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Ata do Copom: incertezas impedem sinalização do tamanho das próximas altas de juros

Ata do Copom: incertezas impedem sinalização do tamanho das próximas altas de juros

IPCA pressionado por commodities, risco fiscal e política monetária nos EUA elevam riscos

banco central Agência Brasil
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As incertezas em torno da inflação e o atual estágio do ciclo de aumento dos juros não permitem a sinalização da magnitude das próximas altas na Selic. A informação consta da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que na semana passada elevou a taxa básica em 1,5 ponto percentual, a 10,75% ao ano, e indicou redução do ritmo de aumentos dos juros.

A maior parte do mercado espera uma elevação de 1 ponto percentual na Selic na próxima reunião, que acontece em março.

“A incerteza particularmente elevada sobre preços de importantes ativos e commodities, assim como o estágio do ciclo, fez o comitê considerar mais adequado, neste momento, não sinalizar a magnitude dos seus próximos ajustes”, afirmou o colegiado no documento.

O documento apontou que os riscos para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) são maiores que o usual, e que o mais indicado para este momento é que a taxa básica continue avançando em um patamar “significativamente” contracionista.

Na avaliação de economistas, o BC depende de muitos fatores ainda indefinidos para determinar o tamanho das altas daqui para a frente. Além da inflação, a política monetária nos Estados Unidos, a política fiscal no Brasil e até conflitos geopolíticos que afetam a cotação do petróleo são alguns deles.

Mais 2023 que 2022

O colegiado reforçou, como já havia observado no documento da decisão tomada na primeira semana do mês, que está olhando mais para a inflação de 2023 do que de 2022. “O comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.

Analistas ouvidos semanalmente pelo Boletim Focus esperam um IPCA de 5,44% em 2022 (acima da meta de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo) e de 3,50% para o ano que vem (quando o objetivo é uma inflação de 3,25%).

O risco de que um aumento de gastos neste ano comprometa ainda mais a responsabilidade fiscal, puxando as expectativas do mercado para os preços, foi abordado na ata do Copom.

“A incerteza em relação ao arcabouço fiscal segue mantendo elevado o risco de desancoragem das expectativas de inflação, e, portanto, a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário de referência”, apontou.

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