas da pandemia da Covid-19 e apresentando o melhor resultado desde 2010, quando a expansão foi de 7,5%.
Discurso de Powell
Lá fora, a agenda principal é o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que ocorre na quarta-feira (30). A fala do líder da autoridade monetária americana será feita pouco mais de uma semana após a divulgação da ata da reunião do Fed realizada no início deste mês.
O documento sinalizou que o ritmo de aumento dos juros será reduzido a partir do próximo encontro, em dezembro. No início deste mês, o Fed elevou o juro em 0,75 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Foi o quarto aumento consecutivo e sempre na mesma magnitude.