Invicta, a Vale (VALE3) garantiu mais um mês no ranking de ação mais recomendada por analistas, posição que ocupou em todos os meses desde o início deste ano. A mineradora aparece em 10 das 13 carteiras de corretoras neste mês de maio consultadas pela Agência TradeMap.
Além de Vale, Itaú (ITUB4), Petrobras (PETR4) e JBS (JBSS3) permaneceram entre as principais indicações – enquanto Suzano (SUZB3) deixou a lista para dar lugar à Multiplan (MULT3).
Não apenas algumas das ações escolhidas se repetiram em relação ao mês passado: os principais temas macroeconômicos no radar do mercado se mantêm.
De acordo com a equipe de analistas da Toro Investimentos, a atenção dos investidores neste mês estará na inflação, que deve impulsionar novas altas de juros ao redor do mundo; na continuidade da guerra na Ucrânia e seu impacto sobre o preço do petróleo; e no crescimento da economia chinesa em face das medidas de combate à disseminação da Covid-19, que também pode se refletir sobre os preços das commodities.
Nesse contexto, os analistas do PagBank defendem uma postura mais cautelosa do investidor: “Optamos por continuar com a estratégia de carteira defensiva e com maior diversificação. Ainda enxergamos muita volatilidade, o que torna ainda mais importante diversificar os setores”.
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Em relação às commodities, a Toro aponta que os incentivos do governo chinês à economia podem garantir a alta demanda por matérias-primas e, assim, sustentar os preços elevados.
Outro setor que pode ter um mês promissor, segundo analistas, é o de shopping centers. Em abril, a Multiplan, cujas ações acumulam alta de 29% no ano, reportou um balanço que superou as expectativas do mercado. No primeiro trimestre, a operadora de shoppings registrou lucro de R$ 171,6 milhões, alta de 270,5% na comparação com o mesmo período de 2021.
E não é só a Multiplan que vem agitando o setor. Na semana passada, o conselho de administração da brMalls (BRML3) aceitou a proposta da Aliansce Sonae (ALSO3) e vai recomendar aos acionistas que aprovem a união entre as companhias. O enlace era esperado desde o fim do ano passado, quando surgiram as primeiras notícias a respeito de um potencial acordo, e pode criar uma gigante do setor.
De volta à carteira de maio, a Ativa Investimentos ainda defende nomes voltados à economia doméstica, que estão sendo negociados a preços baixos, como Yduqs (YDUQ3) e SulAmérica (SULA11).
Nesse grupo, o BTG Pactual indica varejistas voltadas ao público de alta renda, que tendem a sofrer menos com fatores macroeconômicos como a inflação, como Arezzo (ARZZ3) e Multiplan. Também para se proteger da inflação, o BB-BI defende a exposição ao setor de energia, com preferência por AES Brasil (AESB3).
Confira os cinco papéis mais indicados para maio:
Empresa | Número de indicações | Variação em abril | Variação no ano |
Vale (VALE3) | 10 | -12,88% | +10,45% |
Itaú (ITUB4) | 6 | -13,11% | +13,66% |
Petrobras (PETR4) | 6 | -1,08% | +15,18% |
Multiplan (MULT3) | 6 | +0,69% | +28,95% |
JBS (JBSS3) | 5 | +1,67% | -0,69% |
Fontes: Ágora, BB Investimentos, Elite Corretora, Genial Investimentos, Guide, Mirae, Órama, Santander Corretora, Ativa Investimentos, Warren, Toro Investimentos, BTG Pactual e PagBank. |
Vale: definitivamente, a “queridinha” do mercado
Apesar da volatilidade dos preços do minério de ferro nos últimos meses, a opinião dos analistas da Toro é que as medidas expansionistas anunciadas pelo governo chinês deverão estimular a demanda pela commodity. Isso, junto com o novo programa de recompra anunciado recentemente pela Vale, cria um cenário positivo para a ação no curto prazo, segundo os analistas da Toro.
A Guide vai além, apontando a Vale como a maior beneficiada pelo aumento de preços do minério, e com potencial para tirar proveito também da alta do dólar.
“Através de sua estratégia atual de priorização de valor sobre volume, acreditamos que a Vale se beneficia ainda do flight to quality [quando investidores deixam ativos de maior risco para buscarem papéis considerados mais seguros] que vem ocorrendo em função do aumento das restrições ambientais”, diz a Ativa.
Outras iniciativas de transição energética, como o avanço dos veículos elétricos e da geração de energia renovável, devem beneficiar a Vale, por meio do aumento da demanda por metais como níquel e cobre.
Por fim, os analistas do BTG apostam que a história da tese de investimento na Vale pode se estender até 2022, pontuando que a administração continua disciplinada na alocação de capital e que deve seguir, assim, entregando altos retornos aos acionistas, tanto por meio de dividendos quanto por recompra de ações.
No balanço do primeiro trimestre, a Vale informou que seu lucro líquido diminuiu 19,6% em comparação com o mesmo período do ano passado, para US$ 4,46 bilhões. O principal fator por trás da queda foi a redução no volume de vendas de minério e pelotas devido à intensidade das chuvas e à produção menor do Sistema Norte.
As perspectivas de distribuição de rendimentos, contudo, aliadas ao atual patamar atual da ação, depois da desvalorização de cerca de 15% em abril, tornam o papel atrativo para este mês, na visão das corretoras.
