Em meio a temores de Selic mais alta, Ibovespa fecha em leve alta com alívio de Petrobras (PETR4)
Depois da divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central), temores de que a taxa básica de juros, a Selic, termine o ciclo em uma alta maior do que a prevista pressionaram o Ibovespa, mas o índice conseguiu fechar em território positivo com o apoio das ações da Petrobras, que devolveram parte das perdas que tiveram ao longo do dia.
O Ibovespa fechou o dia em alta de 0,21%, aos 112.234 pontos, com R$ 19,71 bilhões em volume negociado. No ano até aqui, o saldo é de alta de 7,07%, enquanto a variação de fevereiro é de ganho de 0,29%.
O petróleo teve forte queda no pregão de hoje, com o Brent fechando em baixa de 2,06%, a US$ 90,78 o barril, refletindo o avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, podendo chegar à retirada de sanções americanas sobre o país.
Apesar disso, a Petrobras (PETR4) conseguiu reverter parte das perdas registradas ao longo do dia, quando chegou a R$ 31,26 na mínima, e fechou em baixa de 1%, a R$ 31,83, ajudando a inverter o sinal do Ibovespa, que passou boa parte do pregão no negativo.
“Embora a negociação possa aumentar a oferta global, as negociações se arrastam por mais de um ano desde que o presidente Joe Biden assumiu o cargo, e conseguir que ambos os lados assinem um acordo será difícil”, afirma a XP Investimentos em relatório.
Do lado contrário, o minério de ferro disparou depois de o governo chinês dar mais cinco anos para o setor de siderurgia cumprir a meta de redução de emissão de carbono, segundo a agência de notícias Bloomberg. Com isso, hoje foi mais um dia em que a Vale (VALE3) ajudou a sustentar o Ibovespa perto da estabilidade. A mineradora fechou o pregão em alta de 1,4%.
Selic mais alta à frente?
A ata da última reunião do Copom, que na semana passada elevou a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, a 10,75% ao ano, e indicou redução do ritmo de aumento dos juros, atesta que as incertezas em torno da inflação e o atual estágio do ciclo de aumento dos juros não permitem a sinalização da magnitude das próximas altas na Selic.
“A incerteza particularmente elevada sobre os preços de importantes ativos e commodities, assim como o estágio do ciclo, fez o comitê considerar mais adequado, neste momento, não sinalizar a magnitude dos seus próximos ajustes”, afirmou o colegiado no documento, divulgado na manhã de hoje.
Na avaliação de economistas, o BC depende de muitos fatores ainda indefinidos para determinar o tamanho das altas daqui para a frente. Além da inflação, a política monetária nos Estados Unidos, a política fiscal no Brasil e até conflitos geopolíticos que afetam a cotação do petróleo são alguns deles.
A ata veio em linha com o comunicado divulgado pelo comitê, mas as diferenças apontam para uma postura mais hawhisk (mais inclinado ao aperto monetário) do que havia sido precificado, na análise de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, citando a sinalização de que, para buscar a convergência das expectativas de inflação para a meta, a autoridade deveria ter um ciclo mais austero do que o precificado pelo Boletim Focus.
“Trata-se de um reconhecimento que visa restabelecer a credibilidade do regime de metas. De todo modo, avalio que o mercado hoje passará a precificar algo mais salgado do que tinha ontem para a reunião de maio”, afirmou o economista, em comentários ao mercado.
O que mais mexeu no mercado?
O mercado também opera na expectativa pelo balanço do Bradesco (BBDC4), que será publicado após o fechamento. A expectativa é que os resultados fiquem perto da estabilidade. Em meio à espera, a ação do banco fechou em baixa de 0,57%.
No campo político, a PEC dos Combustíveis segue no radar. A proposta que tramita no Senado abre caminho para gastos de até R$ 17,7 bilhões neste ano, o que foge das regras de sustentabilidade das contas públicas. Os recursos devem ser utilizados para criar um “vale diesel” para caminhoneiros, subsidiar tarifas de ônibus urbanos e ampliar o vale-gás.
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Além do aumento de gastos, a equipe de analistas da Genial Investimentos aponta outra possível consequência da PEC: a desvalorização cambial. “Com a aprovação da PEC, teremos um aumento de déficit primário do setor público e aumento da dívida como proporção do PIB. Com isto, o risco fiscal aumentará, o que deverá levar a mais desvalorização do real frente ao dólar, pressão inflacionária e aumento das taxas de juros acima do já projetado neste momento”, disse a Genial em comentários ao mercado.
