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Reagindo ao Copom, Ibovespa fecha acima dos 105 mil pontos com varejo na liderança

Reagindo ao Copom, Ibovespa fecha acima dos 105 mil pontos com varejo na liderança

Principal índice da Bolsa brasileira encerrou a sessão em alta de 2,04%, com R$ 23,4 bilhões em volume negociado

Gráfico com imagem desfocada com altas e baixas

Foto: Shutterstock

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Gabriel Bosa

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Gabriel Bosa

Em reação à divulgação do comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) na noite de ontem, que sinalizou o fim do ciclo de alta da taxa de juros, o Ibovespa teve forte alta e recuperou o patamar de 105 mil pontos no pregão desta quinta-feira (4), alcançado pela última vez em 10 de junho.

O principal índice da Bolsa brasileira encerrou a sessão com valorização de 2,04%, aos 105.892 pontos, com R$ 23,4 bilhões em volume negociado. Com mais esse avanço, o saldo do Ibovespa no mês de agosto passou para alta de 2,64%, enquanto o balanço de 2022 passou a ser de ganho de 1,02%.

No exterior, por sua vez, o dia foi misto, dividido entre os bons resultados corporativos e os temores envolvendo recessão e inflação. Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,56% e o S&P 500 recuou 0,08%, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,41%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com ganhos de 0,59%.

Copom e varejo

Nesta quarta-feira (3), o Copom subiu os juros em 0,50 ponto, a 13,75% ao ano, sinalizando a possibilidade de uma alta menor da taxa básica no próximo encontro, em setembro.

Apesar de o colegiado ter deixado a porta aberta para seguir com o aumento da Selic, a forma pouco assertiva como o BC comunicou a possibilidade de mais um aperto (no texto que acompanha a decisão, o comitê afirmou apenas que “irá avaliar” um ajuste adicional) fez parte do mercado acreditar que o BC, de fato, não pretende levar a taxa a 14%.

“Antes do comunicado eu tinha a impressão de que o Copom poderia estender o ciclo além de setembro, subindo juros também em outubro”, afirma Luis Menon, economista da Garde Asset Management. “Mas a comunicação deixou claro que o BC antevê a necessidade de no máximo um ajuste residual. Não deixou a porta nem aberta, deixou entreaberta.”

“Nos outros comunicados, o Copom falava que antevia novos ajustes. Agora, indicou que vai avaliar. É uma comunicação diferente”, diz Menon.

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Como resultado, os juros passaram o dia em forte queda, impulsionando as ações de varejo, tecnologia e construção civil. “Essa sinalização da alta de juros se arrefecendo é bem positivo de um modo geral para o setor varejista e para as outras empresas de maior sensibilidade aos juros”, afirma a analista Angelica Marufuji, sócia da gestora Meraki Capital, à Agência TradeMap.

O avanço das ações ligadas ao consumo, porém, pode não estar ligado somente ao cenário de juros. O analista Wagner Varejão, sócio da Valor Investimentos, lembra que os papéis estão “extremamente baratos” e que boa parte do mercado já esperava o que foi sinalizado pelo BC. “Em algum momento essas ações ‘têm que andar”, diz.

De qualquer forma, as ações que mais subiram no pregão, entre aquelas listadas no Ibovespa, foram as de Méliuz (CASH3), Gol (GOLL4) e Magazine Luiza (MGLU3), com avanços de 15,04%, 14,81% e 13,99%, respectivamente.

Segundo dados divulgados pela Gol, a companhia continuou aumentando o número de voos e de passageiros transportados em julho, mas viu as taxas de ocupação caírem pelo quarto mês consecutivo na comparação anual.

As decolagens cresceram 44,7% em relação a julho do ano passado, a oferta de assentos subiu 42,6% e a demanda avançou 36,3%. A taxa de ocupação, no entanto, foi de 80,8% – 84,5% menor do que a registrada em julho de 2021.

Maiores quedas do pregão

Na outra ponta, os papéis que mais caíram foram os de BRF (BRFS3), Prio (PRIO3) e Minerva (BEEF3), com recuos de 2%, 1,73% e 1,63%, nesta ordem.

A PRIO (PRIO3) apresentou resultados expressivos no segundo trimestre do ano, com lucro líquido de US$ 139,936 milhões, uma alta de 112%. O valor ficou um pouco abaixo da estimativa do BofA (Bank of America), que esperava US$ 143 milhões.

A queda no preço do petróleo, no entanto, falou mais alto do que o balanço da companhia. O Brent fechou em baixa de 2,75%, a US$ 94,12 por barril, derrubando também as ações da 3R Petroleum (RRRP3), que recuaram 0,18%.

Por outro lado, a Petrobras conseguiu se manter no verde. Suas ações preferenciais (PETR4) tiveram alta de 0,97%, enquanto as ordinárias (PETR3) subiram 1,54%.

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A estatal anunciou uma nova queda no preço do combustível, desta vez do diesel vendido às distribuidoras, que passará de R$ 5,61 para R$ 5,41, uma redução de R$ 0,20 por litro, ou uma queda de 3,56%. A medida vale a partir desta sexta-feira (5). Anteriormente, a estatal havia anunciado duas quedas no preço da gasolina no fim de julho.

A Braskem (BRKM5), por sua vez, caiu 1,53%, depois de avisar que seus resultados nos próximos trimestres serão prejudicados pela decisão do governo de baixar as tarifas de importação aplicadas a alguns produtos vendidos pela companhia.

O governo federal reduziu as alíquotas de três produtos vendidos pela Braskem no Brasil, sob o argumento de que há problemas no mercado brasileiro para a obtenção destes produtos. As alíquotas menores valerão a partir de sexta-feira (5) por um período de um ano.

Criptomoedas

O mercado de criptoativos voltou a operar no campo negativo nesta quinta-feira, dando extensão ao período de correção após a forte recuperação em julho e acompanhando o cenário misto das principais Bolsas globais.

O Bitcoin (BTC) registrou queda em todos os dias de agosto, somando desvalorização de 6% desde o início do mês, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

Por volta de 16h55, a maior cripto do mercado operava em queda de 1,5%, negociada a US$ 22.544.

Seguindo a mesma direção, o Ethereum (ETH) registrava perda de 3,9%, vendido a US$ 1.594.

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