Embora o cenário econômico mundial não seja favorável para o custo de matérias primas, que sofreu grande volatilidade com a guerra entre Rússia e Ucrânia, a Usiminas (USIM5) afirmou que o guidance de vendas para o ano de 2022 está mantido.
No entanto, durante teleconferência de resultados, a empresa disse que o preço das placas usadas nos altos-fornos ainda deve prejudicar os números do segundo trimestre do ano.
Para Miguel Homes, vice-presidente comercial da Usiminas, a expectativa é de redução no volume produzido de aço e minério para os próximos meses, diante da queda nas exportações. No entanto, o executivo ressaltou que a companhia vai “acompanhar a expectativa de melhora sequencial do mercado interno”.
No longo prazo, porém, a situação deve se estabilizar, uma vez que já há sinais de “normalização do mercado de placas a nível mundial”.
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Para 2022, a empresa projeta que o volume de vendas de minério de ferro fique entre 8,5 e 9,0 milhões de toneladas, um resultado próximo, mas inferior ao de 2021, que foi de pouco mais de 9 milhões de toneladas.
No quesito investimentos, a Usiminas espera desembolsar R$ 2 bilhões em 2022, com a maior parte dos recursos destinada à área de siderurgia.

Parada do alto forno 3 não deve ser afetada pela alta do aço
A parada do alto forno 3 Ipatinga, localizada em Minas Gerais, programada para junho de 2023, não deve ser afetada pela volatilidade no preço do aço.
Isso porque, apesar de a Usiminas precisar formar um estoque para compensar a falta de utilização de uma de suas instalações, essa formação será feita apenas no final deste ano e no início do próximo ano, por questões de logística.
A Usiminas projeta fazer um estoque de placas entre 600 a 700 mil toneladas para ser utilizadas durante o período de parada programada, que deve demandar 110 dias.
Apesar disso, os custos devem aumentar já que a companhia não conseguirá produzir as placas necessárias sozinha, demandando compra de terceiros. Para Homes, o volume a ser comprado ainda vai depender de algumas variáveis, entre elas do nível de atividade do mercado interno e de estoque composto até a parada.
Custos altos pelo mundo devem ser diluídos na Usiminas
A Usiminas não sofreu no primeiro trimestre do ano os impactados de elevação dos custos causados pela guerra na Ucrânia, que mexeu com toda a cadeia de suprimentos, por ainda estar consumindo um estoque formado e comprado antes do conflito, portanto, a um preço mais baixo.
Segundo o vice-presidente de finanças da companhia, Alberto Ono, a crescente nos preços de matérias primas pelo mundo deve ser contrabalançada pelo estoque comprado antes do conflito.
No primeiro trimestre, a Usiminas obteve um lucro líquido de R$ 1,26 bilhão, um avanço de 5% em relação aos primeiros três meses do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve redução de 49%.
Já receita líquida do primeiro trimestre deste ano chegou a R$ 7,8 bilhões, um crescimento de 11% em relação aos R$ 7 bilhões anotados no mesmo período em 2021. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o montante teve queda de 12,7%.
Segundo a mineradora, um dos fatores para a redução da receita em relação ao trimestre imediatamente anterior foi a depreciação do dólar.