Cosan (CSAN3) achou quem queira levar uma fatia da Rumo (RAIL3) — e o cheque pode chegar a R$ 5 bilhões, diz agência
A Cosan (CSAN3) está colocando mais um ativo na mesa para aliviar o peso da dívida — e já há quem queira levar uma fatia da Rumo (RAIL3).
A holding de Rubens Ometto informou nesta quinta-feira (20) que entrou na fase de recebimento de propostas vinculantes de potenciais interessados em comprar parte de sua participação na operadora ferroviária.
Segundo o Broadcast, do Estadão, a companhia pretende vender cerca de 15% da Rumo, em uma operação estimada em R$ 5 bilhões.
A Cosan afirmou que a negociação está “em linha com sua estratégia de desalavancagem” e faz parte da avaliação de alternativas para a venda de parte de sua participação na Rumo, processo anunciado ao mercado no fim de junho.
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Quem quer levar a fatia na Rumo (RAIL3)?
A Rumo (RAIL3), que opera uma das principais malhas ferroviárias de cargas do país, conecta regiões produtoras do agronegócio e da indústria aos principais portos exportadores brasileiros.
É justamente essa participação que a Cosan agora avalia transformar em dinheiro para o caixa.
Segundo o Broadcast, entre os interessados que chegaram à fase vinculante estão o Grupo México e a Cofco, que teria apresentado uma proposta conjunta com a Bunge.
O Grupo Ultra, por sua vez, teria deixado o processo antes dessa etapa por falta de consenso em relação ao preço do ativo.
Já a Inpasa, biorrefinaria de grãos que também teria integrado as negociações e chegado a ser apontada por fontes como parte da etapa atual, afirmou à agência que “não fez proposta vinculante pelo ativo”.
Apesar do avanço das conversas, a Cosan ressaltou que ainda não há decisão sobre a efetiva realização de uma transação envolvendo sua participação na Rumo.
Como a holding de Ometto é acionista de referência da companhia, com pouco mais de 20% das ações, uma venda parcial não exigiria uma oferta pública de aquisição (OPA) para os demais acionistas minoritários da Rumo.
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Telefone VEJA AQUIVenda da Rumo é mais um passo na desalavancagem da Cosan
A possível venda de uma nova fatia da Rumo faz parte de uma estratégia mais ampla da Cosan para reduzir a alavancagem e reorganizar sua estrutura de capital — um desafio que ganhou peso com a alta dos juros e o aumento do custo financeiro da estratégia de expansão adotada pela holding nos últimos anos.
Para reforçar o caixa, a companhia já vinha recorrendo a diferentes alternativas. Há poucos meses, o conglomerado recebeu um aporte de R$ 10 bilhões do BTG Pactual, da gestora Perfin Investimentos e da família Ometto, fundadora da Cosan.
A monetização de ativos também entrou no radar. Em dezembro do ano passado, a companhia vendeu aproximadamente 4,98% da participação que detinha na Rumo.
Mesmo depois da operação, a holding permaneceu como principal acionista da companhia logística, com cerca de 20,33% do capital.
Segundo o Brazil Journal, o processo para avaliar uma nova venda começou em maio, com a aproximação de potenciais interessados. Em junho, a Cosan contratou o BTG Pactual como assessor financeiro para analisar possíveis transações envolvendo sua participação na operadora ferroviária.
Agora, com as propostas vinculantes na mesa, a alternativa começa a ganhar contornos mais concretos.
Como anda a dívida da Cosan?
No segundo trimestre, a dívida líquida da Cosan Corporate caiu 47% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 9,22 bilhões.
A redução foi ajudada pelos recursos levantados na oferta secundária de ações (IPO) da Compass (PASS3), dos quais cerca de R$ 2,3 bilhões foram usados para amortizar dívidas.
A companhia ainda encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 320 milhões, uma melhora de R$ 625 milhões em relação ao ano anterior. Segundo a Cosan, o resultado foi beneficiado principalmente pela menor despesa efetiva de impostos, pelo melhor resultado financeiro e pela redução das despesas gerais e administrativas.
Para entender o desafio financeiro da holding, há uma métrica que merece atenção especial: a cobertura do serviço da dívida. O indicador relaciona os dividendos recebidos das subsidiárias ao custo de servir a dívida da própria holding.
No fim do primeiro semestre, essa relação estava em apenas 0,2 vez. A meta da Cosan é levar o indicador para uma faixa entre 0,8 vez e 1,2 vez até o fim de 2026, com dividendos recebidos entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão.
Até agora, a companhia recebeu R$ 434 milhões em dividendos no primeiro semestre.
Considerando o ponto médio do guidance, de R$ 1,55 bilhão, isso significa que a Cosan ainda precisa buscar aproximadamente R$ 1,1 bilhão em dividendos na segunda metade do ano.
Parte desse valor já tem origem definida: R$ 586 milhões viriam da venda de terras agrícolas da Radar. Com isso, restariam cerca de R$ 530 milhões a serem recebidos das demais subsidiárias.
*Com informações do Estadão.
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