Oncoclínicas (ONCO3): CVM determina que Centaurus faça OPA, e ação já sobe 250% em agosto

O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu na terça-feira (25) que a gestora norte-americana Centaurus é obrigada a realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) da Oncoclínicas (ONCO3). A decisão reverteu o entendimento da área técnica da autarquia, que em junho havia concluído que a oferta não era devida, e a companhia informou o resultado em fato relevante na noite do mesmo dia. A expectativa em torno do julgamento reprecificou o papel: a ação mais que triplicou em agosto e acumulava alta de 250,91% no mês às 11h30 desta quarta-feira (26), como mostra o gráfico abaixo.

Em discussão estava a cláusula do estatuto que obriga qualquer investidor com 15% ou mais do capital, após o IPO de 2021, a fazer oferta pelas demais ações com prêmio. Os minoritários, liderados pela gestora Latache, sustentam que o gatilho foi acionado em novembro de 2024, quando uma reorganização dos fundos Josephina, geridos pelo Goldman Sachs, transferiu cerca de 16% da companhia ao Josephina III, veículo da Centaurus — hoje com 31,83% do capital de forma direta. A gestora alegava que já era a dona econômica da posição desde 2018, antes da abertura de capital, e que a operação apenas mudou a forma de detenção.
A decisão fixa a obrigação, não o preço. A Oncoclínicas afirmou que ainda não há definição sobre o valor por ação nem sobre quais acionistas poderão vender. O estatuto prevê critérios como 120% da maior cotação em uma janela de 12 meses e laudo de avaliação econômica. Estimativas de mercado apontam preço próximo de R$ 16 e desembolso acima de R$ 6 bilhões — mais de nove vezes o fechamento de terça. A CVM não fixou número, e o recurso iria para os acionistas, não para a companhia.
A data de referência é o outro ponto sensível: se a obrigação nasceu em novembro de 2024, o direito de vender pode ficar restrito a quem já era acionista naquela época. O voto escrito, previsto para esta quarta-feira (26), deve esclarecer preço e alcance. Com os termos definidos, a tendência é de convergência da ação ao preço da oferta.
A disputa continua fora da CVM. Em 22 de agosto, a Centaurus abriu arbitragem contra a Latache na Câmara de Arbitragem do Mercado da B3, e o Josephina III sustenta que a câmara tem jurisdição exclusiva sobre o caso. A arbitragem é confidencial e, em princípio, não suspende os efeitos da decisão.
Em paralelo, a Oncoclínicas negocia a própria dívida. A rede protocolou recuperação extrajudicial em julho para reestruturar cerca de R$ 5,1 bilhões, com adesão inicial de 37% dos credores. A Justiça de São Paulo deferiu o processamento em agosto, com suspensão de cobranças por 180 dias e prazo de 90 dias para a adesão superar 50%. A companhia teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão em 2025 e afirma que o atendimento segue normalmente.
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