A volatilidade na Bolsa de Valores é risco ou oportunidade?

As consequências da montanha-russa na Bolsa são alvo de debate entre acadêmicos e profissionais do mercado

O Ibovespa cai mais de 10% no acumulado de 2021, em um ano marcado pela alta volatilidade na Bolsa de Valores.

Foto: Pixabay

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A expansão da política monetária vigente até o começo de 2021 contribuiu fortemente para o aumento da base de investidores na Bolsa de Valores brasileira. Em três anos, o número de CPFs subiu cerca de 320%. Esse avanço, por mais benéfico que seja, sugere alguns cuidados. 

O Ibovespa vem de cinco anos consecutivos de fechamento no azul. Mesmo com o impacto da pandemia, o maior índice da Bolsa de Valores do Brasil fechou 2020 em leve alta. Mas parece que este ano não terá o mesmo caminho.

O índice cai mais de 10% no acumulado de 2021, em um ano marcado pela alta volatilidade em alguns dos papéis mais líquidos. 

De acordo com a B3, o primeiro investimento do brasileiro era, em média, de R$ 5,7 mil em 2015, e caiu para aproximadamente R$ 1,6 mil em janeiro de 2020. Já em junho deste ano, o valor mediano do aporte inicial atingiu R$ 352, o menor patamar da série histórica. 

Com tanta gente nova no mercado, o que é essa tal da volatilidade? O que realmente significa? A variação do preço dos ativos, em si, incorre em risco?

Essas são algumas das perguntas que o investidor precisa procurar responder antes de comprometer parte de seu patrimônio. 

Conceito de volatilidade

A volatilidade é definida como uma medida estatística da frequência de variação do preço de ativos ou índices de mercado. 

No âmbito acadêmico, a volatilidade é dada pelo desvio padrão. Este expressa o grau de dispersão de um conjunto de dados em relação a uma média.

Ou seja, quanto mais intensa a variação do preço de uma ativo financeiro em determinado período de tempo, maior a volatilidade, por razões diversas. Consequentemente, isso valoriza ou desvaloriza o patrimônio atrelado a este ativo. 

Como o nome já indica, a renda variável no mercado de capitais está diretamente ligada à volatilidade. Trata-se de um movimento natural que, em função da conjuntura, pode ser grande ou pequeno, e tem chamado atenção aqui no Brasil.

O Ibovespa possui uma volatilidade anualizada de 21% nos últimos 12 meses, segundo a B3. Isso é muito ou pouco? É maior do que o S&P 500, por exemplo, que atingiu uma volatilidade média de 18% no último ano, de acordo com o Yahoo Finance

Porém, algumas empresas com apelo às pessoas físicas na B3 têm volatilidade muito maior que o índice brasileiro.

O Magazine Luiza (MGLU3), por exemplo, tem volatilidade anualizada de 55,06% nos últimos 12 meses. 

A empresa comandada por Frederico Trajano tem passado por um forte momento de turbulência na Bolsa de Valores. A Magalu subiu incríveis 54.580% entre outubro de 2015 e a máxima histórica, novembro do ano passado.

Desde então, a queda beira os 77%. 

Desempenho das ações MGLU3 (azul) e do Ibovespa (amarelo) nos últimos 12 meses

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Em uma situação hipotética, quem comprou no fundo do poço e segurou até hoje, ainda assim teria um retorno inimaginável de 12.520%. 

Mas, neste meio, houve muita volatilidade. Não são todos os investidores que têm estômago para ver o patrimônio variar de forma tão intensa. 

A mesma situação, em um grau ainda mais elevado, é observada nos papéis da Méliuz (CASH3), que chegou à Bolsa há pouco mais de um ano. 

As ações da empresa têm volatilidade anualizada de 99% nos últimos 12 meses. Integrante do setor de tecnologia – que no Brasil se confunde com temas relacionados a meios de pagamento, e-commerce e cashback – a empresa tem sofrido com a alta das taxas de juros mundo afora

Ainda que possa ser considerado um IPO bem-sucedido, com direito a desdobramento de ações e alta de 634% até a máxima e, até hoje, de 93%, o histórico é carregado de incertezas.

No terceiro trimestre deste ano, a empresa apostou todas as fichas em pessoal, sentiu a desaceleração da economia e percebeu o desenvolvimento da concorrência ao reverter o lucro do mesmo período do ano passado e registrar perdas. 

Por outro lado, novembro teve um volume bruto de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) de R$ 923 milhões, seu maior patamar da história. No dia da divulgação, sua ação subiu 31%. 

A volatilidade, que afastou os investidores quando as ações não respondiam bem ao cenário mais complicado, os impediu de surfar mais um recorde da empresa. 

Afinal, essas altas variações de curto prazo dizem o que sobre as empresas? São riscos ou oportunidades? 

