Unipar está cada vez mais resiliente – mas BTG não vê upside

O BTG Pactual iniciou a cobertura de Unipar com recomendação ‘neutra’ e um preço-alvo de R$ 68 – reconhecendo que o negócio tem se tornado cada vez mais resiliente, mas com a ação já precificada de forma justa.
O preço-alvo representa um upside potencial de 19% em relação ao preço de tela. A Unipar negocia a R$ 57, com o papel caindo 7,7% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 6,4 bilhões na Bolsa.
Hoje, a ação cai 1,7% num dia de alta do Ibovespa.
“Nossa tese é simples: a Unipar está se tornando cada vez mais uma plataforma de cloro-álcalis, em vez de uma empresa essencialmente exposta aos spreads de PVC. Isso proporciona uma base de resultados mais resiliente, mas com potencial limitado de alta nos lucros a partir dos níveis atuais,” escreveu o analista Rodrigo Almeida.
“Revisões relevantes para cima nas estimativas de resultados exigiriam spreads de PVC mais fortes, mas a visibilidade sobre uma recuperação do mercado global de PVC continua baixa.”
O analista notou ainda que o recente ciclo de capex da companhia – que investiu R$ 1 bi numa modernização da planta de Cubatão, além de R$ 234 milhões numa planta em Camaçari – aumentou significativamente a alavancagem da companhia, elevando as despesas financeiras e reduzindo a conversão de EBITDA em fluxo de caixa para o acionista.
Isso deve levar a um foco maior da companhia na redução da alavancagem, limitando os dividendos no curto prazo.
“Como a valorização atual da ação já reflete boa parte da maior resiliência, vemos pouco espaço adicional para uma expansão do valuation,” escreveu o analista, acrescentando que considera a precificação atual da companhia justa.
Nas contas do BTG, a Unipar negocia a 7,2x seu EBITDA estimado para o ano que vem, um prêmio de 56% em relação a sua média histórica.
Já o free cash flow yield é de 6%, frente uma média histórica de 13%; e o dividend yield é de 5%, contra uma média de 10%.
No relatório, o analista lembrou que a Unipar normalmente é vista como uma ação que depende muito do spread do PVC, “mas achamos que isso cada vez mais subestima a forma como o negócio opera e onde os lucros são gerados.”
Para o banco, a demanda por cloro “é a principal âncora operacional do negócio, enquanto a soda cáustica é um co-produto inevitável do processo de eletrólise, e apenas parte do cloro produzido é posteriormente convertido em PVC.”
Com o PVC representando apenas 26% do EBITDA em 2026 (ante 77% em 2021), “vemos a Unipar cada vez mais como uma plataforma de cloro-álcalis, na qual produtos de cloro de maior margem e preços determinados localmente formam a base dos resultados, enquanto o PVC representa uma fonte mais cíclica de potencial de alta.”
Enquanto os produtos de cloro se beneficiam de uma estrutura de mercado local, de restrições logísticas e de uma demanda relativamente resiliente do saneamento, higiene e indústrias, o que garante margem mais estável; a soda cáustica é mais conectada aos benchmarks globais, e o PVC é um negócio tradicional de spreads exposto aos balanços globais de oferta e demanda e aos custos do etileno.
“Acreditamos portanto que a Unipar merece ser vista como um negócio mais defensivo do que um produtor puro de PVC, mas não completamente isolada dos ciclos de commodities,” diz o analista.
O BTG é o terceiro banco a cobrir a Unipar. Os outros dois são o Santander e a XP, que também têm recomendação ‘neutra’ para a ação.
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