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Juros dão choque de realidade nos mercados – veja o que marcou a semana

Juros dão choque de realidade nos mercados – veja o que marcou a semana

Ibovespa foi aos 105 mil pontos na quinta-feira, ficando só com 0,46% de saldo positivo em 2022 e uma perspectiva a ser recuperada

Redemoinho, turbulência, caos

Foto: Shutterstock

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Depois de muito vai e vem na quarta-feira (4), o mercado financeiro mundial fechou em alta, com um sentimento de alívio. Os juros nos Estados Unidos aumentaram, conforme era amplamente esperado, mas o presidente do banco central do país, Jerome Powell, afastou a possibilidade de as taxas subirem mais rapidamente nos próximos meses.

Mais tarde, o Banco Central brasileiro também fez um anúncio dentro do esperado pelo mercado, alinhando-se às expectativas dos investidores ao aumentar os juros por aqui e indicar que ainda não acabou de ajustar a política monetária.

Eis que chegou a quinta-feira e os investidores resolveram ver o copo meio vazio, em vez de meio cheio. Por aqui, pesou o fato de o Banco Central reconhecer que há uma forte pressão para que os preços continuem aumentando (o que pode significar juros subindo por mais tempo).

No exterior, surgiu a dúvida: até que ponto o banco central americano conseguiria ir no combate à inflação com uma política menos rigorosa?

Como resultado, o Ibovespa fechou a quinta-feira em queda de 2,81%, indo ao patamar dos 105 mil pontos. Restou apenas 0,46% de saldo positivo em 2022, além de uma perspectiva para ser recuperada.

Mas não foram só os anúncios sobre as taxas básicas que mexeram com o mercado. Os balanços do primeiro trimestre ocuparam o seu espaço.

A Petrobras foi o destaque positivo, lucrando de mais de R$ 43 bilhões no período – mas voltou a ser alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro, diante da resistência da companhia a alterar sua política de preços.

No lado negativo, a BRF teve um prejuízo bilionário e desperdiçou a oportunidade de melhorar sua estrutura de capital, enquanto a XP teve um início de ano menos brilhante que o esperado pelo mercado e foi duramente castigada pelos investidores.

Para fechar a semana e mostrar que a concorrência segue firme no varejo, a chilena Cencosud lançou-se no mercado de São Paulo por meio da aquisição da empresa de atacarejo Giga. A operação, de R$ 500 milhões, ainda precisa ser aprovada pelo Cade (Conselho de Administrativo de Defesa Econômica).

Veja os destaques do noticiário da Agência TradeMap na semana.

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Petz é mais

A Petz (PETZ3) é small cap mais recomendada por analistas para maio. Desde o início do ano, o índice Small Caps soma desvalorização de 2%. É neste cenário que uma série de instituições financeiras defende a aposta nestas empresas.

As estratégias dos analistas para se posicionar em small caps são parecidas com as aplicadas ao investimento em ações de companhias maiores: redução da aposta em empresas ligadas a commodities e aumento da exposição àquelas voltadas para a economia doméstica.

CRIs ou tijolos?

O Ifix, índice da B3 que concentra fundos de investimentos imobiliários, teve valorização pelo segundo mês consecutivo. Mas as corretoras veem volatilidade no segmento e indicam proteção diante das incertezas à frente – entre elas a inflação, o movimento de alta de juros e as eleições.

Apesar de a recuperação em abril ter sido liderada pelos segmento de fundos de tijolos, cujas cotas estavam com preços descontados, as corretoras continuam preferindo as carteiras que investem em papéis atrelados aos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

Novidade (mas nem tanto)

Pela primeira vez no ano, papéis ligados à economia doméstica entram na lista de indicações de 13 corretoras para a carteira de investimentos em maio. A Ativa defende nomes como Yduqs (YDUQ3) e SulAmérica (SULA11).

Mas a Vale (VALE3) continua invicta e garantiu mais um mês no ranking de ação mais recomendada por analistas, posição que ocupou em todos os meses desde o início deste ano. A mineradora aparece em 10 das 13 carteiras de corretoras neste mês consultadas pela Agência TradeMap.

Efeito global

A Natura (NTCO3) registrou prejuízo líquido quatro vezes maior no primeiro trimestre, de R$ 643,1 milhões, devido ao aumento de custo, alta da inflação e vendas menores. Segundo a empresa, o ambiente global desafiador e forte base de comparação com o igual período anterior afetaram os indicadores.

Além das pressões inflacionárias, a Natura informou que a Avon sofreu com a guerra na Ucrânia, uma vez que a empresa atua no mercado do Leste Europeu, principalmente na Rússia.

Bola de neve

O endividamento em nível recorde e a inflação sem dar um sinal consistente de trégua devem resultar em (ainda) mais inadimplência entre os consumidores. E em meio a esse cenário, colocar as contas em dia deve demorar ainda mais tempo.

No Santander, a taxa de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) referente a pessoa física chegou a 4% ao final do primeiro trimestre, ante 3,6% ao final do trimestre anterior e 3,1% em março de 2021.

O pé da Fifa

O preço da criptomoeda Algorand (ALGO) disparou na semana, após a empresa se tornar a plataforma de blockchain oficial da Fifa. A cotação do ativo teve valorização de cerca de 20% horas depois de o negócio ser divulgado, na noite segunda-feira (2), conforme dados da CoinGecko.

O acordo também prevê a prestação de serviços técnicos para a criação de uma carteira de ativos digitais da entidade máxima do futebol. A parceria pode ser o primeiro passo da Fifa para o lançamento de NFTs (tokens não fungíveis) e outros tipos de tokens.

Agenda

Nesta semana, a quarta-feira promete e deverá atrair bastante atenção dos investidores. É neste dia que saem dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos, ambos referentes a abril.

Um dia antes, o Banco Central divulgará a ata de sua reunião mais recente, com comentários adicionais sobre a discussão das autoridades a respeito do cenário para os juros e a inflação.

Vale mencionar também a publicação das vendas no varejo de março (terça-feira) e sobre a receita do setor de serviços para o mesmo período (quinta-feira).

E, entre os balanços, destaque para a divulgação dos resultados do Itaú, do Banco do Brasil e das varejistas Via e Americanas.

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