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Mercado volta a acreditar no varejo e em fim da alta dos juros – veja o que marcou a semana

Mercado volta a acreditar no varejo e em fim da alta dos juros – veja o que marcou a semana

Olhar mais interessado para as ações do setor ganhou força por resultados do segundo trimestre acima do esperado; foi o caso da Lojas Renner

Imagem de loja de vestuário ao fundo com linhas brancas ligadas a pontos acima.

Foto: Shutterstock

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Gustavo Nicoletta

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Gustavo Nicoletta

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou na quarta-feira (3) que a taxa básica de juros, a Selic, pode subir de novo no mês que vem. Mas “pode” é diferente de “deve”, e o mercado já começou a sonhar com o fim do longo período de ajuste na política monetária, iniciado em março do ano passado.

Dados da B3 desta sexta-feira sugerem que o mercado vê 60% de chance de a Selic continuar em 13,75% ao ano em setembro, quando o Copom voltará a discutir a trajetória da taxa.

Se parar de subir, a tendência é que a Selic eventualmente comece a cair – algo que os agentes de mercado acham que acontecerá a partir de meados do ano que vem. Os investidores, no entanto, começaram a se preparar para este momento com bastante antecedência.

Na quinta-feira (4), dia seguinte ao anúncio da decisão do Copom, os preços das ações de várias das companhias ligadas à área de consumo e varejo – que mais sofreram durante a escalada dos juros – fecharam com altas de mais de 10% na Bolsa. No dia, o principal índice de ações da B3 fechou com alta superior a 2%, voltando aos 105 mil pontos.

Os resultados de algumas empresas relacionadas ao comércio também contribuíram para atrair investimentos às ações de varejo.

A Cielo (CIEL3), que ganha dinheiro essencialmente processando pagamentos de lojistas por meio das maquininhas de cartão, registrou o maior lucro líquido trimestral da companhia desde o fim de 2018, atingindo R$ 635 milhões, uma disparada de 252% na comparação anual.

A Lojas Renner (LREN3) foi outra que surpreendeu o mercado positivamente ao reportar aumento de 87% no lucro do segundo trimestre, para R$ 3,17 bilhões, na comparação anual.

Desempenhos como esses mostram que as companhias atuantes na área vêm acelerando o passo nos últimos meses e podem reforçar o caminho. A Renner, por exemplo, vê mais um trimestre forte, e dados de julho já indicaram isso.

Para o papel, agosto também começou bem. A Renner não só entrou no ranking das ações mais indicadas por corretoras, como ocupou a quinta posição do top 5.

Mas o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) avalia que a receita do setor deve crescer menos que a inflação nos próximos meses – ainda que tenha uma perspectiva mais favorável para a área no fim do ano.

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Veja os destaques da Agência TradeMap na semana.

Mercado aposta na privatização da Copasa

A Copasa (CSMG3), de Minas Gerais, é vista por especialistas como a empresa com maior chance de ser privatizada depois que a turbulência das eleições ficar para trás. A despeito do risco regulatório se manter como um ponto de atenção para o setor, analistas veem um cenário mais positivo com a melhora dos níveis dos reservatórios.

Cautela com o Tesouro Direto

As taxas pagas pelos títulos do Tesouro Direto ao longo de julho dispararam para patamares inéditos ou vistos apenas em graves momentos de crise política. Prêmios chegaram a ultrapassar os 13% no caso dos papéis prefixados e os de 6,2% nos títulos indexados à inflação Diante desse contexto, especialistas sugerem cautela.

O trio que perde rentabilidade

As três empresas do Ibovespa que mais perdem rentabilidade é formado por Usiminas (USIM5), Braskem (BRKM5) e BRF (BRFS3). O alto preço das commodities e o baixo poder de consumo desequilibraram as vendas e os custos das companhias, derrubando a lucratividade.

Fundos imobiliários de tijolos voltam às recomendações

Os fundos imobiliários de tijolos voltaram a ganhar destaque nas carteiras recomendadas das corretoras para agosto. Com preços ainda descontados na Bolsa em relação aos FIIs de papel, analistas veem oportunidade interessante de retorno nessas carteiras, principalmente em setores como shopping centers e escritórios.

Caso Banestes se repete

Depois de os cotistas do Banestes Recebíveis Imobiliários (BCRI11), detentores de 6,88% do fundo, solicitarem a convocação de uma assembleia geral extraordinária, no início de junho, para trocar a gestão e a administração do portfólio pela Suno, agora é a vez dos investidores do fundo RB Capital Office Income (RBCO11).

Rentabilidade em alta

A Gerdau (GGBR4) segurou a rentabilidade e ampliou as vendas no segundo trimestre. O resultado foi suportado pelos setores de distribuição e construção civil no mercado americano. No Brasil, veio também da área imobiliária e da indústria. Mas fatores externos podem não garantir que setores continuem puxando a operação da companhia.

Vamos quer crescer 200% em 3 anos

A Vamos (VAMO3) conseguiu gerar valor, ao contrário da maior parte das empresas que chegaram à Bolsa nos últimos três anos. As ações da companhia têm mais de 70% de valorização das ações desde o IPO (oferta pública inicial de ações), feito em janeiro de 2021. A empresa quer sair de uma frota de 33.940 ativos para 100 mil até 2025.

Fim da sangria em cripto

Após perder mais da metade da capitalização em meio ao “inverno cripto” no primeiro semestre de 2022, os ativos digitais reagiram em julho e voltaram a superar US$ 1 trilhão em valor de mercado. O pânico provocado pela quebra de grandes plataformas diminuiu, e o cenário macroeconômico mundial também ficou um pouco mais favorável.

Agenda

Na terça-feira (9), será o dia em que o Copom apresentará ata da reunião realizada na última quarta, em que decidiu elevar a Selic em 0,50 ponto percentual. As atenções estarão voltadas à sinalização de maior ou menor possibilidade de alta de 0,25 p.p. no encontro em setembro, o que pode dar mais clareza sobre o fim do ciclo de aperto monetário.

A chance de nova alta do juro existe, tanto que foi apresentada pelo colegiado, mas a expectativa de deflação em julho pode reforçar a ideia de que a expansão da Selic está mesmo chegando ao fim.

O comportamento dos preços no mês passado será informado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também na terça-feira. Até junho, a inflação acumulada é de 11,89% em 12 meses.

Mas a redução do ICMS pelo governo federal e também da gasolina é o principal motivo para a espera de uma queda do índice no período, na comparação com junho.

Nos Estados Unidos, a quarta-feira (10) será reservada para o anúncio do CPI (índice de preços ao consumidor)  referente a julho. Depois da divulgação do payroll – relatório relativo ao mercado de trabalho americano -, que apontou a criação de duas vezes mais empregos do que o mercado previa, veio à tona o receio de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, promova nova alta da taxa básica.

A preocupação é que mais um aperto na política monetária americana para segurar a inflação possa frear ainda mais a economia, que já conta com dois trimestres de recuo seguidos, o primeiro e o segundo deste ano.

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