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PIB dos EUA cai 1,4% no 1º trimestre, mas pressão para alta de juros pelo Fed se mantém

PIB dos EUA cai 1,4% no 1º trimestre, mas pressão para alta de juros pelo Fed se mantém

Inflação elevada pressionou queda da atividade dos Estados Unidos

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Foto: Shutterstock

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Silvia Rosa

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A primeira queda do PIB (Produto Interno Bruto) trimestral dos Estados Unidos desde 2020 — o tombo de 1,4% entre janeiro e março foi divulgado nesta quinta-feira (28) — é a melhor ilustração do dilema colocado à frente do Federal Reserve, o banco central americano, que se reúne na semana que vem para decidir o próximo rumo dos juros da maior economia do mundo.

De um lado, o dado mostrou o quanto a maior inflação em duas décadas vem custando caro para a atividade econômica do país: analistas de mercado esperavam uma alta de 1% no PIB americano no primeiro trimestre, e não uma queda, como informou o BEA (Bureau of Economic Analysis).

A alta dos preços, impulsionada pelo espalhamento da variante Ômicron do coronavírus e pela invasão da Ucrânia pela Rússia, contribuiu e muito para o desempenho.

De outro lado, o desempenho do PIB lembrou aos investidores como o remédio para o problema pode ser amargo: uma alta agressiva nos juros, o que é esperado pela maior parte do mercado, também deve refrear o ritmo da atividade econômica.

“O que é pior: ter uma taxa de juros alta, que vai desacelerar a economia, ou deixar a inflação alta, o que também vai desacelerar a economia?”, questiona o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Ele aponta que, logo que o dado foi divulgado, às 9h30, as taxas de juros futuros desaceleraram nos EUA, mas continuaram a subir. “A inflação está fazendo a economia americana cair, mas isso não tira pressão da necessidade de o Fed ser agressivo com os juros.”

As taxas dos títulos do Tesouro americano reduziram a alta após o resultado mais fraco que o esperado, mas continuam avançando, impulsionadas pelos fortes resultados das empresas americanas. A Meta, controladora do Facebook, surpreeendeu positivamente o mercado ao divulgar um lucro por ação de US$ 2,72, acima dos US$ 2,56 estimados por analistas da Refinitiv.

Impacto temporário da Ômicron?

Para a consultoria Capital Economics, a queda inesperada de 1,4% do crescimento do PIB americano no primeiro trimestre provavelmente não deve impedir o Fed de subir a taxa básica de juros em 0,5 ponto na reunião de maio, já que as autoridades vão atribuir o desempenho ao “impacto temporário da Ômicron e apontar para a força da demanda subjacente”, disse a consultoria, em relatório.

Para o Danske Bank, o Fed deve subir a taxa de juros em 0,50 ponto e sinalizar mais altas no mesmo ritmo nos próximos meses em busca de atingir mais rapidamente o juro neutro.

Dados do CME Group mostram que o mercado de juros futuros apontava para 96,5% de chance de o Fed subir a taxa básica de juros em 0,50 ponto na próxima semana, para o intervalo de 0,75% e 1%.

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, aponta que a queda no consumo do governo e o setor externo (com recuo nas exportações e alta nas importações) foram os principais fatores que contribuíram para a retração da atividade americana.

“Este é um mau sinal, uma vez que o dólar tende a continuar ganhando contra as principais moedas. Os juros continuam subindo por lá e, assim, as importações tendem a continuar fortes e as exportações, mais fracas.”

PIB menor em 2022

No mês passado, com a invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções que se seguiram, o Fed já havia revisado a projeção de crescimento do PIB americano em 2022, de 4% para 2,8%.

Saiba mais:
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Em março, em meio às fortes pressões inflacionárias decorrentes da guerra no Leste Europeu, o Fed elevou os juros americanos em 0,25 ponto percentual, a um intervalo entre 0,25% e 0,50%, a primeira alta desde dezembro de 2018.

O colegiado se reúne novamente na semana que vem, e deve elevar os juros em um ritmo mais forte, de 0,50 ponto percentual.

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