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Ibovespa engata quarta baixa seguida; Natura (NTCO3) despenca mais de 15%

Ibovespa engata quarta baixa seguida; Natura (NTCO3) despenca mais de 15%

Índice fechou com recuo de 0,62%, aos 114.343 pontos

Natura Divulgacao

Foto: Divulgação

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Pressionado pelas ações da Vale (VALE3) e por outros papéis ligados a commodities, o Ibovespa engatou sua quarta baixa seguida e caiu 0,62% no pregão desta quarta-feira (20), o último antes do feriado de Tiradentes, fechando aos 114.343 pontos.

Com isso, o saldo do mês caiu ainda mais, para baixa de 4,71%. Desde o início do ano, o índice acumula alta de 9,08%.

Em dia pré-feriado, a sessão foi marcada por baixa liquidez e aversão ao risco global, negociando R$ 20,66 bilhões em volume. “Por ser véspera de feriado, naturalmente já poderíamos presumir um certo tom de aversão ao risco por parte dos investidores”, explica Matheus Spiess, analista da Empiricus.

O dia foi de baixa generalizada para as ações ligadas a commodities, com destaque para a Usiminas (USIM5), que teve recuo de 6,34%, na terceira posição entre as maiores baixas do Ibovespa. A grande responsável por derrubar o índice, porém, foi a Vale, que caiu 2,6% e tem peso de cerca de 15% no Ibovespa.

Os papéis seguem a performance do minério de ferro, que tem caído nos últimos dias, refletindo os lockdowns na China e os cortes nas projeções de crescimento econômico ao redor do mundo, o que cria temores em torno da demanda por matéria prima, de acordo com Spiess.

minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve queda de 1,75%, a 898,00 iuanes, o equivalente a US$ 140,04.

Além da tendência global, a Vale sentia o peso de seu relatório de produção, que não agradou o mercado, e a Usiminas, que repercutia o balanço do primeiro trimestre.

A Vale fechou o trimestre com produção de minério de ferro de 63,9 milhões de toneladas, queda de 6% na comparação com os mesmos três meses do ano passado.

Já a Usiminas reportou lucro líquido de R$ 1,26 bilhão no primeiro trimestre deste ano, avanço de 5% em relação aos primeiros três meses do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, porém, houve redução de 49%.

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A receita líquida da companhia chegou a R$ 7,8 bilhões, um crescimento de 11% em relação aos R$ 7 bilhões anotados no mesmo período de 2021. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o montante teve queda de 12,7%.

Segundo a mineradora, um dos fatores para a redução da receita em relação ao trimestre imediatamente anterior foi a depreciação do dólar. A companhia destacou também o menor volume vendido entre janeiro e março.

O grande destaque de baixa do Ibovespa, porém, foi a Natura, que despencou 15,58%. A desvalorização acentuada dos papéis começou ao longo da tarde, em meio a rumores de vazamento do balanço da companhia do primeiro trimestre, que não teria agradado o mercado.

Além das commodities, os temores inflacionários também pesaram sobre o Ibovespa, sobretudo depois da divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), que subiu 1,85% na segunda prévia de abril. No mesmo período do mês passado, o avanço havia sido de 0,9%. Em 12 meses, o indicador já mostra um aumento de 15,16%.

A disparada dos preços reforça a pressão para que o Banco Central (BC) eleve os juros mais do que o previsto anteriormente. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já afirmou que a autoridade monetária está reavaliando o cenário para a inflação, o que reduziu a possibilidade de o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) encerrar a alta de juros na reunião de maio, colocando a taxa em 12,75% ao ano.

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Essa percepção de alta nas taxas está por trás da queda de 6,1% nas ações do Banco Inter (BIDI11), explica Spiess, que opera também em movimento de correção depois das fortes altas nos últimos dois dias. A escalada recente da ação reflete a nova proposta de reestruturação societária do banco para listar suas ações em Nova York.

Destaques de alta

No fechamento, as maiores altas do Ibovespa eram de Rumo (RAIL3), Eletrobras (ELET6) e PetroRio (PRIO3), com ganhos de 4,61%, 4,6% e 4,22%, respectivamente.

Aconteceu nesta quarta-feira a sessão de julgamento da privatização da Eletrobras no TCU (Tribunal de Contas da União). Conforme antecipado pela rede de televisão CNN, o ministro do TCU, Vital do Rego Filho, pediu vista de 60 dias do processo, o que travaria a privatização da companhia.

Agora, as expectativas giram em torno das negociações entre os ministros – caso o pedido de vista seja encurtado para sete dias, ainda haveria tempo hábil para finalizar o processo dentro do cronograma estipulado pelo governo, que pretendia aproveitar a janela de maio da B3 para realizar a oferta de ações no mercado.

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As próximas janelas serão em agosto e outubro. Mas, por se tratar de uma estatal, analistas do mercado consideram improvável que o governo consiga avançar com o processo em meses que compreendem o período eleitoral. A capitalização, portanto, se não acontecer em maio, ficaria para o próximo ano e dependeria, é claro, da vontade política de quem estiver sentado na cadeira de presidente da República.

Enquanto isso, em Brasília…

Depois de se reunirem com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, os funcionários do órgão resolveram suspender sua greve até o dia 2 de maio, mas manter a paralisação todos os dias entre as 14h e as 18h.

Com a suspensão da greve, as atividades rotineiras do BC, como a divulgação de estatísticas e de relatórios, serão normalizadas gradualmente. No entanto, os projetos da Agenda BC#, que prevê a modernização do sistema financeiro, continuam parados até que a pauta de reivindicações dos servidores seja atendida.

A assessoria de imprensa do BC informou que a divulgação de relatórios será retomada “o mais rápido possível”, mas não especificou datas para a apresentação dos documentos. Em relação à assembleia dos servidores, o BC ressaltou que não comentará a suspensão da greve.

Com isso, o mercado segue atento a como se dará a decisão do Copom, uma vez que dados fundamentais para a tomada de decisão não vêm sendo divulgados recentemente, em consequência da greve.

Desde o início da paralisação, a apresentação de documentos rotineiros foi paralisada, como o boletim Focus (pesquisa semanal do BC com instituições financeiras), o relatório de poupança e o fluxo cambial de março, além das estatísticas do setor externo em fevereiro.

Mercados externos

Nos Estados Unidos, os índices fecharam mistos – enquanto o Dow Jones subiu 0,71, o Nasdaq e o S&P 500 recuaram 1,22% e 0,06%, respectivamente, pressionados pelas ações da Netflix, que despencaram 35,12% após a divulgação do balanço do primeiro trimestre, que frustrou o mercado. Os BDRs da plataforma de streaming, listados na B3, caíram 24,27%.

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Na Europa, as bolsas operaram em alta, apesar da inflação ao produtor acima do esperado na Alemanha, refletindo alguns balanços positivos, como de Heineken e Danone. O índice Euro Stoxx 50 subiu 1,72%.

O mercado segue monitorando os acontecimentos no leste europeu e avaliando as previsões do FMI, que cortou suas expectativas de crescimento global para 2022 e 2023, devido a impactos da guerra na Ucrânia.

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