A inflação não se fez de rogada e mostrou a sua força, atingindo 1,06% em abril. A leitura foi a maior para o mês desde 1996, apesar de ter vindo abaixo dos 1,62% registrados em março. No acumulado de 12 meses, chegou a 12,13% – a maior alta de preços em quase 20 anos.
Além disso, o número de produtos contaminados pela inflação em abril também foi o maior em duas décadas. Esse patamar foi alcançado ainda sem considerar o aumento de 8,8% do diesel, anunciado na segunda-feira (9) pela Petrobras e que só deve aparecer nos dados referentes a maio.
O diesel é o combustível usado no transporte de cargas e nas indústrias, e quando aumenta de preço gera um efeito cascata em uma série de outros produtos.
André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV (Fundação Getulio Vargas), destaca que o processo inflacionário no Brasil é marcado pela persistência.
Em janeiro, a perspectiva era de que a inflação terminaria 2022 em 5%. Agora, esta previsão subiu para perto de 8%. Braz acha que irá ainda mais longe – a 8,3%.
Histórico da inflação em 12 meses e perspectivas do mercado

O descontrole da inflação também é visto nos Estados Unidos. Lá, a alta de preços desacelerou no mês passado, mas foi maior que a esperada pelo mercado e segue perto dos maiores níveis desde a década de 1980.
Tanto lá como cá, a consequência de aumentos de preço tão intensos é a elevação dos juros. No Brasil, a expectativa é que o ciclo de alta da taxa Selic se alongue mais um pouco.
Nos EUA, o mercado começou a desconfiar que o banco central pode ser forçado a ser mais agressivo, colocando os juros em níveis mais altos do que se previa anteriormente.
Veja os destaques do noticiário da Agência TradeMap na semana.
Queda forte
Especialistas em direito ouvidos pela Agência TradeMap afirmam que o Brasil está em uma espécie de “zona cinzenta” quando se trata de legislação, fiscalização e operação de corretoras de criptoativos que não possuem sede ou representante no território nacional. A criação da base legal para o mercado de ativos criptografados no país é o foco do projeto de lei 3.825, aprovado pelo Senado no fim do mês passado.
A facilidade de acesso às plataormas de negociação por meio do ambiente virtual esconde riscos que os investidores desconhecem, ou preferem ignorar, mas que podem causar grandes prejuízos. Essa tem sido a preocupação dos clientes da Coinbase, que reportou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) que os investidores poderiam perder todo o dinheiro em uma eventual quebra da empresa.
Na quinta-feira (12), o mercado de criptomoedas arrastou o Bitcoin (BTC) ao pior patamar desde o fim de 2020 com a perda momentânea do suporte de US$ 27 mil. O clima negativo foi reflexo da fuga de investidores de ativos de risco, intensificado no mundo digital pelo colapso da blockchain Terra. O ativo perdeu 80% de sua capitalização e foi rebaixado para a 41ª posição no ranking de criptos — até semana passada, estava entre as dez principais.
Elon Musk, CEO da Tesla, afirmou nesta sexta-feira que o acordo de compra do Twitter está suspenso temporariamente. A notícia fez as ações da plataforma derreterem no pré-mercado americano. Depois, os papéis passaram a recuar em torno de 8%. Em post publicado em seu perfil na própria rede social, o bilionário afirmou que aguarda mais detalhes a respeito da quantidade de contas falsas existentes no site.
Água fria
O novo surto de Covid-19 na China pôs em cheque o fim da escassez de semicondutores mundialmente. Empresas ligadas à cadeia do setor automotivo, como locadoras de veículos e fabricantes de autopeças, que dependem do material, acreditam que situação deve se normalizar no segundo semestre, mas há dúvidas.
Devido aos lockdowns impostos no país, o congestionamento gerado no Porto de Xangai, por onde passam parte dos semicondutores exportados pela China, um dos principais produtores dos equipamentos, limitam as exportações do produto.
Na rédea
O Itaú (ITUB4) manteve a inadimplência nas rédeas no primeiro trimestre deste ano e manteve a previsão para os resultados em 2022 – diferentemente do Bradesco, por exemplo, que precisou aumentar a expectativa de provisões contra perdas com empréstimos.
A carteira de crédito consolidada do Itaú cresceu 13,9% em 12 meses, para R$ 1,03 trilhão, e ainda assim o banco manteve índices de inadimplência menores que Bradesco e Santander no segmento de pessoas físicas.
Morte dá lucro?
O fundo imobiliário de cemitério Brazilian Graveyard And Death Care (CARE11) já subiu mais de 30% neste mês, desde a sua entrada no Ifix, índice da B3 que acompanha o desempenho de FIIs. O fundo é o primeiro listado em Bolsa com foco na consolidação do setor de cemitérios, jazigos e serviços funerários.
O mercado de serviços funerários no Brasil, estimado em R$ 7 bilhões pela Zion Invest -responsável pela gestão do fundo -, tem crescido à medida que o setor se profissionaliza e a demanda cresce com o envelhecimento da população.
Margem maior
A Sinqia (SQIA3), empresa de tecnologia que desenvolve softwares para instituições do setor financeiro, registrou margem Ebitda de 26,1% no primeiro trimestre, um avanço de 7,9 pontos percentuais em comparação com o mesmo trimestre de 2021. Com o resultado, a companhia mostrou que está no caminho para atingir o patamar das principais empresas do setor.
No médio prazo, segundo Thiago Rocha, CFO da empresa, Sinqia espera reduzir os custos e gerar maior receita por meio da unificação dos produtos oferecidos e de maior sinergia gerada pelas aquisições realizadas nos últimos cinco trimestres. Para este ano, a margem deve se manter estável.
Diversificação
Diante da onda de lockdowns na China devido à disseminação da Covid-19 e da ameaça de uma desaceleração econômica no país, qual a saída para os frigoríficos brasileiros, que têm o país como um dos principais clientes? A solução é a diversificação de compradores, segundo analistas ouvidos pela Agência TradeMap.
Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, os frigoríficos brasileiros ampliaram suas relações comerciais nos últimos anos, conseguindo novos compradores em outras partes do mundo, o que acaba amenizando as perdas com uma pausa nas importações chinesas.
Gol e Avianca
A Gol (GOLL4) fechou um acordo de combinação de negócios com a Avianca. O anúncio, realizado na quarta-feira (11), revela a criação de uma holding, nomeada de Grupo Abra, sediada em Londres, que controlará ambas as empresas aéreas e suas investidas.
Essa foi uma saída encontrada pela Gol para enfrentar os desafios atuais do setor, que continua com pressão de custos e despesas, principalmente os relacionados a combustível.
Agenda
Mais uma vez, na semana que vem, o Boletim Focus não será divulgado por causa da greve dos servidores do Banco Central. Na segunda-feira, a agenda conta apenas com a a Sondagem Industrial referente ao primeiro trimestre realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Na terça, além do IGP-10 (Índice Geral de Preços ao Mercado) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), será a vez de dados do mercado externo. A Eurostat informa o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro no primeiro trimestre.
Nos Estados Unidos, serão publicadas as vendas do varejo, e o Federal Reserve divulga a produção industrial, ambos os dados referentes a abril.
Na quinta-feira, a FGV publica a segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado) em maio. E também é dia das informações tualizadas de pedidos de auxílio desemprego nos EUA.
E na segunda, a temporada de balanço se encerra com várias divulgações de resultados. Entre elas, as das elétricas Eletrobras (ELET3), Taesa (TAEE11) e Equatorial (EQTL3), a do Banco Inter (BIDI11) e a do Magazine Luiza (MGLU3).