Confira os fundos imobiliários mais recomendados para comprar em maio

Ifix sobe 1,2% em abril, pelo segundo mês seguido, impulsionado por FIIs de tijolos, mas corretoras veem volatilidade e indicam proteção

Foto: Shutterstock

A expectativa de aproximação do fim do ciclo de alta da taxa Selic e os sinais de recuperação da economia sustentaram a alta de 1,2% do Ifix, índice que acompanha os fundos imobiliários na Bolsa, em abril, quando subiu pelo segundo mês consecutivo. 

Apesar do movimento nos dois meses, analistas ainda veem com cautela uma valorização sustentada do índice diante das incertezas à frente, com o banco central dos Estados Unidos acelerando o ritmo de alta da taxa de juros, eleições no Brasil e a pressão inflacionária ainda persistente.

“Esperamos uma continuidade na recuperação do Ifix frente a uma desvalorização excessiva das cotas dos últimos meses e sinalizações mais concretas do fim do ciclo de alta de juros [no Brasil], porém, mantemos uma postura mais cautelosa frente a um cenário mais desafiador e incerto no espectro político-econômico”, diz a Guide, em relatório.

Apesar de a recuperação em abril ter sido liderada pelos segmento de fundos de tijolos, cujas cotas estavam com preços descontados, as corretoras continuam preferindo as carteiras que investem em papéis atrelados ao setor imobiliário como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), já que possuem o retorno atrelado a índices de preços e ao CDI, sendo uma proteção contra a alta da inflação.

No portfólio compilado pela Agência TradeMap a partir das indicações de dez corretoras para maio, houve uma substituição: o fundo de recebível RBR Rendimento High Grade (RBRR11) entrou na lista, no lugar do BTG Pactual Logística (BTLG11).

Veja a seguir os cinco fundos mais recomendados pelas corretoras.

Fundo Segmento Número de indicações
Bresco Logística (BRCO11) Logística 7
Kinea Índices de Preços (KNIP11) Recebíveis 4
Vinci Shopping Centers (VISC11) Shopping centers 4
CSHG Real Estate (HGRE11) Escritórios 4
RBR Rendimento High Grade (RBRR11) Recebíveis 4
Fontes: BTG Pactual, Guide Investimentos, Genial Investimentos (Carteira Renda), Inter Invest, BB Investimentos (Carteira Renda), Mirae, Órama (Carteira Renda), Terra Investimentos, Ativa Investimentos e Itaú Unibanco.

Foco em fundos de papel com baixo risco de crédito

Em meio à perspectiva de que a taxa Selic se mantenha em um patamar elevado após a interrupção do ciclo de alta de juros e com a inflação ainda persistente, com os lockdowns na China agravando o problema da cadeia de suprimentos, as corretoras ainda veem valor nos dos fundos de recebíveis nesse momento.

“Seguimos cautelosos para o curto prazo, por isso nossa maior exposição a fundos de ativos financeiros [45% do total da carteira], ao mesmo tempo que estamos nos preparando para o momento que o mercado passará a olhar os fundos de tijolo com mais interesse”, aponta o Itaú Unibanco, em relatório.

Com o cenário de incertezas e taxa de juros maior, as corretoras têm preferido os fundos de recebíveis que compram papéis do tipo high grade, de menor risco de crédito.

O RBR Rendimento High Grade (RBRR11), que entrou na lista de fundos mais recomendados em maio, investe em papéis de baixo risco de crédito, com uma diversificação entre os indexadores – 43% atrelados ao IPCA, 31%, ao CDI e 19%, ao IPG-M.

Como vantagem da carteira, a Guide destaca a localização dos imóveis que estão em garantia do pagamento dos recebíveis, com a maior parte concentrada em regiões nobres da cidade de São Paulo, oferecendo menor risco de vacância. Como risco, a corretora aponta a possibilidade de atraso nos pagamentos pelos devedores.

