Petrobras (PETR4) vira boa aposta com dívida baixa e dividendo mais elevado

Além de apresentar resultados fortes e reduzir seu endividamento, companhia aumentou a distribuição de proventos

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Foto: André Motta de Souza/Agência Petrobras

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O aumento nos preços do petróleo ajudou a Petrobras a apresentar resultados mais fortes nos últimos trimestres e a reduzir seu nível de endividamento, abrindo espaço para aumentar a distribuição de proventos. As ações da empresa (PETR4) subiram 8,00% em novembro. No acumulado do ano, a alta chega a 13,76%, com o papel prefencial cotado a R$ 29,43.

A companhia atingiu com um ano de antecedência a meta de diminuir a dívida bruta para US$ 60 bilhões – o número terminou o terceiro trimestre em US$ 59,6 bilhões –, principalmente por causa da receita com vendas de ativos. Além disso, o prazo médio da dívida aumentou, saindo de 12,54 anos para 13,50 anos. A dívida líquida caiu 9,6%, para US$ 48,1 bilhões, e passou a ser apenas de 0,94 vez o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 12 meses – o menor índice desde o terceiro trimestre de 2011.

Grafico Div liqEBITDA Petrobras

Parece engraçado comemorar uma dívida bruta que beira a casa dos US$ 59,6 bilhões, ou cerca de R$ 327 bilhões, mas, se olharmos a trajetória, notamos que a celebração se justifica. A Petrobras chegou a ter uma dívida bruta acima de US$ 130 bilhões em 2014, mais de sete vezes superior à geração operacional de caixa. Uma trajetória impressionante de recuperação, que já vem sendo reconhecida pelo mercado.

No dia 28 de setembro, a agência de classificação de risco Moody’s elevou a nota de crédito da Petrobras em 1 nível, de “Ba2” para “Ba1”, com perspectiva estável. A agência também elevou o rating intrínseco da companhia em 1 nível, de “ba2” para “ba1”. Com este upgrade a Petrobras é classificada um nível acima do governo brasileiro, o que, segundo a Moody’s, decorre do perfil de crédito superior da companhia, incluindo a comprovada resiliência em condições econômicas e de negócios adversas.

Com uma desalavancagem consistente, aumento na geração de caixa, preços do petróleo elevados e a continuidade da redução da dívida frente ao Ebitda, a Petrobras anunciou que pretende distribuir entre US$ 60 bilhões e US$ 70 bilhões em dividendos nos próximos seis anos. A expectativa é pagar dividendos trimestrais, com eventuais pagamentos extraordinários.

Além disso, a companhia também anunciou o seu plano de investimentos para os próximos cinco anos. A quantia que a estatal pretende investir passou por uma revisão, com um alta de 24%, ou US$ 13 bilhões, frente às projeções antigas, chegando a US$ 68 bilhões.

Preço atraente e cenário positivo

Atualmente, a Petrobras está negociando abaixo de suas médias históricas. Considerando a relação entre o valor de firma e o Ebitda, que é uma aproximação da geração de caixa da empresa, a Petrobras era cotada a 2,26 vezes no terceiro trimestre de 2021, sendo que a média dos últimos 36 meses é de 6,77 vezes.

Grafico EVEBITDA Petrobras 1024x454 1

Em comparação com pares internacionais, Exxon Mobil (XOM) e Chevron (CVX), a Petrobras está negociando a múltiplos muito atrativos.

Segundo projeção da Refinitiv para 2022, a Petrobras tem um índice EV/Ebitda de 3,15 vezes enquanto, a XOM está em 5,54 e CVX, em 5,56 vezes. O EV, neste caso, é uma métrica chamada “valor da empresa”, que mede o valor de mercado e das dívidas da companhia menos o caixa e equivalentes de caixa.

Se mudarmos o critério e olharmos para o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês), que ajuda a entender qual é o retorno percentual a partir dos recursos que as empresas acumularam e que dispõem para movimentar o processo produtivo, mais uma vez a Petrobras sai na frente, mostrando que a empresa vem conseguindo atingir melhores resultados, como é possível ver abaixo.

EVEBITDA E ROE Petrobras

De um grupo de 11 analistas que acompanham a empresa, nove recomendam compra das ações e apenas dois têm recomendação de manutenção.

O preço-alvo mais otimista aponta para R$ 44,00 por ação, um potencial de alta de 49,5%, considerando o preço de fechamento de R$ 29,43 por ação do dia 30 de novembro de 2021. Na mediana, as projeções estão em R$ 36,00, o que representaria avanço de 22,3%.

Especialistas Petrobras

Portanto, consideramos que a perspectiva para a Petrobras continua bastante animadora, com o cenário macroeconômico positivo e o petróleo em torno de US$ 80 o barril.

Outro ponto positivo é a continuidade das vendas de ativos, que ajuda a empresa a manter níveis baixos de alavancagem e maior geração de caixa. Até o fim de outubro foram assinadas vendas de 17 ativos, com destaque para a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), a Refinaria Isaac Sabbá (REMAN) e a BR Distribuidora. Além disso, 13 processos foram concluídos, destacando-se as vendas da BR Distribuidora e de 10% da NTS.

A entrada de caixa em 2021 referente a essas transações, incluindo o adiantamento recebido pelas assinaturas, resultou no ingresso de US$ 2,9 bilhões em caixa até 27 de outubro.

A possibilidade de pagamento de dividendos mais altos também agrega valor à Petrobras e pode fazer a companhia performar melhor que o Ibovespa no ano de 2022.

