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Com Selic de 9,25% ao ano, poupança passa a remunerar todo investidor com taxa de 0,50% ao mês; entenda

Com Selic de 9,25% ao ano, poupança passa a remunerar todo investidor com taxa de 0,50% ao mês; entenda

Com elevação dos juros nesta quarta, essa será a primeira vez que a poupança voltará a remunerar o investidor com juro fixo

previdência privada Imposto de Renda
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A alta da taxa Selic para 9,25% ao ano altera a remuneração dos depósitos da poupança a partir desta quinta-feira (9). A mudança, no entanto, não irá deixar o tradicional investimento mais atrativo em relação às demais opções de investimento consideradas de baixo risco, ainda mais em um momento de juros em elevação.

A poupança tem duas regras de remuneração. Quando a Selic está no patamar de até 8,5% ao ano, a caderneta paga 70% dessa taxa anualizada mais a variação da TR (taxa referencial, atualmente zerada).

Passando desse nível de taxa, que é o que aconteceu nesta quarta-feira, a poupança passa a remunerar com retorno fixo de 0,50% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais a variação da TR. A mudança foi adotada em maio de 2012 – depósitos feitos até então respeitam a segunda forma de rentabilidade.

Com a elevação dos juros hoje, essa será a primeira vez desde setembro de 2017 que a poupança voltará a remunerar todos os investidores em 0,50% ao mês.

A remuneração fixa significa dizer que, quanto mais a Selic suba, mais distante fica o rendimento da poupança das outras alternativas de investimento consideradas de baixo risco.

“A poupança não é um investimento atraente mesmo com a alta da Selic. A melhor alternativa é um Tesouro Selic ou um CDB de liquidez diária, além de fundos Tesouro Simples com zero taxa de administração”, diz Marcelo Lara, gestor da Journey Capital.

Quanto rende?

Em uma aplicação de R$ 1 mil e considerando a Selic em 9,25% ao ano, o rendimento na caderneta de poupança seria de R$ 1.062 após um ano. Não há incidência de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos da caderneta.

Já no Tesouro Selic, o investidor teria ao fim de um ano R$ 1.076, esse valor considera a alíquota de 17,5% do IR que incide sobre rendimentos da renda fixa resgatados após um ano de aplicação — a tabela é regressiva, começando em 22,5% e indo até 15% para aplicações com mais de dois anos.

Outra comparação pode ser feita com os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), que são títulos emitidos pelos bancos e que, assim como a caderneta de poupança, possuem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – limitada a R$ 250 mil por investidor por instituição financeira. A poupança tem essa mesma proteção.

Na plataforma TradeMap, é possível encontrar algumas opções de CDBs que pagam mais de 100% do CDI e com liquidez diária.

Em um exemplo em que esse papel pague uma remuneração de 110% do CDI, o investidor receberia, já descontando o IR, R$ 1.083,94 ao fim de um ano.

 

Seus investimentos com a alta da Selic

Mais de R$ 1 trilhão

Apesar de perder para outras opções de investimento, a poupança segue na lista dos brasileiros quando o assunto é investir. O saldo depositado na caderneta é de mais de R$ 1 trilhão. Esse valor supera categorias de fundos de investimento tradicionais, como de previdência privada e de ações, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Na época da mudança da regra de remuneração da poupança, em 2012, a Selic estava em 9% ao ano e em trajetória de queda, mas a caderneta era vista como um entrave para a continuidade do movimento de redução dos juros.
Havia o temor de que, com a taxa básica caindo, investidores que compravam títulos públicos, ou seja, que financiam a dívida do governo, migrassem para a poupança.

No ano passado, com as pessoas cautelosas em relação ao desenrolar da pandemia da Covid-19 e os incentivos concedidos, a poupança registrou captação positiva de R$ 166,3 bilhões, a maior da história. Já em 2021, dos 11 meses já concluídos, em sete a caderneta teve mais saques que depósitos, chegando a uma captação negativa de R$ 43,157 bilhões.

Controle da inflação

Fernando Bevilacqua, gestor da Levante Asset, lembra que o movimento de alta da Selic, que começou em janeiro, tem como foco o combate à inflação. O IPCA chegou a 10,67% no acumulado dos 12 meses encerrado em novembro.

É esse contexto que explica a expectativa de novas altas da Selic. O Relatório Focus aponta para uma taxa Selic de 11,25% em dezembro do ano que vem.

Mas qual inflação o BC busca? No Brasil, temos o sistema de metas de inflação. O BC precisa perseguir a meta de inflação — medida pelo IPCA –, que é determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para um determinado ano.

O centro da meta de 2022 é de 3,50%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, significa que, se no ano que vem, o IPCA ficar entre 2% e 5%, o BC cumpriu a meta.

O problema é que, para a autoridade monetária chegar a essa meta, teria que continuar com esse ritmo de alta dos juros, que tem efeito sobre a atividade econômica. Com juros mais elevados, menos empresas vão investir e as pessoas poderiam adiar o consumo. Isso tem o potencial de afetar o PIB, que já aponta para uma desaceleração para o ano que vem.

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