Day trade em eleição: mais volatilidade, mais risco? Veja como se preparar
Dobrar a distância do stop sem reduzir o número de contratos pode mudar significativamente o risco de uma operação. Em um mercado mais volátil, essa relação ganha importância para quem faz day trade.
Com o primeiro turno das eleições de 2026 marcado para 4 de outubro e eventual segundo turno para 25 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o processo eleitoral já entrou no radar dos operadores.
Um estudo elaborado por André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, analisou o comportamento do futuro do índice Ibovespa nas últimas cinco eleições presidenciais e relacionou esses movimentos à gestão de risco nas operações.
Na avaliação de Moraes, períodos de maior oscilação exigem atenção especial à relação entre distância do stop e tamanho da posição. A questão central, segundo ele, não é simplesmente operar menos, mas evitar que uma mudança no stop aumente inadvertidamente o valor financeiro colocado em risco.
- Saiba mais: O que traders devem observar antes de operar índice e dólar durante as eleições de 2026.
Estudo aponta aberturas de até 9,6% após o primeiro turno
O levantamento considera as eleições presidenciais de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. De acordo com a metodologia apresentada, a abertura e o fechamento da segunda-feira posterior a cada turno foram comparados ao fechamento da sexta-feira anterior.
Após o primeiro turno, o maior movimento registrado no estudo ocorreu em 2014. Naquele episódio, o índice futuro abriu 9,60% acima da referência da sexta-feira e terminou a sessão com alta de 5,15%.
O movimento ocorreu após um primeiro turno em que Dilma Rousseff (PT) recebeu 43.267.668 votos, ou 41,59% dos votos válidos, e Aécio Neves (PSDB), 34.897.211 votos, ou 33,55%. Os dois avançaram ao segundo turno. Marina Silva (PSB) ficou em terceiro lugar, com 22.176.619 votos, equivalentes a 21,32% dos votos válidos.
Segunda-feira depois do 1º turno
Fonte: estudo de André Moraes. Abertura e fechamento comparados ao fechamento da sexta-feira anterior.
Para Moraes, os números ajudam a dimensionar o tipo de ambiente que pode ser encontrado depois de um evento eleitoral.
No caso específico do day trader que encerrou a sexta-feira sem posições abertas, o movimento ocorrido entre um pregão e outro não representa diretamente lucro ou prejuízo. O risco enfrentado por esse operador é diferente daquele de quem atravessa o fim de semana posicionado.
Mais volatilidade muda a gestão da posição, diz Moraes
Segundo o estudo de André Moraes, quem entra e sai do mercado no mesmo pregão não fica exposto diretamente ao gap entre sexta e segunda-feira. Nesse caso, a atenção se desloca para a amplitude dos movimentos dentro da sessão e para eventuais reversões mais fortes.
Na leitura de Moraes, um stop utilizado em um pregão de menor oscilação pode deixar de ser adequado quando a amplitude aumenta. Caso o operador decida ampliar essa distância, porém, o tamanho da posição passa a fazer parte da mesma conta.
“O tamanho da posição sai de uma divisão, não de convicção”, afirma Moraes no estudo.
O tema não tem uma única abordagem entre traders. Em julho, por exemplo, profissionais ouvidos pelo InfoMoney apresentaram visões diferentes ao discutir stop técnico ou financeiro durante a Expert XP 2026. Apesar das diferenças de método, o debate colocou a gestão do risco no centro da decisão.
Como stop e tamanho da posição entram na mesma conta
Para explicar a relação, Moraes usa no estudo um exemplo com mini índice. O ponto de partida é um operador disposto a assumir risco máximo de R$ 250 em determinada operação.
No exemplo, um stop de 200 pontos, considerando R$ 0,20 por ponto, representa R$ 40 de risco por contrato. Nesse cenário, uma posição de seis contratos corresponde a aproximadamente R$ 240 de risco.
Se a distância do stop for ampliada para 400 pontos, o risco passa para R$ 80 por contrato. Para manter aproximadamente a mesma exposição financeira, a quantidade cairia de seis para cerca de três contratos.
Segundo Moraes, o problema aparece quando apenas uma dessas variáveis é alterada. Se o mesmo operador passar de um stop de 200 para 400 pontos e continuar negociando seis contratos, o risco potencial do exemplo sai de cerca de R$ 240 para R$ 480.
“Quem alarga o stop e mantém o tamanho está dobrando a aposta sem perceber”, afirma.
Isso não significa, conforme ressalta a lógica do próprio estudo, que exista uma quantidade-padrão de contratos para operar durante uma eleição. O dimensionamento depende do risco aceito, da distância do stop e da estratégia utilizada.
Segundo turno teve fortes mudanças de direção
O estudo também chama a atenção para o comportamento da segunda-feira posterior ao segundo turno.
Os dados mostram que, em alguns casos, o sinal observado na abertura mudou significativamente até o encerramento da sessão.
Segunda-feira depois do 2º turno
Fonte: estudo de André Moraes. Abertura e fechamento comparados ao fechamento da sexta-feira anterior.
Em 2018, conforme o levantamento, o índice futuro abriu 3,30% acima da referência da sexta-feira, mas terminou o pregão 3,07% abaixo. Naquele segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente com 55,13% dos votos válidos, ante 44,87% de Fernando Haddad (PT).
Em 2022, ocorreu o movimento contrário: queda de 3,28% na abertura e fechamento 0,34% acima da sexta-feira. Lula (PT) venceu o segundo turno com 50,90% dos votos válidos, ante 49,10% de Jair Bolsonaro (PL).
Já em 2014, a abertura foi de -7,43%, enquanto a perda no encerramento havia diminuído para 1,67%. Dilma Rousseff (PT) foi reeleita no segundo turno com 51,64% dos votos válidos, ante 48,36% de Aécio Neves (PSDB).
Para Moraes, esses episódios são exemplos de por que uma leitura sobre direção não elimina o risco provocado pelo caminho percorrido pelo mercado ao longo da sessão.
Como se preparar para um mercado mais volátil?
Segundo Moraes, o dimensionamento da posição deve partir do risco financeiro que a estratégia admite e da distância necessária até o stop. A quantidade de contratos, nessa lógica, é consequência dessas duas variáveis.
Para o analista, um parâmetro usado em uma sessão de menor amplitude pode representar um risco diferente quando aplicado, sem ajustes, a um pregão mais volátil.
O estudo também não busca antecipar quanto o mercado poderá subir ou cair após a votação. A ênfase, segundo Moraes, está em estimar previamente quanto uma operação pode representar em dinheiro caso o cenário esperado pelo trader não se confirme.





















