Quase 29 milhões brasileiros possui ou já possuiu ativos digitais
Dados da Pesquisa Nacional de Criptomoedas, conduzida pela Paradigma Education em parceria com o Datafolha e com patrocínio de Coinbase, ABCripto e Hashdex, apontam avanço da adoção e do conhecimento sobre ativos digitais no Brasil, além de sinais de que o tema começa a ganhar peso no debate eleitoral.
Segundo o levantamento, 65,8% dos eleitores consideram importante votar em candidatos comprometidos com a proteção dos direitos dos usuários de criptomoedas. Ao mesmo tempo, 17,2% dos brasileiros já investiram nesses ativos. O equivalente a quase 29 milhões de pessoas. E 66,4% afirmam conhecer criptomoedas, alta de 10,1 pontos percentuais em relação a 2025.
Os números também mostram que a adoção não está restrita às faixas de maior renda: 77,6% dos brasileiros que já investiram em cripto recebem até três salários mínimos.
Tecnologia assusta brasileiros
Conduzida em maio de 2026, com 2.004 entrevistados em 137 municípios, a pesquisa identificou que o avanço do conhecimento sobre cripto nos últimos 15 meses foi mais expressivo entre pessoas com Ensino Fundamental. Entre quem conhece os ativos digitais, mas nunca investiu, a complexidade da tecnologia é apontada como barreira por 77%, enquanto 42% mencionam a falta de informação.
Os dados indicam ainda uma mudança na percepção sobre os criptoativos, que começam a ganhar espaço para além do investimento e da especulação. Agora, os ativos digitais também são associados à sua utilidade na economia real. O movimento é mais evidente no Centro-Oeste, região que registrou o maior avanço na adoção, impulsionado sobretudo pelo agronegócio.
A redução da percepção de risco e o crescimento entre brasileiros de menor renda também sinalizam uma base de usuários mais diversificada.
Mercado brasileiro de ativos digitais está mais maduro
Para Fabio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas, os resultados mostram que o Brasil entra em uma nova etapa de maturidade no mercado de ativos digitais.
O aumento da sensibilização para as criptomoedas e a expansão da adoção mostram que o mercado brasileiro está amadurecendo. O futuro das finanças está sendo construído através de pagamentos com stablecoins e da tokenização do sistema financeiro. Existe um enorme potencial para mais crescimento e adoção no Brasil. Em breve, cada vez mais brasileiros irão utilizar a tecnologia blockchain no dia a dia, pontua Plein.
Samir Kerbage, CIO da Hashdex, avalia que os resultados reforçam a consolidação dos criptoativos para além de um mercado de nicho.
À medida que educação, infraestrutura e integração com o sistema financeiro evoluem, o potencial de crescimento do mercado tende a ser ainda maior. O aumento do conhecimento sobre criptoativos, a expansão da adoção entre diferentes perfis de renda e o avanço das aplicações no dia a dia mostram que o setor está deixando de ser um nicho para se consolidar como parte da realidade financeira dos brasileiros.
Bancos ampliam acesso ao mercado cripto
A aproximação entre o sistema financeiro tradicional e os ativos digitais também começa a transformar os canais de acesso ao mercado. Entre os investidores, 83% apontam os aplicativos bancários como porta de entrada para criptomoedas, em uma pergunta de múltipla escolha. As carteiras próprias aparecem, por exemplo, com 26%, enquanto 20% compram ativos diretamente em exchanges ou corretoras especializadas.
A pesquisa também sinaliza mudanças na percepção sobre investimentos de longo prazo. Entre os brasileiros que conhecem criptomoedas, 43% consideram as ações negociadas em bolsa a alternativa com maior potencial de retorno. Na sequência, aparecem a poupança, com 30%, e criptoativos, com 24%. Hoje 54% dos brasileiros conhecem o Bitcoin.
O potencial de expansão permanece relevante. Três em cada dez brasileiros familiarizados com criptomoedas pretendem investir nos próximos dois anos. Entre aqueles que já possuem ativos digitais, o percentual chega a 63%.
Cripto ganha espaço no debate eleitoral
A inflação continua como a principal preocupação econômica dos brasileiros, especialmente no Sudeste, onde é mencionada por 43,1% dos entrevistados. No Centro-Oeste, ganham peso o receio de aumento de impostos, citado por 37%, e de um eventual novo confisco de recursos financeiros, apontado por 29,3%.
Nesse cenário, os ativos digitais começam a aparecer também no debate político. Para Julia Rosin, diretora-presidente da ABCripto, o avanço da adoção tende a ampliar, principalmente, a demanda dos usuários por representação de seus interesses.
É natural que, conforme o usuário passa a confiar mais na tecnologia e a adotar os criptoativos no dia a dia, ele passe a exigir representatividade. O investidor não quer apenas usar cripto; ele quer ver suas escolhas respeitadas e pautadas no debate político, cobrando compromisso de candidatos que entendam e defendam quem já faz parte dessa nova economia.
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