Selic em alta ofusca inadimplência para o Itaú
Na segunda posição nas recomendações para maio ao lado de Petrobras e Multiplan, Itaú deve continuar se beneficiando das taxas de juros em níveis elevados, pois a diferença entre a taxa cobrada dos clientes e o custo de capital do banco, chamada de spread, tende a aumentar, dizem os analistas.
Para o PagBank, o próprio histórico do Itaú o favorece neste momento: “O banco geralmente é bem conservador em momentos macroeconômicos desafiadores, dando aos seus acionistas mais previsibilidade e segurança”.
Já a Ativa menciona a boa qualidade da carteira de crédito, mantendo indicadores saudáveis de inadimplência e índice de cobertura, e destaca as iniciativas de modernização como pontos que o devem colocar à frente dos demais bancos tradicionais em um momento de maior competitividade no sistema financeiro nacional.
A inadimplência deverá estar no centro das atenções na divulgação do resultado do Itaú para o primeiro trimestre, na próxima segunda-feira (9), especialmente depois do balanço do Santander, que apresentou aumento no índice. Como consequência, as ações dos grandes bancos brasileiros entraram em trajetória de queda na última semana, e o papel do Itaú somou baixa de 13,11% em abril.
A inadimplência é um assunto temerário para os analistas, já que um ambiente de juros altos e inflação têm impacto sobre a renda e, consequentemente, sobvre os volumes de créditos dos bancos. Assim, a expectativa de que o Itaú não deverá sofrer tanto com o problema é um ponto importante na análise.
Em conclusão, o BB-BI destaca: “Bom momento operacional, expectativa de bom resultado trimestral e forte queda recente das ações colocam o Itaú como uma opção de risco baixo para as indicações do setor financeiro para maio”.
A força do pré-sal da Petrobras
Em alta de 15,18% no ano, seguindo a valorização de 39% no petróleo tipo Brent, as ações da Petrobras têm mais potencial para avançar, de acordo com analistas das corretoras. Desde a divulgação da prévia operacional, inclusive, muitas instituições financeiras vêm apostando em um lucro recorde no balanço do primeiro trimestre, que será divulgado na quinta-feira (5).
A Guide destaca que a Petrobras segue apresentando bons volumes de produção e redução nos custos de extração, consequências do foco nas operações de pré-sal. Além disso, a corretora espera que a produção suba no médio prazo, com a entrada em operação de novos poços.
“Acreditamos que as capacidades de produção e exploração da empresa, lideradas por seus ativos de alta qualidade do pré-sal, permanecerão em vigor, apesar das incertezas no Conselho Administrativo”, diz a Santander Corretora, que chama atenção também para o fortalecimento de iniciativas ESG.
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Os principais drivers de alta para as ações no curto prazo devem ser a continuidade da venda de ativos não estratégicos, o desinvestimento em refinarias e a perspectiva de novos anúncios de dividendos, segundo a Guide.
Voltando às compras com a Multiplan
O foco da Multiplan em um público consumidor de alta renda motiva a escolha dos analistas do PagBank, uma vez que esses clientes tendem a ser menos sensíveis à inflação.
Os analistas da Guide, por sua vez, destacam a retomada operacional da companhia, que já retornou aos níveis pré-pandemia em termos de vendas e vem apresentando resultados acima das expectativas. No primeiro trimestre, o volume de vendas cresceu 74,8%, para R$ 4 bilhões.
Na teleconferência sobre os resultados, na última sexta-feira (29), a companhia mencionou também a possível fusão entre suas concorrentes, dizendo não ver ameaça. “Nossa preocupação é rentabilizar a companhia cada vez mais”, disse José Isaac Peres, diretor-presidente da empresa.
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A própria pandemia, diz a Guide, mesmo tendo mantido os shoppings fechados por alguns períodos, “ajudou a companhia a rever sua estratégia e acrescentar maior peso na vertente digital e omnicanalidade, que acabam diversificando os canais de vendas e aumentando a fidelização do cliente, potencializando as vendas no longo prazo”.
O BTG também espera que as vendas dos shoppings continuem se recuperando, mesmo com o cenário macroeconômico mais difícil.
Diversificação joga a favor da JBS
No mês de abril, as ações da JBS resistiram à pressão baixista do Ibovespa e acumularam valorização de 1,67% – e a tendência é que esse movimento continue em maio, na visão dos analistas da Toro, beneficiando-se também da valorização do dólar.
Por trás dessa resiliência das ações estão principalmente as operações da companhia nos Estados Unidos, na visão da Ativa, que vêm garantindo resultados acima das expectativas do mercado.
Nesse sentido, os analistas da Ativa defendem que o grande diferencial competitivo da JBS é sua diversificação de fontes de receita, tanto geograficamente quanto nos diferentes segmentos de proteína animal, o que reduz sua exposição a riscos específicos. A corretora menciona também a força das marcas da empresa, o que facilita o repasse de preços em um momento de alta nos custos.
A Santander Corretora vê potencial de valorização no preço das ações e espera dividendos maiores à frente. Fatores que poderiam impulsionar o papel, segundo a casa, compreendem um crescimento ainda maior no consumo global de carne bovina; recuperação do ciclo da pecuária brasileira e maior consumo interno; dinâmica de preços favorável; margens Ebitda mais altas em 2022; e novas fusões ou aquisições.
O balanço da JBS será divulgado em 11 de maio.