A empresa que abre a temporada de balanços referente ao primeiro trimestre deste ano no Brasil, a Usiminas (USIM5), reportou, nesta quarta-feira, números maiores que os registrados em igual período de 2021. A companhia obteve lucro líquido de R$ 1,26 bilhão no intervalo de janeiro a março, um avanço de 5% em relação aos primeiros três meses do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve redução de 49%.
Já receita líquida do primeiro trimestre deste ano chegou a R$ 7,8 bilhões, um crescimento de 11% em relação aos R$ 7 bilhões anotados no mesmo período em 2021. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o montante teve queda de 12,7%.
Segundo a mineradora, um dos fatores para a redução da receita em relação ao trimestre imediatamente anterior foi a depreciação do dólar. A companhia destacou também o menor volume vendido entre janeiro e março.
“Esses fatores foram parcialmente compensados por uma elevação no preço de referência do minério de ferro de 29,2% em relação ao trimestre anterior e redução nos descontos aplicados no mercado internacional”, afirmou a companhia.
Apesar disso, o número supera a expectativa prévia do J.P. Morgan, que vislumbrava que a receita líquida da Usiminas chegasse a R$ 7,56 bilhões no primeiro trimestre deste ano.
O banco nova-iorquino, além de ter recomendação de compra para os papéis da empresa, estava otimista com os resultados deste trimestre. “Nossa visão positiva sobre a Usiminas é baseada em potenciais ventos favoráveis nos preços do aço devido aos cortes de produção e menores exportações da China. A avaliação também parece atraente em relação aos pares e níveis históricos”, comentou o J.P. Morgan em relatório publicado antes do balanço.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado alcançou R$1,55 bilhão nos três primeiros meses deste ano, o que corresponde a uma queda de cerca de 46% em relação ao primeiro trimestre de 2021.
O número veio em linha com a expectativa do J.P. Morgan, que esperava que a mineradora apresentasse um Ebitda de R$ 1,6 bilhão.

Produção e vendas
Em relação ao minério, o volume de produção foi de 1,7 milhão de toneladas, uma redução de 29,6% em comparação ao quarto trimestre de 2021, que foi de 2,5 milhões de toneladas.
A empresa informou que a queda se deu pelo impacto de maiores chuvas no período para a região Sudeste, o que levou a uma paralisação operacional no estado de Minas Gerais.

O volume de vendas do produto chegou a 1,6 milhão de toneladas no período, resultado 17% menor que o do primeiro trimestre de 2021 e 38,1% abaixo das 2,6 milhões de toneladas registradas nos últimos três meses do ano passado.
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Em relação ao aço, a Usiminas vendeu 1,13 milhões toneladas de aço no período, uma queda de 10% em relação ao primeiro trimestre de 2021 e um avanço de 6,6% no comparativo com o último trimestre do ano passado.
O número veio em linha com a expectativa do BB Investimentos. Em relatório publicado em meados de fevereiro, a instituição acreditava que as vendas do produto ficariam num patamar de 1,1 a 1,2 milhões de toneladas.
No mercado interno, as vendas foram de 867 mil toneladas e as exportações, de 267 mil toneladas. O volume de vendas foi 76% destinado ao mercado interno e 24%, às exportações (ante 74% e 26 %, respectivamente, no quarto trimestre de 2021).

A produção de aço bruto na usina de Ipatinga foi de 677 mil toneladas no primeiro trimestre, montante 13% inferior ao anotado no igual período em 2021 e 6,4% menor em relação ao quarto trimestre.
A de aço laminado, produzido nas usinas de Ipatinga e Cubatão, chegou a 1.091 mil toneladas no primeiro trimestre, uma redução de 33% no comparativo anual e de 6,4% na comparação direta com o último trimestre do ano passado.
Despesas e custos
Em relação ao braço minerador da companhia, as despesas com vendas chegaram a R$ 70 milhões no primeiro trimestre, uma redução de 3,9% em relação ao trimestre anterior, e as despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 10 milhões, inferior em 26,5% contra o trimestre anterior.
A Usiminas atribui a queda à redução nas despesas com pessoal e encargos sociais, que a empresa considera “tipicamente maior no final do ano”.
Já em relação à produção de aço, as despesas com vendas totalizaram R$89 milhões no período, um resultado 39,8% superior ao quarto trimestre do ano passado devido a maiores despesas de exportação. As despesas gerais e administrativas totalizaram R$108 milhões de janeiro a março deste ano, 21,1% inferior ao quarto trimestre.
O custo para produção de aço foi de R$ 4.425 por tonelada no primeiro trimestre, sendo 5,1% superior em relação ao quarto trimestre, R$ 4.208 quando somou por tonelada.
A Usiminas atribuiu esse aumento pelos custos maiores com carvão, coque e energia e combustíveis. O BB Investimentos já previa esse impacto, e afirmou que os “custos irão continuar elevados, já que os preços de carvão aceleraram no trimestre anterior”.
Projeções para o próximo trimestre
Para o segundo trimestre de 2022, a Usiminas vislumbra que o volume de vendas de aço pela unidade de siderurgia chegue de 950 a 1050 milhares de toneladas.
Caso isso se confirme, seria um número levemente menor em relação as 1,13 mil toneladas de aço vendidas no primeiro trimestre do ano. Além disso, a mineradora informou que a expectativa de conclusão das obras para reparo do Alto-Forno nº 2 da Usina de Ipatinga foi alterada para junho de deste ano.