IBC-Br de junho reforça PIB forte, mas 2º trimestre já mostra desaceleração da economia

Com o arrefecimento da pandemia, setor de serviços vem puxando o desempenho do indicador

Foto: Shutterstock

Indicador do Banco Central que tenta antecipar a atividade econômica, o IBC-Br de junho veio bem acima do esperado pelo mercado ao mostrar expansão de 0,69% na comparação com maio e de 3,09% em relação ao mesmo mês de 2021.

O desempenho fechou um segundo trimestre em que a atividade do setor de serviços surpreendeu para cima, na esteira da reabertura da economia, e reforçou as chances de um PIB (Produto Interno Bruto) robusto no segundo trimestre, com a ressalva que a atividade deve desacelerar nos próximos meses.

O estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno, lembra que apesar da surpresa positiva o avanço do IBC-Br no período entre abril e junho foi de 0,57%, abaixo dos 1,1% registrados no primeiro trimestre. Ou seja: a atividade já está desacelerando, em uma perda de fôlego que deve se manter no terceiro trimestre, a despeito da ampliação do Auxílio Brasil.

“A tendência é a economia continuar crescendo no terceiro trimestre, porém o ritmo de expansão continuará desacelerando. Para o quarto trimestre, estamos esperando uma contração moderada da economia”, afirmou.

Na avaliação do especialista, a atividade deve cair no final do ano como consequência do aumento na taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano, e da desaceleração da economia global por causa dos fortes aumentos nos juros. “Hoje os dados da China decepcionaram o mercado, aumentando preocupações com a recessão mundial”, ponderou.

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PIB de mais de 2%?

Para o economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos, o IBC-Br reforça a estimativa da casa que o PIB do segundo trimestre tenha crescido 1%. “Projetamos que a economia brasileira crescerá 2,2% em 2022. Atribuímos um viés de alta a esta projeção”, disse o especialista em relatório.

Dados do IBGE para o mês retrasado mostram que o melhor desempenho da economia vem sendo do setor de serviços, que impulsionado pela reabertura da economia avançou 0,7% em junho.

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Já as vendas do comércio varejista caíram 1,4% na comparação com maio – apesar da queda, o desempenho do varejo no primeiro semestre se manteve no azul, com alta acumulada de 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A produção industrial, após quatro meses de alta, recuou 0,4% em junho.

“O crescimento do setor de serviços mais do que compensou as quedas observadas nas vendas no varejo e no setor industrial em junho”, avaliou o economista João Savignon, da Kínitro Capital. “Seguimos com a nossa avaliação de que esse momento favorável do crescimento será desafiado ao longo dos próximos trimestres, por conta da desaceleração da economia global, do impacto do aperto monetário e da dissipação das medidas fiscais [como a ampliação do Auxílio Brasil].”

O que é o IBC-Br?

É um indicador que foi criado pelo Banco Central para medir a atividade econômica mensal do país, ajudando a instituição a determinar o rumo da política monetária. Tem uma metodologia diferente da usada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para apurar o PIB (Produto Interno Bruto).

O IBC-Br incorpora projeções para serviços, comércio, indústria e agropecuária, bem como o impacto dos impostos sobre os produtos.

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