O fundo anunciou, em março, uma emissão de R$ 300 milhões e aumentou a distribuição de rendimento para R$ 1,20 em abril, ante o valor de R$ 1,10 pago no mês anterior.

O KNIP também compra papéis com menor risco de crédito, buscando um rendimento médio de 7,37% ao ano mais a variação da inflação.

A maior parte dos títulos em carteira (95%) estava atrelada ao IPCA em março, com concentração nos emissores do segmento de escritórios e shopping centers.

O fundo aumentou a distribuição de rendimento de R$ 1,35 por cota, em março, para R$ 1,70, em abril. “Considerando o último rendimento de R$ 1,70 por cota e os preços atuais, o dividend yield anualizado [que considera a variação da cota na Bolsa mais a distribuição de rendimentos] ficaria em 20,3%, acima da mediana dos fundos imobiliários de ativos financeiros (14,0%)”, observa o Itaú, em relatório.

FIIs de tijolos têm recuperação, mas cenário é de cautela

Apesar da recuperação em abril, as corretoras ainda esperam volatilidade à frente para os fundos de tijolos, com a recuperação desse segmento devendo se estabilizar de fato quando o mercado começar a ter um horizonte melhor da queda da taxa de juros no ano que vem.

Entre os fundos de tijolos mais recomendados pelas corretoras, destaque para o Bresco Logística (BRCO11), que foi o portfólio que recebeu mais indicações (sete).

O grande atrativo do portfólio é a taxa de vacância zero nos 11 galpões da carteira. O fundo está ampliando os imóveis, o que deve ter um impacto positivo para a distribuição de dividendos. Além disso, a maior parte dos contratos  (70%) só vence a partir de 2025. 

O BRCO11 tem distribuído R$ 0,63 por cota neste ano, o que equivale a um dividend yield anualizado de cerca de 7,6% segundo o BB Investimentos.

De acordo com o Inter, os fundos de tijolos têm mostrado melhora dos resultados operacionais, com a queda da vacância no segmento de escritórios, o crescimento das vendas dos shoppings e a alta demanda por galpões logísticos, que tem se refletido no aumento dos preços dos aluguéis.

“Com o atual ciclo monetário perto do fim e a recuperação dos segmentos de varejo e serviços, esperamos que o atual desconto no preço de tela desses fundos seja atenuado”, diz o Inter, em relatório.

VOTS11 lidera ganhos na Bolsa

O fundo de recebíveis Votorantim Securities Master (VOTS11) teve o maior retorno entre os FIIs listados na Bolsa em abril, segundo levantamento do TradeMap.

Fundo Segmentos Rentabilidade em abril*
Votorantim Securities Master (VOTS11) Recebíveis 12,89%
 BTG Pactual Shoppings (BPML11) Shopping centers 11,69%
 BRL Prop II (BRLA11) Logística 11,27%
Even II Kinea (KEVE11) Incorporação residencial 10,73%
Anhanguera Educacional (FAED11) Comercial (educacional) 10,35%
Fonte: TradeMap. *Considera a variação da cota na Bolsa ajustada pelos eventos no período, inclusive a distribuição de dividendos.

O VOTS11 investe em recebíveis imobiliários de diversos segmentos, como logística, comercial, residencial, loteamento e shopping centers.

O fundo aumentou a distribuição de dividendos de R$ 1,15 por cota, em março, para R$ 1,35, em abril.

O portfólio tem cerca de 60% da carteira alocada em papéis indexados à inflação e 40%, em CDI.”A ideia é aumentar a parcela investida em papéis atrelados ao IPCA olhando mais o longo prazo”, diz Luiz Sedrani, diretor de gestão da BV Asset.

O fundo busca um retorno líquido de IPCA mais 7% a 7,5% ao ano.

Com o mercado projetando uma inflação média de 7,89% para 2022, segundo o último Boletim Focus, o retorno esperado para a carteira neste ano deve ficar em torno de 15% a 16%, observa Sedrani.

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