Flávio Bolsonaro pede fim de sigilo em investigação sobre laços com Vorcaro, do Master
O candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, afirmou que "não tem nada a esconder" enquanto a polícia investiga suas ligações com um banqueiro preso, instando a Suprema Corte a tornar a investigação totalmente pública antes das eleições de outubro.Documentos divulgados pelo tribunal na noite desta quinta-feira confirmaram que Flávio Bolsonaro é alvo de uma investigação sobre alegações de lavagem de dinheiro, corrupção e sonegação fiscal relacionadas a suas ligações com o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, cuja instituição financeira falida está envolvida no maior caso de fraude bancária já registrado no Brasil.A investigação teve início em julho, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg News, meses depois de Flávio Bolsonaro ter reconhecido que havia solicitado financiamento a Vorcaro para um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele negou qualquer irregularidade, afirmando que havia buscado recursos privados para um projeto privado.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.“Quero total transparência, pois isso apenas confirmará o que sempre afirmei: que não há absolutamente nada de errado em relação ao filme”, afirmou Flávio Bolsonaro em um evento de campanha no norte do Brasil na sexta-feira.A ampla investigação sobre o Banco Master minou a confiança na elite política, financeira e empresarial do Brasil desde que o banco faliu no ano passado. As ligações de Flávio Bolsonaro com Vorcaro abalaram sua candidatura à presidência em maio, e o foco renovado na investigação sobre o senador ameaça frear o recente impulso de sua campanha.As pesquisas mostram que Flávio Bolsonaro chegou a um empate virtual com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma ascensão impulsionada por revelações que colocaram o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes de volta no centro da saga.Na semana passada, o ministro André Mendonça divulgou mensagens privadas supostamente enviadas por Vorcaro a Moraes, desencadeando uma disputa interna entre os ministros que mergulhou o tribunal na sua mais profunda crise institucional desde que o Brasil retornou à democracia, há quatro décadas. Bolsonaro aproveitou-se da disputa, buscando desviar a atenção de seus laços com Vorcaro e, ao mesmo tempo, transformar a eleição em um referendo sobre a Suprema Corte. Em um comício na segunda-feira em São Paulo, ele pediu o impeachment de Moraes, que atuou como principal antagonista da direita brasileira enquanto Jair Bolsonaro espalhava alegações falsas sobre o sistema eleitoral durante sua presidência. Moraes posteriormente presidiu o julgamento que levou à condenação do ex-presidente por tentativa de golpe após a eleição de 2022.Leia também: Reportagem liga Flávio Bolsonaro ao Banco Master e derruba ativos brasileirosO presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou na quinta-feira que Mendonça levantasse o sigilo do caso Master, como parte de seus esforços para acalmar a disputa interna. Mendonça divulgou milhares de páginas de documentos.Fachin permitiu que Mendonça mantivesse em sigilo algumas investigações em andamento, incluindo a investigação sobre os laços de Flávio Bolsonaro com a Vorcaro. Mas, na sexta-feira, o presidente do Supremo ordenou que Mendonça levantasse o sigilo também do restante do processo.Bolsonaro, no entanto, afirmou que desejava que o tribunal também divulgasse casos fora do escopo dessas ordens, incluindo uma investigação sobre alegações de corrupção contra um dos filhos de Lula. Esse caso tem pesado sobre a popularidade do líder de esquerda nas últimas semanas.“Quero que o juiz Mendonça retire o sigilo de tudo”, disse Flávio Bolsonaro. “Ele deveria mostrar tudo ao povo.”Lula, que é amplamente visto como um aliado de Moraes, embora não tenha nomeado o juiz, também pediu total transparência. Durante uma entrevista na televisão na noite de quinta-feira, ele afirmou que o tribunal deveria suspender o sigilo da investigação “Master” e de outros casos que possam afetar a eleição, pedindo o fim dos “vazamentos seletivos”.Lula também afirmou que não protegerá seu filho de investigações judiciais, embora acredite que ele seja inocente.--Com a colaboração de Daniel Carvalho, Gabriel Teixeira de Melo, Beatriz Reis e Martha Beck.Veja mais em bloomberg.comLeia tambémSTF traiu seu papel de guardião da democracia e precisa de uma reforma profunda



















