SEC mira fundo do prodígio da IA que quase implodiu em poucas semanas

O Situational Awareness, um hedge fund focado em inteligência artificial que já foi uma das sensações de Wall Street e é liderado por um gestor de apenas 24 anos, virou assunto no mercado financeiro quando quase entrou em colapso no fim do mês passado.
Agora, também está atraindo a atenção dos reguladores.
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) enviou recentemente intimações a bancos que executaram as operações do fundo e forneceram os empréstimos usados para ampliar suas apostas, segundo três pessoas com conhecimento do assunto que falaram sob condição de anonimato.
As intimações solicitaram detalhes sobre o momento das negociações realizadas pelo Situational Awareness e comunicações com credores relacionadas ao dinheiro emprestado ao fundo, conhecido no mercado como alavancagem, disseram duas dessas fontes. Os documentos também orientam os bancos a preservar qualquer informação relacionada ao fundo sediado em São Francisco.
A SEC supervisiona os mercados financeiros com foco na proteção dos investidores e frequentemente move ações civis contra gestoras que registram grandes perdas. Qualquer investigação sobre o Situational Awareness ainda estaria em estágio inicial, e não há garantia de que resulte em multas ou outras punições. O fundo não foi acusado de irregularidades.
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“É esperado que reguladores examinem de perto fundos que recebem grande atenção do mercado, entregam retornos expressivos ou sofrem perdas particularmente dramáticas”, afirmou um porta-voz do Situational Awareness em comunicado. “Somos um negócio altamente regulado e cooperaremos integralmente com qualquer solicitação dos reguladores.”
A SEC recusou comentar.
No auge, o Situational Awareness administrava mais de US$ 30 bilhões e havia tomado emprestados dezenas de bilhões adicionais. O fundo era um importante cliente de instituições como Bank of America, Citi, Goldman Sachs e JPMorgan Chase, segundo documentos regulatórios.
Representantes dos quatro bancos se recusaram a comentar.
O Situational Awareness teve uma ascensão meteórica e uma queda ainda mais rápida. Fundado há apenas dois anos por Leopold Aschenbrenner, ex-pesquisador da OpenAI, o fundo surfou a onda da inteligência artificial para obter retornos extraordinários.
Para alcançar esses resultados, porém, a gestora dependia fortemente de dívida, além de instrumentos financeiros complexos e caros que amplificam tanto ganhos quanto perdas. As perdas se acumularam rapidamente no mês passado quando as ações de empresas de IA listadas em Bolsa começaram a cair. Ao mesmo tempo, ações de companhias de tecnologia mais tradicionais, contra as quais o fundo estava apostando, subiram, agravando ainda mais a situação.
Diante disso, o Situational Awareness foi forçado a realizar uma liquidação acelerada de ativos. A maior parte de sua carteira de ações acabou sendo vendida com desconto para a rival Citadel.
(Um porta-voz da Citadel se recusou a comentar quando questionado sobre o recebimento de uma eventual intimação.)
Apesar dos problemas, o fundo ainda mantém uma possível fonte de recuperação. O Situational Awareness preservou sua participação na startup de IA Anthropic, que planeja abrir capital com uma avaliação que pode chegar a US$ 2 trilhões.
Além disso, a esposa de Aschenbrenner ocupa o cargo de chefe de gabinete do CEO da Anthropic, Dario Amodei.
c.2026 The New York Times Company


























