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Até quando os resultados da Gerdau (GGBR4) poderão ser sustentados pela construção civil?

Até quando os resultados da Gerdau (GGBR4) poderão ser sustentados pela construção civil?

Companhia registrou margem Ebitda de 29,1% no segundo trimestre, 0,4 ponto percentual (p.p.) acima da apresentada no período imediatamente anterior

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Em meio a um cenário macroeconômico conturbado com lockdowns feitos na China e juros e inflação elevados, a Gerdau (GGBR4) demonstrou resiliência ao segurar os níveis de rentabilidade e ampliar o volume de vendas no segundo trimestre.

De acordo com a empresa, o resultado foi suportado pelos setores de distribuição e construção civil no mercado americano. No Brasil, o impulso veio também do mercado imobiliário e da indústria, especialmente dos segmentos de máquinas e equipamentos agrícolas e de energia.

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Embora pressionada por maiores preços das commodities, a empresa registrou uma margem Ebitda de 29,1%, 0,4 ponto percentual (p.p.) superior ao trimestre imediatamente anterior – mas, na comparação com igual período de 2021, houve queda de 1,7 p.p.

A Gerdau foi beneficiada, indiretamente, pelas novas medidas do governo federal para reanimar o programa habitacional Casa Verde e Amarela (CVA), uma vez que o setor de construção civil desacelerou o volume de lançamentos no primeiro trimestre.

As medidas começaram a valer no dia 1º de junho, reaquecendo esse mercado, além de criar melhores expectativas para o volume de vendas de imóveis no ano. Como consequência, houve um aumento na demanda por aço, o que gera maiores volumes de vendas e preços.

Com isso, o volume de vendas de aço da companhia avançou 6,2% na comparação com o primeiro trimestre, para R$ 3,2 bilhões, enquanto em relação ao mesmo período de 2021, houve leve alta de 0,9%.

Apesar da elevação da taxa básica de juros no Brasil, que tende a reduzir o volume de vendas do setor de construção civil, o mercado doméstico continuou crescendo no segundo trimestre. Como resultado, o volume de vendas no país foi de R$ 1,5 bilhão, uma expansão de 10,5%, se comparada ao trimestre imediatamente anterior. Em 12 meses, a avanço foi de 3,6%.

O que esperar?

Embora a Câmara Brasileira da Industria da Construção (Cbic) tenha elevado a projeção de crescimento da construção civil para 3,5% no ano, outras variáveis podem reverter este cenário.

As incertezas sobre a melhora no cenário macroeconômico pairam no ar e preocupam o setor. A conjuntura traz desafios como possíveis lockdowns na China, alto preço dos insumos, iminente recessão global e, para piorar, especulações sobre uma eventual guerra entre China e Taiwan.

Todos esses cenários impactam negativamente o preço do aço, o que pode pressionar para baixo as margens da empresa para o segundo trimestre, mesmo que ainda sejam apenas expectativas.

Com a possibilidade de a China fechar novamente as atividades, o preço do aço tende a cair, uma vez que o país é um dos principais consumidores da commodity. Além disso, o acúmulo do produto no mercado chinês pode aumentar a oferta, enquanto a paralisação industrial reduz a demanda, reforçando a desvalorização.

Outro ponto é a especulação sobre uma possível guerra em Taiwan, que pode reduzir drasticamente o volume de vendas do setor automotivo, uma vez que o país é o maior produtor de chips semicondutores.

A Gerdau, portanto, poderia ser afetada indiretamente com menores volumes de venda devido à queda de produção do setor automobilístico.

Enquanto isso, a tendência no aumento dos preços do carvão deve elevar os custos de produção, que, por sua vez, pode refletir nos resultados, como a redução na rentabilidade.

Por outro lado, a queda nos preços do minério de ferro durante o ano, principal insumo para produção de aço, pode beneficiar futuramente a empresa – embora o preço da commodity também tenha sofrido quedas, o do minério de ferro caiu em proporção maior.

O aço se desvalorizou 12,8% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre, o minério de ferro teve queda de 24,5%. No ano de 2022, o primeiro acumula queda de 2,4%, e o segundo, 4,6%, até julho.

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Dessa forma, a Gerdau pode ser beneficiada no futuro por maiores spreads (diferença entre preços praticados) do aço em relação ao minério de ferro. Mas isso depende dos preços do momento de aquisição da matéria prima e de quando aço é vendido pela companhia. Segundo a empresa, houve aumento de 6% no custo do minério de ferro no período, em relação ao primeiro trimestre.

Indicadores melhores

A relação entre o preço da ação da companhia e o lucro, de 2,3 vezes, da Gerdau está no patamar mais baixo na média dos últimos três anos de 15,2 vezes, de acordo com dados apresentados na plataforma TradeMap.

A empresa registrou um lucro líquido de R$ 4,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que representou um avanço de 9,25% em relação a igual período anterior.

O lucro líquido ajustado somou R$ 4,3 bilhões, 27,6% acima do atingido no segundo trimestre do ano passado.

Este indicador mostra o quanto o mercado está disposto a pagar pelo lucro que a empresa gera. Quando está abaixo da média, pode ser um sinal de que a empresa está barata, uma vez que os lucros cresceram proporcionalmente mais que os preços.

Outro indicador que vale mencionar é o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) que está no patamar de 34,5% frente a uma média de 19% nos últimos três anos.

O dado tem por objetivo mostrar capacidade da empresa de gerar valor para o acionista por meio dos próprios recursos, ou seja, excluindo capital de terceiros. Portanto, o montante acima da média mostra maior eficiência quanto à alocação das verbas, levando à criação de maior valor para o acionista.

Por fim, a dívida líquida por Ebitda, que indica a alavancagem de uma companhia, também mostrou melhor desempenho no intervalo de abril a junho. A Gerdau registrou uma alavancagem de 0,18 vez frente è de 0,65 vez do segundo trimestre de 2021. Além disso, o indicador está bem abaixo da média de três anos, que é de 1,36 vez.

A dívida líquida versus Ebitda mostra a capacidade da empresa em honrar as dívidas por meio da geração de caixa. Quanto menor for este indicador menor o risco de insolvência futura da companhia.

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