Vale (VALE3) é o papel mais recomendado para janeiro; veja as indicações de 13 corretoras

Alta do preço das commodities e patamar ainda elevado do dólar devem beneficiar empresas exportadoras em 2022

Ana Julia Mezzadri

Ana Julia Mezzadri

Com a perspectiva de crescimento fraco da economia brasileira — o mercado projeta um avanço do PIB de apenas 0,36% para este ano — e o cenário de taxa de juros e inflação em alta e incertezas no ambiente político e fiscal, as ações de empresas exportadoras e com operações globais ganharam preferência nas carteiras recomendadas por 13 corretoras para janeiro.

Apesar do surgimento de uma nova variante mais contagiosa do coronavírus, o fato de até agora ela ter se mostrado menos letal reforça a expectativa de retomada do crescimento mundial, que, aliada ao patamar ainda elevado do dólar frente ao real, deve favorecer as exportadoras de commodities.

“Uma das maneiras de proteger seu capital do cenário de Brasil pode ser com alocação em empresas exportadoras, cuja receitas dependem muito mais do cenário externo (China, EUA, Europa) do que o interno”, aponta a Genial Investimentos, em relatório.

No momento, o BTG pactual também diz preferir setores que tendam a ter um desempenho relativamente forte em um cenário de inflação e taxas de juros mais elevadas, como empresas de consumo que prestam serviços ao público de alta renda, ações que performem bem com a alta dos preços globais de energia e empresas positivamente impactadas por um dólar mais forte em relação ao real.

Nesse cenário, as blue chips Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), que estão com preços tidos como descontados, estão entre as mais recomendadas para o primeiro mês do ano. “O setor de commodities, por exemplo, concentra os maiores descontos, com valuations bem atrativos”, destaca a Ativa Investimentos, em relatório.

Confira a seguir os cinco papéis mais indicados para janeiro.

Ação Número de indicações
Fontes: Ágora, Banco Inter, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite Corretora, Genial Investimentos, Guide, Mirae, Órama, Safra Corretora, Santander Corretora (Carteira Ibovespa+), Ativa Investimentos e Toro Investimentos.
Vale (VALE3) 10
 Petrobras (PETR4) 7
Suzano (SUZB3) 6
JBS (JBSS3) 6
Itaú Unibanco PN (ITUB4) 5

Vale é a ação mais recomendada para janeiro

Apesar da desvalorização de quase 25% do preço do minério de ferro em 2021, as corretoras ainda veem um cenário positivo para a Vale, suportado pela demanda aquecida da China, a manutenção dos preços da commodity e a possibilidade de distribuição de dividendos extraordinários ou de recompra de ações.

“Com o minério de ferro voltando a se recuperar, em reflexo à melhora de expectativas para a demanda na China em 2022, entendemos que os papéis da Vale, que ainda seguem descontados, devem continuar se valorizando”, apontou o BB Investimentos, em relatório.

O Santander espera que, com os preços do minério de ferro acima de US$ 100/t no médio prazo, a Vale pode anunciar mais dividendos extraordinários ou novos programas de recompra de ações.

“Mantemos nossa visão construtiva no médio e longo prazo para os setores de mineração e siderurgia, pois ainda enxergamos as empresas brasileiras do setor, a exemplo da Vale, como bem-posicionadas nos mercados interno e externo, com fluxos de caixa fortes, alavancagem controlada e, em sua maioria, companhias boas pagadoras de dividendos”, destaca o Santander, em relatório.

O BB destaca ainda o avanço da Vale na agenda ESG (que leva em conta fatores ambientais, sociais e de governança). Em dezembro, a Vale anunciou a venda da mina de carvão em Moçambique por US$ 270 milhões, marcado o avanço em seu plano de desinvestimentos e em seu objetivo de ser líder na mineração de baixo carbono.

A mineradora anunciou também a intenção em se firmar como uma das maiores produtoras de níquel, prevendo a produção de 175 mil a 190 mil toneladas entre 2022 e 2023.

Entre os riscos para o papel, contudo, estão uma redução da demanda chinesa por minério, considerando que a China representa aproximadamente metade da demanda global por esse produto; um aumento significativo de passivos relativos ao rompimento das barragens de Brumadinho e de Mariana, na disputa com credores da Samarco; uma queda nos preços do níquel e cobre; e um aumento da capacidade pelos concorrentes.

Suzano e JBS devem se beneficiar de alta das commodities

Com grande parte das receitas em dólar, as ações da Suzano (SUZB3) e JBS (JBSS3) são vistas como mais defensivas para o portfólio em 2022, devendo se beneficiar de um cenário ainda positivo para o preço das commodities.

“Com 80% do seu Ebitda originado em operações dolarizadas [exportações ou negócios em outros países], vemos na ação da JBS uma alternativa de proteção ao portfólio caso a recente depreciação do real perdure por mais tempo”, aponta o Santander, em relatório

O cenário para proteína animal no mercado externo continua positivo, com demanda aquecida e preços elevados, e com potencial para favorecer as exportações brasileiras de carne bovina no curto prazo, em meio à retomada recente dos embarques para a China, destaca o BB Investimentos.

A diversificação geográfica da empresa é fator que traz vantagem à companhia, aponta o Banco Inter, em relatório. “Sua estratégia de expansão através de aquisições, mesclada à sua alavancagem controlada e a bons resultados, resulta em um cenário positivo para empresa”, destaca o Inter.