Ame ou odeie

Uma das maiores discussões entre os profissionais do mercado diz respeito à pergunta: a volatilidade é risco? Como os economistas falam, depende. 

Segundo o megainvestidor Warren Buffett, a volatilidade não é uma medida de risco. O verdadeiro risco está na possibilidade de perda permanente de capital. 

Com isso, uma medida que retrata o passado não pode ser dada como mensuração de risco para o futuro, como o desvio padrão ou o beta, outra medida estatística, são, segundo ele.

O conceito de risco está intrinsecamente ligado às incertezas dos investidores. Essas incertezas são materializadas no sentimento deles, que negociam os ativos com base em suas perspectivas – e elas podem estar erradas. 

Além disso, muitos dizem que a volatilidade está associada ao risco de mercado, mas esse é apenas um tipo de risco que os investidores podem estar expostos. Outros são:

  • risco operacional;
  • risco de liquidez;
  • risco de crédito.

O comportamento racional é a aversão ao risco (leia-se perda definitiva do patrimônio). Se o investidor não estiver preparado e não souber diferenciar os sinais e os ruídos, a volatilidade se torna um risco, pois, em função da alta variação de preços, a saída de uma posição perfaz uma perda permanente de capital.

Em suma, a intensidade da mudança de preços, seguindo o humor do mercado, pouco diz respeito ao risco propriamente dito.

A aplicação na poupança, por exemplo, é um investimento que – literalmente – não tem variação. O capital é ajustado somente no aniversário, data mensal em que é aplicada a rentabilidade. 

Porém, neste caso o risco está na perda do poder de compra real. Hoje, a poupança rende 0,50% ao mês, o que de forma anualizada equivale a 6,17%, sendo que a inflação projetada para 2021 está em 10,04%, de acordo com o Focus. 

O investidor brasileiro, que viu a taxa de juros despencar em alta velocidade desde o início do ano passado, foi “forçado” a se aventurar na renda variável após ver a rentabilidade da renda fixa ruir. Com a tradição rentista, do “1% ao mês”, a volatilidade pode ser vista como risco em si. Mas não é. 

O Magazine Luiza chamou atenção de milhares de investidores pelo volumoso retorno dos últimos anos. O número de investidores pessoa física saltou de 31,3 mil em julho de 2019 para 552 mil em julho deste ano, conforme a plataforma do TradeMap

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Muitos desses, que viram a volatilidade tombar as ações neste ano, realizaram as perdas simplesmente por terem perpetuado o passado, como se o histórico vencedor na Bolsa fosse garantia de rentabilidade futura. 

Mesmo com o mal momento, especialistas mostram-se otimistas. O Refinitiv compilou 15 recomendações para os papéis do Magalu, sendo 10 de compra e cinco de manutenção das ações. Ninguém acha que é momento de vender, por mais que os preços-alvos estejam ficando longe da realidade. 

Saiba mais: Por que o preço-alvo dos analistas está tão distante da realidade?

Como diminuir a montanha-russa na Bolsa de Valores

Antes de tudo, desde o aspirante até o veterano de Bolsa de Valores devem ter sua reserva de emergência robusta. A montanha-russa do mercado acionário é lugar para investimentos de longo prazo. Curtos períodos de tempo são completamente imprevisíveis. 

Ademais, todo e qualquer investidor não deve investir naquilo que não conhece ou que não o deixa dormir à noite. O que foge dessa regra torna-se uma aposta, deixando de ser um investimento. 

Neste sentido, surge a importância do respeito ao perfil de investidor. O chamado suitability, processo de adequação de produtos ao investidor, combina o risco assumido, a volatilidade esperada e a potencial rentabilidade, adequado com base nas perspectivas de cada um. 

Além disso, a volatilidade da carteira pode ser reduzida com a diversificação entre classes de ativo e moedas. Estudos mostram que 15 a 20 ativos diminuem em grande parte a variação da carteira, sem prejudicar sua rentabilidade. 

O desvio-padrão é uma medida estatística que possui alta importância. Em resumo, ele indica probabilidades maiores de eventos extremos serem refletidos no preço dos ativos, mas não mostra o tamanho do risco assumido. 

Benjamin Graham, principal referência de Buffett, em seu livro O Investidor Inteligente, diz que quem não estiver preparado para ver suas ações valorizarem 50% e, em seguida desvalorizarem cerca de 33% em um curto espaço de tempo, portanto voltando ao patamar inicial, não pode ser chamado de investidor.

“O investidor que se deixa influenciar pela massa ou se preocupar sem razão com o efeito de quedas de mercado injustificadas sobre sua carteira está transformando, de forma perversa, sua vantagem básica em uma desvantagem básica”, diz Graham. 

Desde que se tenha plena consciência dos movimentos na Bolsa de Valores, a volatilidade pode ser uma grande aliada. Ela, todavia, machuca quem não detém o ferramental correto.

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