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Banco Central sob pressão: surpresa com inflação de março já faz mercado ver IPCA de 8% em 2022

Banco Central sob pressão: surpresa com inflação de março já faz mercado ver IPCA de 8% em 2022

Dado reforça a aposta de que o Banco Central terá que aumentar a Selic em maio e em junho

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Foto: Shutterstock

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No início de março, muitos economistas apontavam que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2022 superaria 6%, bem acima dos 5% projetados no início do ano.

Pois agora, com a surpresa do índice avançando 1,62% em março, analistas já esperam uma inflação acima de 7% e até em 8% em alguns casos, em um cenário que coloca pressão por uma alta mais forte dos juros básicos pelo Banco Central.

Para 2023, que é o horizonte relevante da política monetária, os mais pessimistas já veem um avanço de 4,5% nos preços (bem acima do centro da meta para o ano, de 3,25%).

O forte reajuste dos combustíveis pela Petrobras já estava na conta do mercado. Mas o comportamento disseminado da inflação dos alimentos pressionou os preços para além da alta de 1,3% que era esperada por analistas.

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“Mais do que o número em si, a alta assusta pelo que representa: perda acelerada do poder de compra, principalmente das camadas de menor renda da população, em itens básicos como alimentos e combustíveis”, afirma o economista Fabio Astrauskas, professor do Insper e CEO da Siegen Consultoria. “E não há sinal de que o quadro vá se reverter, pelo menos no médio prazo.”

Mais pressão sobre o Copom

A surpresa de março faz crescer a pressão para que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) leve os juros a um patamar além de 12,75% ao ano – esse é o nível que o BC vem afirmando ser suficiente para entregar a inflação na meta em 2023.

Atualmente, os juros estão em 11,75% ao ano, e o BC já contratou uma nota alta de 1 ponto percentual na próxima reunião, sinalizando que o ciclo de aperto monetário deve parar por aí. Analistas ouvidos pelo Boletim Focus, entretanto, já esperam uma taxa Selic em 13% ao ano.

Mesmo esse patamar já é considerado otimista por parte do mercado. Para os analistas do Bank of America, que agora esperam um IPCA de 8% no fim deste ano e de 4,5%, em 2023, a alta de preços é generalizada, e acontece mesmo fora de combustíveis e alimentos.

“Isso tudo reforça nossa visão de que o Banco Central não conseguirá parar o ciclo de aperto monetário em maio”, apontou a equipe do banco, em relatório. “Esperamos uma última alta de 50 pontos em junho, levando a Selic a 13,25% ao ano.”

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É a mesma visão do economista-chefe da Necton, André Perfeito. “A leitura preliminar dos dados reforça a perspectiva de que a autoridade monetária terá que de fato subir a Selic também na reunião de junho”, avalia. “Ou seja, teremos uma alta de 100 pontos-base em maio, fazendo a Selic subir para 12,75%, e mais outra de pelo menos 50 pontos em junho, o que fará a taxa chegar em 13,25%.”

A Necton revisou o IPCA para o final deste ano de 6,77% para 7,4%.

“[A alta do IPCA em março] foi a maior surpresa da série histórica da Bloomberg, que se iniciou em 2012”, apontou Claudia Moreno, economista do C6 Bank, que ressaltou o peso dos combustíveis nessa conta. “Mas não é só isso que vem pesando na inflação. Há um aumento generalizado de preços atingindo desde bens industriais e alimentos até a inflação de serviços.”

Ontem, o banco digital já havia revisado sua projeção para o IPCA deste ano, de 6% para 7,2%.

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