De nada adiantaram os sinais de enfraquecimento da inflação nos Estados Unidos. Depois de esperar a semana inteira, o mercado murchou nesta sexta-feira (26) ao ouvir o presidente do banco central do país, Jerome Powell, reforçar que é preciso controlar a alta de preços na economia americana – ainda que isso tenha efeitos negativos sobre a atividade econômica.
A fala do presidente do Federal Reserve na conferência anual de banqueiros centrais em Jackson Hole foi dura. Até então, parte do mercado achava que a instituição poderia aumentar os juros com menos intensidade caso a economia derrapasse. Powell, porém, foi claro ao dizer que, “sem estabilidade nos preços, a economia não funciona para ninguém”.
E não é que a inflação ainda esteja com a mesma força de antes. Há duas semanas, dados mostraram que o índice de preços ao consumidor dos EUA ficou estável em julho. Hoje, outro indicador de inflação – este mais acompanhado pelo Fed – veio abaixo do que o mercado previa.
Powell destacou que o resultado é “bem-vindo”, mas que um único mês de melhoria é pouco para que a autoridade monetária se sinta confiante de que a inflação começa de fato a desacelerar.
Por isso, segundo ele, o banco central americano vai aguardar dados mais consistentes sobre o arrefecimento da inflação para definir o ritmo de aumento de juros nos próximos meses.
Com o recado dado, as expectativas de alta da taxa básica na próxima reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Fed, diminuíram. Se antes a previsão majoritária era de avanço de 0,5o ponto porcentual, agora a perspectiva que prevalece é de aumento de 0,75 ponto percentual, para a faixa de 3,00% a 3,25% ao ano.
O discurso de Powell reforçou a queda das bolsas americanas, o que pressionou também os demais mercados mundiais. No Brasil, o Ibovespa, que abriu em alta no último pregão da semana, virou, fechando com recuo de 1,09%.
Veja as matérias de destaque da Agência TradeMap na semana
Sete empresas perdem o rali de alta da Bolsa
O horizonte menos contracionista da economia e ativos a preços convidativos fizeram com que a Bolsa retomasse a força nas últimas semanas. Um levantamento da Agência TradeMap mostra que só sete empresas do Ibovespa não subiram desde 14 de julho, considerando o fechamento da terça-feira (23). Uma delas foi o IRB Brasil (IRBR3).
Ex-Mastercard assumirá presidência da Cielo
Quase três semanas após a saída de Gustavo Sousa do cargo de diretor-presidente, a Cielo (CIEL3) informou, na terça-feira (23), que o posto será ocupado por Estanislau Bassols, atual presidente da Mastercard Brasil. A Cielo havia dito anteriormente que estava em busca de um nome de fora da empresa para a vaga.
Via pode ficar para trás
O aumento da concorrência no varejo brasileiro pode nocautear a Via (VIIA3), dona das Casas Bahia, Ponto e Extra. Empresas estrangeiras entraram no mercado de e-commerce e embolaram o jogo, antes protagonizado também por Magalu (MGLU3), Americanas (AMER3) e Mercado Livre (MELI34).
Cresce a disputa por investidores de criptos no Brasil
Nomes como BTG Pactual, Nubank e PicPay se juntaram a dezenas de outras exchanges – domésticas e internacionais – na disputa por investidores de criptoativos. A ampliação das opções tende a favorecer o mercado por estimular a competitividade, com possibilidade de custos cada vez mais acessíveis aos usuários.
Os destaques do segundo trimestre
Com o fim da temporada de balanços do segundo trimestre, os pontos de atenção levantados por especialistas antes do início da divulgação de resultados se confirmaram. Os destaques foram as margens das empresas, indicando a capacidade – ou não – de repassar a inflação de custos, e os resultados financeiros, diante da Selic elevada.
Lucro de empresas de capital aberto cai 44,5%
O lucro acumulado das empresas de capital aberto teve queda de 44,5% no segundo trimestre, na comparação anual, de R$ 66,4 bilhões para R$ 36,9 bilhões, mostrou levantamento feito pelo TradeMap. Os números desconsideram os resultados da Petrobras, Vale, Braskem e Suzano, cujos lucros foram históricos e poderiam distorcer a análise.
Juros e commodities incomodam menos o setor de construção
O setor de construção civil vê horizonte com juros e commodities incomodando menos. No segundo trimestre, as empresas sofreram com queda na margem bruta, em função do aumento dos custos de produção. Após período de vacas magras, as ações da área começam a esboçar uma reação, acompanhando a perspectiva do fim da alta da Selic.
Agenda da semana
O destaque da agenda semanal é o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro referente ao segundo trimestre deste ano, que será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na quinta-feira (1º). A expectativa é de um desempenho positivo, mas abaixo do registrado entre janeiro e março. O IBC-Br, divulgado pelo Banco Central e considerado uma prévia do resultado, mostrou elevação de 0,57% na atividade econômica de abril a junho.
Entre janeiro e março deste ano, a economia avançou 1%, menos que o esperado, mas já sendo puxada por serviços. No segundo trimestre, o setor deverá impulsionar o PIB mais uma vez. Em junho, a atividade teve alta de 0,7%, levemente acima das expectativas do mercado. Por outro lado, as perspectivas são de perda de ritmo da economia nesta segunda metade do ano, com o aumento de juros fazendo efeito na ponta e limitando a expansão econômica.
Apesar desse cenário, o Boletim Focus, apresentado na segunda-feira (22), mostrou que economistas e instituições financeiras elevaram a perspectiva de alta do PIB. Agora, perspé de alta de 2,2% neste ano, acima dos 2% previstos na semana passada.
Na semana que vem, também haverá o anúncio do patamar de desemprego no Brasil, assim como o da zona do euro e o dos Estados Unidos – todos relativos a julho. A taxa brasileira será divulgada na quarta-feira (31) pelo IBGE. O índice europeu sai na quinta, e o americano, na sexta (2). E ocorrerá ainda a publicação do CPI (índice de preços ao consumidor) da zona do euro referente a agosto.