IBIT atrai mais de US$ 3 bilhões em Bitcoin de grandes detentores

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O volume de Bitcoin mantido em carteiras de autocustódia recuou pela primeira vez em cerca de 15 anos, e o motivo não foi um hack nem uma onda de vendas. Segundo a Bloomberg, o iShares Bitcoin Trust (IBIT), ETF à vista de Bitcoin da BlackRock, já absorveu mais de US$ 3 bilhões em depósitos diretos de Bitcoin por parte de grandes detentores até o fim de 2025.
Como funciona a criação em espécie
O mecanismo se chama criação em espécie (in-kind creation): em vez de vender Bitcoin por dólares e depois recomprar cotas do ETF, o que geraria um evento tributável, o participante autorizado entrega os próprios bitcoins ao custodiante do fundo e recebe cotas recém-emitidas do IBIT em troca. A exposição econômica permanece a mesma; o que muda é o invólucro jurídico, que sai de uma carteira pessoal para uma estrutura de fundo regulada.
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Comparison of bid/ask spreads across major Bitcoin ETFs following their January 2024 launch.
Para uma baleia com dezenas de milhares de bitcoins acumulados ao longo da última década, essa troca reduz o atrito de converter a posição para um ETF. O apelo, porém, vai além do aspecto tributário.
- PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO: cotas de ETF podem simplificar heranças que envolvem hardware wallets e seed phrases.
- INTEGRAÇÃO COM CORRETORAS: as cotas podem ficar ao lado de ações e títulos em uma única visão de portfólio.
- COLATERAL PARA CRÉDITO: cotas do IBIT podem servir de garantia em empréstimos por canais financeiros tradicionais, ampliando a liquidez em relação ao Bitcoin autocustodiado para a maior parte dos bancos.
- COMPLIANCE E RELATÓRIOS: recursos de reporte e compliance ligados a plataformas de gestão de patrimônio oferecem vantagens práticas para um grupo específico de investidores muito ricos.
Autocustódia ainda domina, mas a linha de tendência mudou
Apesar do movimento, a autocustódia continua sendo dominante. Um relatório da River Financial de agosto de 2026 mostra que indivíduos ainda mantêm cerca de 13,83 milhões de BTC em carteiras não custodiais – aproximadamente 65,9% da oferta total, com valor superior a US$ 800 bilhões. As reservas em ETFs e tesourarias corporativas seguem sendo uma fração desse total.
A segurança também pesa na balança. Falhas em hardware wallets registradas em agosto de 2026 resultaram em perdas estimadas entre US$ 116 milhões e US$ 130 milhões, reacendendo o debate sobre os riscos práticos de guardar as próprias chaves, sobretudo para pessoas cuja exposição ao Bitcoin representa uma parcela relevante de seu patrimônio.
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O que isso significa para o mercado
A migração da autocustódia para estruturas de ETF transfere Bitcoin de endereços on-chain menos transparentes para fundos regulados e auditados. Isso torna o mercado mais legível para investidores institucionais e reguladores.
A possibilidade de trocar Bitcoin por cotas sem a venda prévia também cria um incentivo para grandes detentores que consideram essa mudança. Além da eficiência tributária, os recursos de reporte, compliance, planejamento sucessório e integração com canais financeiros tradicionais ajudam a explicar por que esses produtos podem oferecer utilidade adicional a uma parcela específica de investidores.
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