Em dezembro, a JBS, por meio da subsidiária Rigamonti, anunciou a aquisição do Grupo King’s, líder de mercado na produção do Prosciutto di San Daniele D.O.P., por 82 milhões de euros. Para 2022, esperamos novas operações de fusão e aquisição, especialmente com fabricantes de alimentos processados, a potencial deslistagem da Pilgrim’s Pride nos EUA e a possível melhora do ciclo do gado no Brasil e na Austrália”, afirma a Guide Investimentos, em relatório.

Entre os riscos para a JBS estão uma nova elevação de preços dos insumos; indisponibilidade de gado e/ou outras matérias-primas; menor demanda por carne bovina na China; questões sanitárias e/ou embargos a exportações nas regiões de operação da empresa; e fatores ESG.

Já a Suzano, que tem mais exposição à celulose que a Klabin, deve se beneficiar do aumento do preço da commodity.

Em dezembro, a empresa anunciou dois aumentos de preços para o mercado chinês. “Este movimento reforça nossa visão positiva sobre o setor e os preços da celulose, nos quais vemos um potencial ciclo de reabastecimento na China suportando os preços de celulose no curto prazo”, afirma o Santander, em relatório.

A companhia aprovou um capex de R$ 13,6 bilhões em 2022, um pouco mais de duas vezes o valor estimado para o exercício de 2021, com a ampliação da produção de celulose com o projeto Cerrado, previsto para o segundo semestre de 2024.

“Temos boas expectativas para o setor em 2022, tanto para o segmento de celulose, que deve ser beneficiado pela demanda resiliente e por preços mais elevados, quanto para o setor de embalagens, ainda sentindo os efeitos positivos do maior consumo online e de exportações no setor de alimentos e bebidas”, afirmam os analistas do Inter.

Entre os riscos para o papel estão a valorização do câmbio, o arrefecimento econômico global, a queda no preço da celulose, a elevação de custos de fretes e falhas ou atrasos na execução do Projeto Cerrado.

Alta do preço do petróleo favorece ações da Petrobras

A perspectiva de aumento do preço do petróleo com a continuidade da recuperação da economia global deve favorecer as ações da Petrobras.

“A Petrobras segue apresentando bons resultados em meio à retomada dos preços do petróleo e o dólar em patamares mais elevados. Apesar dos riscos de uma possível intervenção na política de preços da companhia, em meio à escalada do preço do combustível, avaliamos que a governança da companhia evoluiu muito ao longo dos últimos anos e tem conseguido blindar possíveis intervenções, mesmo com a recente troca no comando”, aponta a Guide, em relatório.

A Petrobras vem reposicionando seu portfólio em ativos de maior rentabilidade, com foco na desalavancagem financeira da estatal. A forte geração de fluxo de caixa e a venda de ativos ajudou a empresa a atingir sua meta de dívida bruta, o que levou o conselho de administração a aprovar mais US$ 6 bilhões em dividendos, equivalente a um dividend yield de 8%.

“Acreditamos que a ação da empresa deve se beneficiar da continuidade do processo de redução do endividamento e a consequente adoção da nova política de dividendos, além do foco nos ativos com maiores retornos e dos níveis atuais do preço de petróleo”, afirma o Safra, em relatório.

Entre os principais riscos para o papel estão a queda do preço do barril de petróleo, o ritmo mais lento que o esperado na venda de ativos e a eventual intervenção na política de preços da companhia.

Itaú é o mais bem-posicionado para se beneficiar de alta de juros

A alta da taxa básica de juros, que deve atingir dois dígitos neste ano, deve beneficiar as ações dos bancos brasileiros. Nesse sentido, as ações do Itaú Unibanco foram destacadas pelas corretoras como a preferência para se posicionar no setor.

“Gostamos dos resultados do terceiro trimestre do Itaú, com a NII [margem financeira bruta] mais forte sendo o principal destaque positivo”, aponta o BTG Pactual.

Na visão da Guide, o banco está apresentando um forte desempenho operacional, com crescimento da carteira de crédito e manutenção da qualidade dos ativos, além de estar expandindo atuação no digital por meio do Iti, com suas 10 milhões de contas.

O Itaú ainda deve se beneficiar da transação relativa à participação na XP. Em outubro, as ações ficaram “ex” BDRs da XP, no qual cada acionista do Itaú recebeu BDRs da XP (XPBR31) na proporção de 0,0231 BDR para cada uma ação ITUB4 ou ITUB3. E como parte do acordo firmado no passado, o Itaú ainda vai exercer um direito de compra de participação adicional de 11,38% da XP ao múltiplo de 19 vezes o preço/lucro de 2021.

De acordo com cálculos do Santander, a operação vai gerar um ganho líquido de impostos de aproximadamente R$ 21 bilhões, ou cerca de 10% do valor de mercado de Itaú. “Vemos a transação de forma positiva e acreditamos que esse ganho financeiro será dividido entre pagamentos extraordinários de dividendos e reforço da estrutura de capital.”

No grupo de riscos para a tese de investimentos, entretanto, estão a deterioração da qualidade da carteira de crédito e a assimetria regulatória em relação às fintechs.

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