Destaques do pregão
No fechamento, as maiores altas do Ibovespa eram de Banco Inter (BIDI11), Banco Pan (BPAN4) e Natura (NTCO3), que subiram 8,13%, 7,88% e 5,36%, respectivamente. Na ponta oposta, Hapvida (HAPV3), brMalls (BRML3) e Petz (PETZ3) lideraram as perdas, com recuos de 3,97%, 3,64% e 3,37%.
A disparada do Banco Pan vem depois da divulgação do balanço, que mostrou que o lucro do banco aumentou 11% no quarto trimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 190 milhões, refletindo o crescimento da margem financeira e a expansão dos negócios da companhia.
A alta na Natura, por sua vez, segue análise positiva da gestora Verde Asset. Em documento enviado a clientes nesta terça-feira, citado por matéria do portal Money Times, a gestora disse ver a empresa com bons olhos, apesar das expectativas pessimistas para o resultado de curto prazo.
“Acreditamos que a Natura ainda está no estágio inicial de uma profunda transformação, calcada, principalmente, em dois pilares. As mesmas lideranças que comandaram a renovação da Natura Brasil a partir de 2016 estão à frente da reestruturação da Avon, empresa adquirida em 2020”, aponta o Verde, segundo o portal.
Fora do Ibovespa, outra empresa que surfou na divulgação do balanço foi a Porto Seguro (PSSA3), que fechou em alta de 3,58%. Apesar de ter reportado resultados mistos no quarto trimestre, com queda anual no lucro líquido, o crescimento de receita anotado pela companhia animou o mercado e deixou analistas otimistas com a ação no longo prazo.
Os frigoríficos subiram na esteira de bons resultados da americana Tyson Foods, o que aumenta as perspectivas para os balanços das brasileiras, que são expostas ao mercado dos EUA. Destaque para JBS (JBSS3), que subiu 4,62%, e Marfrig (MRFG3), com alta de 4,98%.
A forte queda da ação da brMalls, por outro lado, veio um dia depois de circular na imprensa a notícia de que a empresa retomou negociações para comprar a fatia da Ancar em alguns shoppings, em troca de participação acionária. Segundo apuração do site Pipeline, do Valor Econômico, a brMalls tem interesse em comprar a participação da Ancar em cinco ou seis shoppings.
Segundo uma fonte disse ao Pipeline, o negócio seria de cerca de R$ 2,5 bilhões. Se o negócio for realizado via participação acionária na brMalls, os donos da Ancar – Ivanhoé (do fundo canadense CDPQ) e a família Carvalho – poderiam chegar a ter uma fatia de 25%, na cotação atual.
Hapvida e Intermédica, que perderam 3,97% e 3,15%, respectivamente, deram sequência às quedas do pregão anterior, ainda refletindo a decepção do mercado com a divulgação das empresas das sinergias esperadas de seu processo de fusão.
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A novela do caso da Oi Móvel segue como um dos principais destaques corporativos. Segundo reportagem do jornal O Globo, os diretores da Oi (OIBR3) estão receosos com o desenrolar da venda dos ativos para Tim (TIMS3), Vivo (VIVT3) e Claro. De acordo com o jornal, os executivos também se questionam sobre as consequências que a possível não aprovação da operação poderia ter para a venda de outros ativos.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que aprovou em janeiro a venda da Oi Móvel para a aliança formada por Vivo, Tim e Claro, vai revisar a aprovação dos negócios, de acordo com informações do jornal O Globo. A agência foi acionada pela Copel Telecom, que alegou ilegalidade na decisão prévia.
A agência ainda não estabeleceu uma data para a reunião de seu Conselho Diretor que deverá revisar a venda. Mas, de acordo com o Globo, o processo pode se arrastar até depois do primeiro trimestre. A operação também precisa de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que está em processo de análise da negociação e deverá deliberar na quarta-feira (9).
O dia foi positivo no exterior. Em Nova York, o Nasdaq avançou 1,28%, o Dow Jones subiu 1,06% e o S&P 500 teve ganhos de 0,84%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 registrou alta de 0,21%.





