Os riscos políticos são um ponto de atenção, visto que há possibilidade de intervenção do governo federal, principal acionista, nas decisões sobre os preços praticados pela empresa. A postura do presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, é pró-mercado e mostra que garantirá a autonomia da companhia e a atual política de preços, bastante favorável aos resultados.

Resultados trimestrais fortes

A Petrobras apresentou sólidos resultados no terceiro trimestre de 2021, com lucro líquido de R$ 31,142 bilhões ante o prejuízo de R$ 1,54 bilhão apurado no mesmo período do ano passado. O resultado da companhia foi impulsionado pelo aumento da cotação do petróleo no mercado internacional e pelo crescimento da receita com a venda de combustíveis no mercado interno.

Lucro liquido Petrobras

A produção média de óleo, líquido de gás natural (LGN) e gás natural alcançou 2,83 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) no período, um aumento de 1,2% em relação ao trimestre anterior, mesmo em um cenário ainda de restrições em função da pandemia da COVID-19. O pré-sal atingiu 71% da produção, com destaque para a entrada em operação do FPSO Carioca (campo de Sépia) e o atingimento do topo de produção do FPSO P-70 (campo de Atapu).

As vendas de derivados no trimestre alcançaram 1,9 milhão de barris por dia (bpd), 10,7% maiores do que no segundo trimestre de 2021, com aumento na comercialização de todos os produtos. A produção de derivados nas refinarias também subiu 11% no mesmo período devido à maior demanda do mercado interno e à maior disponibilidade das unidades de refino.

Na comparação entre o segundo e o terceiro trimestre, o fator de utilização das refinarias aumentou de 75% para 85% e, em outubro, chegou a alcançar 90%.

Em termos da composição da receita no mercado interno, o diesel e a gasolina continuaram a ser os principais produtos, respondendo juntos por 70% da receita nacional de vendas de derivados de petróleo no terceiro trimestre.

composicao da receita PETROBRAS

Outro grande destaque do período foi a melhora do caixa e sua forte redução do endividamento. A Petrobras apresentou significativo crescimento no caixa operacional e no fluxo de caixa livre, totalizando R$ 55,1 bilhões e R$ 47,2 bilhões, respectivamente, e o Ebitda ajustado* recorrente ficou em R$ 63,8 bilhões, elevação de 71,4% ante o terceiro trimestre de 2020.

Tabela financeira Petrobras

A Petrobras é a grande culpada pela alta nos preços da gasolina?

Não. A resposta é bem simples e direta. Mesmo mostrando melhora em seus números operacionais e financeiros, desde que assumiu a paridade de preço internacional (PPI), não acreditamos que a Petrobras seja a grande culpada pelos altos preços que são cobrados pela gasolina.

Consideramos que a Petrobras, como uma empresa de economia mista, controlada pela União mas com 63,25% do capital nas mãos de investidores, deve prezar pelo bom gerenciamento de seu resultado. Além disso, o valor final da gasolina não só reflete o aumento no preço das refinarias para as distribuidoras, como são embutidos impostos e margens das distribuidoras e das revendedoras (postos de gasolina).

A parcela da companhia na composição final sobre os preços dos combustíveis no Brasil é de algo em torno de 33% para a gasolina, 54% no caso do diesel e de 47% no gás liquefeito de petróleo (GLP). Sobre o preço da gasolina o maior peso parte de impostos, representando em torno de 39% do total.

postos Petrobras

Em 2021, a Petrobras reajustou os preços da gasolina 15 vezes, com 11 aumentos e quatro reduções. Os preços do diesel foram reajustados em 12 situações, com nove aumentos e três quedas. No ano, a gasolina subiu 74% e o diesel, 64,7%.

Desde que assumiu a paridade de preço internacional, a companhia é bastante questionada dada a forte alta dos combustíveis nas bombas, com reflexos sobre a economia brasileira, especialmente na inflação. No entanto, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, reafirmou que continuará utilizando a política de preços, mesmo com as insistências do governo em solicitar a redução dos reajustes de preços nas refinarias.

Vale destacar que a política de preços da Petrobras tem como componente central do reajuste a paridade de importação (PPI), as cotações internacionais do preço do petróleo e o dólar.

Depois de anos praticando o preço controlado, a Petrobras começou a trabalhar desde 2016 com a paridade de importação (PPI). O PPI é uma referência calculada com base no preço de aquisição do combustível (diferença entre os preços praticados no Brasil perante os importados), acrescido dos custos logísticos até o pólo de entrega do derivado – o que inclui fatores como o frete marítimo, taxas portuárias e o transporte rodoviário – mais margens para remunerar riscos inerentes à operação.

Implantação da paridade de preço internacional não é só para equilibrar os preços, mas também por fatores de governança.

A Petrobras incluiu em seu estatuto o uso do PPI, que se faz relevante para o seu equilíbrio financeiro, porque o Brasil ainda precisa importar combustíveis e derivados, por não ser autossuficiente. Outro ponto é que o mercado de combustível necessita de muitos investimentos para a sua expansão, sendo de extrema importância o melhor gerenciamento de caixa da companhia.

A modalidade de precificação incluída em seu estatuto surgiu para evitar as intervenções do governo sobre seus preços anunciados pela Petrobras.

Desta forma, sempre que questionada, a companhia garante que os aumentos de preços dos combustíveis poderiam ser menores caso ocorressem reduções de impostos ou com subsídio do governo para as distribuidoras.

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