Petrobras (PETR4) fecha ano com mais um desinvestimento; o que vem pela frente?

Com adequação do endividamento, desinvestimentos e dividendos engatilhados, 2022 promete

O mercado piscou e já está prestes a mais uma eleição. Desde 2018, as estatais viveram sob a expectativa de privatizações.

Foto: Agência Petrobras

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Tem sido repetitivo. Na última terça-feira (28), a Petrobras (PETR4) anunciou mais um desinvestimento. Desta vez, a petroleira alienou 27 concessões terrestres de exploração e produção, no Espírito Santo.

No negócio, a Petrobras recebeu US$ 38 milhões (R$ 216,52 milhões), sendo que US$ 118 milhões (R$ 672,16 milhões) ainda estão pendentes, relacionados ao preço futuro do petróleo.

Como de praxe, a empresa informou que a operação está alinhada à estratégia de gestão de portfólio e à melhora da alocação do capital da empresa, com o objetivo de maximizar o maior retorno à sociedade.

Até o dia 7 de dezembro, a empresa havia realizado a venda de 17 ativos e a conclusão de 14 processos de desinvestimento ao longo de 2021. Isso trouxe US$ 4,8 bilhões (R$ 27,32 bilhões) ao seu caixa. 

Esse foi, definitivamente, o ano em que a Petrobras voltou aos trilhos. A empresa fez questão de enfatizar que concentra seus recursos em ativos de águas profundas e ultraprofundas, onde possui maiores vantagens competitivas, matéria-prima de maior qualidade e que degrada menos o ambiente. 

Saiba mais: Petrobras quer vender fatia na Braskem, desde que a petroquímica migre para o Novo Mercado

Não obstante, ao longo de 2021 foram recuperados R$ 6,17 bilhões por meio de acordos de colaboração, leniência, repatriações e renúncias em decorrência de processos judiciais. 

Após iniciarem o ano de forma turbulenta, com a mudança do presidente da empresa, as ações da Petrobras fecham 2021 de forma estável, com leve queda, descolando do Ibovespa. O que vem pela frente?

Desempenho das ações PETR4 (azul) e do Ibovespa (amarelo) nos últimos 12 meses

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Conjuntura internacional ao lado da Petrobras

Entre todos os efeitos da retomada econômica global em recuperação ante a pandemia, um dos principais é o aumento do preço do petróleo.

O óleo tipo Brent, com o qual a Petrobras trabalha, deve fechar o ano com alta de mais de 50%. Com melhor eficiência e volumes mais caros, a empresa conseguiu ampliar seus resultados acima da expectativa do mercado.

No terceiro trimestre, a receita líquida da companhia subiu 71,9% na base anual, para R$ 121,59 bilhões. Os ventos positivos reverteram o prejuízo, trazendo um lucro líquido de R$ 31,14 bilhões. 

O desempenho operacional satisfatório junto ao controle pesado do endividamento e dos custos abriram espaço para o tombo da alavancagem da empresa. A relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) fechou setembro em 0,94 vez, o menor índice desde o mesmo mês de 2011. 

Redução da alavancagem financeira

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) manteve, neste mês, as previsões de expansão da oferta no mercado e de crescimento da demanda para o óleo nos próximos meses.

Por mais que seja esperada uma desaceleração do preço da commodity, é factível que o petróleo se mantenha em alto patamar no ano que vem, já que o cartel considera as novas ameaças da pandemia, como a variante ômicron, “brandas e de curta duração”.

Com isso, o endividamento da companhia continuará sob controle. A empresa atingiu com um ano de antecedência uma meta de dívida bruta de US$ 60 bilhões, terminando o terceiro trimestre US$ 400 milhões abaixo desta marca.

Essa foi uma grande vitória da empresa, que divulgava o objetivo ao mercado há alguns trimestres. Em 2014, a dívida bruta estava em US$ 130 bilhões, mais do que sete vezes superior à geração de caixa operacional. Vitória, também, dos investidores insistentes.

Petrobras quer recompensar insistentes

Dada a contínua desalavancagem, a remuneração a acionistas já apareceu e acelerará nos próximos anos. Segundo a companhia, até 2026 serão pagos entre US$ 60 bilhões e US$ 70 bilhões em dividendos, que devem ser trimestrais e, eventualmente, extraordinários.

O mercado estima que o montante em caixa da empresa fique próximo de US$ 10 bilhões, e todo o restante seja pago aos acionistas. 

Outros grandes desinvestimentos, como a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), que já foi alienada, e por meio do follow-on para a venda da participação na Braskem (BRKM5), também devem forrar o bolso dos investidores. 

Retomada do pagamento de dividendos pela Petrobras, demonstrado pelo DY acumulado de 12 meses

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Montanha-russa à frente

Como nada é um mar de rosas, pode-se esperar alta volatilidade nos papéis da Petrobras no ano que vem, por mais que a empresa seja uma das mais promissoras do ponto de vista de resultados. O motivo é único: eleições presidenciais

As dúvidas do mercado quanto às empresas estatais em meio às tensões em Brasília têm razões claras. Embora o cenário político esteja polarizado, ambas as vertentes mais fortes possuem traços populistas, o que remete a interferências políticas.

A Petrobras, especificamente, é sensível ao âmbito social em função da paridade de preços internacionais dos combustíveis. Uma alta inflação não é bem vista por ninguém. 

Mesmo que nenhuma ameaça se materialize, intensos altos e baixos são comuns nos papéis da petroleira em anos de eleição. 

  • 1998: -47,72%
  • 2002: -9,32%
  • 2006: 33,87%
  • 2010: -22,99%
  • 2014: -37,72%
  • 2018: 45,91%

O investidor de longo prazo deve se ater aos fundamentos da empresa. A volatilidade, embora entendida como risco em alguns momentos, pode se transformar em grandes oportunidades.

Desde o primeiro pregão de 1998 até hoje, as ações da Petrobras subiram 742%.

Relativamente, Petrobras está barata

Mesmo com os riscos inerentes à Petrobras, atuante em um mercado emergente e ainda em processo de perpetuação de controle da dívida, a empresa parece estar muito barata em relação aos pares internacionais. 

De forma relativa, em comparação a alguns dos players mais importantes do mundo, a empresa é mais rentável e negocia a múltiplos mais palpáveis. 

P/L EV/EBITDA ROE VALOR DE MERCADO (US$)
SHELL 36,9 6,1x 2,79% 168 BILHÕES
EXXON MOBIL 7,95x -3,64% 259 BILHÕES
CHEVRON 22,85 8,3x 7,45% 228 BILHÕES
PETROBRAS 2,87 2,3x 36,20% 71 BILHÕES

O que o mercado pensa sobre a petroleira

De acordo com dados compilados pelo Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, 11 analistas acompanham a empresa. Desses, 10 recomendam a compra das ações neste momento, sendo que dois o fazem de forma urgente, algo como uma indicação de “compra forte”.

Apenas um analista indica a manutenção da posição acionária. Ninguém acha que este é um bom momento para se desfazer dos papéis. 

Na melhor das hipóteses, as ações da empresa podem subir até R$ 44, com um upside de 54%. A mediana dos preços-alvo mostra que os papéis da Petrobras podem alcançar R$ 36, um potencial modesto de 26% em valorização.

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