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Fed bonzinho? Powell indica chance pequena de alta de 0,75 ponto em junho, e bolsas sobem

Fed bonzinho? Powell indica chance pequena de alta de 0,75 ponto em junho, e bolsas sobem

Forte volatilidade das bolsas americanas após a decisão mostrou o quanto o mercado está sensível com o tema

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Foto: Shutterstock

Por:

Maeli Prado

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Maeli Prado

A forte volatilidade das bolsas americanas após a decisão do Federal Reserve, o banco central americano, mostrou o quanto o mercado está sensível com o tema: na última hora, os principais índices subiram, caíram e depois voltaram a subir.

O banco central dos Estados Unidos elevou os juros por lá em 0,50 ponto percentual (pp) nesta quarta-feira (4) e anunciou um plano para recolher gradualmente parte do estímulo que injetou na economia ao longo dos últimos anos.

A decisão veio em linha com o roteiro sinalizado pelo Fed ao longo das últimas semanas e, portanto, ficou dentro do esperado pelos investidores. Ainda assim, na primeira meia hora após a divulgação do comunicado, o mercado reagiu com indecisão.

Embora o documento trouxesse sinais de que o Fed optou por ser mais constante – em vez de mais agressivo – nos próximos aumentos de juros, também apresentou trechos mostrando a preocupação do banco central com o impacto das medidas de lockdown na China e os efeitos disso sobre a inflação, o que acendeu um alerta entre os investidores: de que a autoridade monetária poderia intensificar o ajuste nos juros se a pressão inflacionária persistir.

O presidente do Fed, Jerome Powell, diminuiu essa preocupação durante entrevista coletiva concedida após o anúncio da decisão.

Ele afirmou que a chance de aumento de 0,75 pp nos juros não está sendo “ativamente considerada” pelo colegiado. “Existe um senso amplo no comitê de que altas adicionais de 50 pontos-base devem estar na mesa nas próximas duas reuniões”, declarou.

O comentário mudou o humor do mercado e fez com que as bolsas dos EUA e do Brasil passassem a operar em alta. Por volta das 16h20, o Dow Jones subia 1,91%, o S&P era negociado em alta de 1,89% e a Nasdaq estava no azul em 1,84%.

Mesmo assim, no mercado de juros futuros dos EUA, ainda havia apostas de aumentos mais intensos.

Segundo informações do CME Group baseadas nas negociações destas taxas, os investidores ainda veem chance de 77% de os juros subirem em 0,75 ponto porcentual em junho, quando acontecerá a próxima reunião de política monetária do Fed. Ontem, esse índice estava em 95,4%.

O que dizem os especialistas

“O movimento de uma alta de 0,75 ponto não está mais na mesa e o Fed deve dar mais duas elevações de 0,50 ponto e depois pode optar por altas menores”, diz Felipe Sichel, sócio e economista-chefe do Banco Modal.

Ele acrescenta que o cenário é desfavorável à tomada de risco, com o banco central americano está em processo de aperto monetária e está elevando os juros em reuniões consecutivas, o que não acontecia desde 2006. “Vejo o Fed como menos hawkish, não dovish“.

Segundo o economista-chefe do Haitong para o Brasil, Marcos Ross, o voto do presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, já havia sinalizado a inclinação mais suave ao mercado, mesmo antes das declarações de Powell: o mais hawkish (mais inclinado ao aperto monetário) dos membros do Fomc votou por uma alta de 0,5o pp.

Para Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, o mercado encarou o comunicado como dovish (ou seja, menos inclinado a um aperto monetário maior). “A expectativa era que a redução do balanço fosse acontecer em um ritmo mais intenso. De qualquer forma, o driver do dia será as declarações do Powell”.

Na última reunião, em meio à maior inflação entre quatro décadas, o Fed deu início ao atual ciclo de aperto monetário ao elevar os juros em 0,25 ponto, a uma faixa entre 0,25% e 0,50% ao ano.

Saiba mais:
PIB dos EUA cai 1,4% no 1º trimestre, mas pressão para alta de juros pelo Fed se mantém

E o impacto para o Brasil?

Logo mais, a partir das 18h30, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) decide a nova taxa de juros brasileira – parte do mercado espera que o colegiado vá anunciar o fim do ciclo de alta.

Para o Brasil, a aceleração do aumento de juros pelo Fed pode piorar o balanço de riscos e impedir o Banco Central de encerrar o ajuste das taxas por aqui, afirma Ross, do Haitong.

O BC já havia sinalizado uma alta de 1 pp da Selic na decisão de maio, e poderia interromper o ciclo de aperto monetário se a inflação projetado estivesse abaixo da meta para 2023, de 3,25%.

Para Ross, o BC não deve interromper o ciclo de alta de juros nesta reunião. Ele prevê mais uma alta de 0,75 pp em junho e outra de 0,50 pp, com a Selic encerrando o ano em 14%.

O Haitong espera um IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] de 7,4% neste ano, mas deve rever para próximo de 9%, segundo Ross. Há bancos, como o BNP Paribas, que já esperam um IPCA de 10% neste ano.

Já o impacto no câmbio, segundo Ross, vai depender do patamar da taxa de juros e do cenário doméstico. O ruído recente entre o Planalto e o Supremo Tribunal Federal antes das eleições aumentou a preocupação do mercado com uma crise institucional.

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