Desktop (DESK3) engorda portfolio com a compra total de outra empresa de internet, mas ação cai forte na bolsa

A Desktop (DESK3) está engordando o portfólio antes de sair da bolsa brasileira. A empresa, que já detinha 70% da Fasternet, outra companhia de internet, anunciou a compra dos 30% restantes. Mas o mercado parece não ter gostado da nova aquisição. Nesta quarta-feira (26), os papéis caem 3,4%
A cifra paga pela companhia foi de R$ 98 milhões e, segundo o fato relevante publicado pela Desktop, a compra vai permitir “incremento nas eficiências operacionais e financeiras”, mas não deu detalhes.
A primeira fatia da Fasternet comprada pela Desktop, de 70%, foi adquirida ainda em 2023.
Na época, a empresa pagou um valor de R$ 209 milhões. Ou seja, o preço direcionado pelos 30% foi quase metade do que já havia sido desembolsado três anos antes.
Cabe lembrar que, em março, 73,01% das ações da Desktop foram compradas pela Claro, por R$ 2,41 bilhões e, em breve, terá uma oferta pública de ações (OPA) para sair da bolsa.
Fasternet: quem é?
A Fasternet faz parte da estratégia da Desktop na expansão pelo interior de São Paulo.
Fundada em 2001, a Fasternet atua no mercado de internet por fibra óptica e construiu presença em cerca de 40 cidades do interior paulista, incluindo municípios como Sorocaba, Piracicaba, Boituva e Franca.
Ao longo dos anos, a empresa se especializou em atender mercados fora dos grandes centros urbanos, tanto para internet residencial quanto corporativa.
Em 2023, quando a Desktop comprou 70% a empresa, 116 mil clientes foram adquiridos no portfólio. No último trimestre do ano, a aquisição ajudou a companhia a aumentar a receita em 33% em relação ao ano anterior.
A Desktop tem crescido nos últimos anos com a compra de outras provedoras de internet regionais, como a Fasternet.
Outras empresas que foram adquiridas desde 2020 pela Desktop são a Isso, Netell, Netion, C-Lig, Starnet, NetBarretos, LPNet, Infolog e IDC.
Desktop de saída da bolsa
A compra de 100% da Fasternet também ocorre em um momento de transformação para a própria Desktop.
Em março deste ano, a Claro anunciou que comprou 73,01% das ações da Desktop. A Claro estava em negociações para comprar a provedora de internet pelo menos desde outubro do ano passado.
O processo de compra segue em andamento e, depois que for concluído, a Claro será obrigada a abrir um registro de uma oferta pública para a aquisição das ações restantes da Desktop, em função da alienação de controle da empresa.
A Desktop estreou na B3 em 2021 com captação de R$ 715 milhões. Desde o início do ano, a ação DESK3 acumula alta de 8,9%.
Os burburinhos sobre uma possível aquisição da Desktop por outra gigante de telecomunicações já rondavam o mercado há algum tempo, principalmente entre a Claro e a Vivo.
A Claro possui 20% de participação de mercado, em comparação com os 15% da Vivo e 2% da Desktop.
Mas, ao olhar apenas para a internet por fibra óptica, a participação da Claro é de 6,6%, contra 15% da Vivo e 3% da Desktop, de acordo com dados obtidos pelo BTG Pactual.
Com a aquisição da Desktop, o principal ganho da Claro será no estado de São Paulo, onde ela tem 28% do mercado, enquanto Vivo é a líder com 31% (42% considerando apenas fibra) e a Desktop tem 7,4%.
Nas 198 cidades em que a Desktop opera, a empresa oriunda da fusão será a líder de mercado.
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