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Ouro sobe com guerra na Ucrânia; confira 3 motivos para ter posição no metal e saiba como investir

Ouro sobe com guerra na Ucrânia; confira 3 motivos para ter posição no metal e saiba como investir

Desde 24 de fevereiro, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, até 14 de março, metal subiu 2,6% em dólar

Barra de ouro em gráfico

Foto: Shutterstock

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Considerado um “porto seguro” do mercado financeiro em momentos de crises, guerras e alta da inflação, a procura por ouro cresceu desde o início do conflito na Ucrânia, com os investidores buscando aumentar a posição em reserva de valor para proteger seu patrimônio. Gestoras como Dahlia Capital, Legacy Capital e SPX Capital estão com posição comprada em ouro.

Desde 24 de fevereiro, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, até 14 de março, o metal sobe 2,6% em dólar na bolsa de Nova York, acumulando alta de 7,9% no ano. O contrato futuro do ouro chegou a negociar acima US$ 2.000 a onça-troy em março, patamar que não visto desde agosto de 2020, em um dos picos da pandemia.

Pela natureza de escassez e facilidade de negociação, o ouro é a mais tradicional reserva de valor e é procurado especialmente em momentos de crises no mercado como aconteceu após o ataque às torres gêmeas em Nova York (2001), com o estouro da bolha no mercado imobiliário americano em 2007 e na pandemia do coronavírus, em 2020.

“Ao longo da história, o ouro tem sido usado como reserva de valor por ser pouco correlacionado com outros ativos. É para onde os investidores correm em momentos de aversão a risco”, diz George Wachsmann, sócio e CEO da Vitreo.

Por isso, ter uma parcela da carteira com exposição a ouro é uma forma de proteger o patrimônio das volatilidades no mercado, como exemplificado a seguir, com a variação da moeda em relação ao comportamento dos juros nos Estados Unidos.

 

Confira a seguir três motivos que têm sustentado a demanda pela commodity.

Proteção para a carteira em momentos de aversão a risco

O ouro foi uma das commodities que mais subiram desde o início do conflito na Ucrânia. Além da busca por proteção em momentos de volatilidade, o fato de a Rússia ser o terceiro maior produtor do metal do mundo, com uma produção de 310 toneladas em 2021 segundo o World Gold Council, contribuiu para a valorização diante das sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia às importações do país. 

Além disso, a demanda por ouro costuma crescer em momento de aversão a risco como forma de proteção para a carteira. “A demanda pelo ouro vai depender de quanto tempo vai demorar o conflito na Ucrânia, mas não vejo voltando para abaixo US$ 1.800 como visto antes da pandemia”, afirma Wachsmann.

Nesse cenário, Wachsmann recomenda aos investidores terem uma exposição de pelo menos 5% da carteira em ouro.

Proteção contra a inflação

Em momentos de inflação mais elevada, como o atual, a demanda por ouro costuma subir, com o metal visto como uma proteção contra a alta de preços. “As moedas estão perdendo valor por causa da inflação alta, que está em patamares elevados nos Estados Unidos, e eventos geopolíticos são historicamente inflacionários”, afirma Frederico Monteiro, gestor de fundos alocação no exterior e offshore da BB DTVM.

Em 2020, em meio à alta da inflação e às taxas de juros baixas para estimular a recuperação da economia, o metal subiu 23%.

O comportamento da cotação do ouro neste ano, no entanto, vai depender do patamar das taxas de juros nos mercados desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos. Isso porque, com a alta de juros nos EUA, investidores tendem a migrar as aplicações para os títulos do Tesouro do país (Treasuries), considerados ativos seguros e que pagam juros.

“O ouro tem uma correlação negativa com a taxa de juros americana. No entanto, olhando uma perspectiva de mais longo prazo, ainda estamos nos menores patamares de juros da história, com cerca de US$ 15 trilhões de títulos soberanos e privados com um yield [rendimento] negativo, o que tende a manter o ouro atrativo”, diz Felipe Cunha, gestor da Órama Gestão de Recursos.

Diversificação das reservas internacionais

Outro fator que tem elevado a demanda pelo metal dourado é a busca dos bancos centrais pela diversificação das reservas internacionais.

Países como a Rússia e a China têm aumentado a posição na commodity metálica para reduzir a dependência da moeda americana. E o congelamento dos ativos do banco central e do fundo soberano Rússia deve intensificar esse movimento.

No Brasil, existem algumas alternativas de investimento para os investidores que querem ter alguma exposição a ouro na carteira. Muitas delas, contudo, têm exposição cambial, ou seja, estão sujeitas também à variação do dólar. Portanto, antes de investir, o investidor também precisa considerar o cenário para o câmbio.

Fundos que investem em ouro

Uma das alternativas mais acessíveis e com liquidez para os investidores buscarem exposição à commodity metálica se dá via fundos de investimentos com rendimento atrelado ao metal.

Esses fundos podem ter gestão ativa, como os multimercados que investem em ativos atrelados ao ouro, ou fundos passivos listados em bolsa (ETFs, Exchange-Traded Funds), que acompanham a variação do metal.

Na B3, existe o ETF Trend ETF LBMA Ouro (GOLD11), que busca replicar a performance do fundo de índice listado lá fora, o iShares Gold Trust, atrelado ao preço da commodity metálica em dólar.

Veja a lista de alguns fundos de ouro disponíveis no mercado brasileiro.

Fonte: Instituições      
Fundos Aplicação mínima Taxa de administração (ao ano) Exposição cambial
Vitreo Ouro R$ 100 0,14%  sim
Órama Ouro não tem 0,60% sim
BB Multimercado Ouro não tem 0,85% não
Itaú Gold Multimercado FICFI não tem 0,80% não
Itaú Index Gold USD MM IE FICFI não tem 0,80% sim
XP Trend Ouro FIM R$ 100 0,50% não
XP Trend Ouro Dólar FIM R$ 100 0,50% sim
Caixa FIO Indexa Ouro LP R$ 100 0,80% não
BTG Pactual Ouro USD R$ 500 0,10% sim
BTG Pactual Ouro R$ 500 0,20% não

No caso do fundo multimercado Vitreo Ouro, o portfólio investe 50% da carteira no contrato à vista de ouro negociado na B3 (OZ1D), 20% em ETFs de ouro negociados na bolsa americana e 30% em derivativos atrelados à commodity. O produto tem exposição cambial. “Do ponto de vista de hedge, acho que faz mais sentido investir em fundos que alocam em ativos no exterior com exposição cambial”, defende Wachsmann.

O fundo multimercado Órama Ouro investe um terço da carteira em contratos de ouro na B3 e dois terços em derivativos negociados na bolsa de Nova York, e também tem exposição cambial.

A Órama DTVM recomenda uma exposição de até 10% da carteira ao metal. “A exposição em ouro melhora o risco/retorno da carteira e serve de hedge para a alocação em renda variável, porque tende a ir bem em momentos de estresse”, diz Cunha, da Órama, lembrando que, para além do conflito na Ucrânia, as eleições no Brasil devem aumentar a volatilidade nos mercados neste ano.

Já no caso do fundo BB Multimercado Ouro, a alocação no ativo se dá via derivativos negociados na bolsa americana. A carteira conta com hedge cambial, ou seja, não fica exposta à variação do dólar.

“A lógica por trás disso é que o dólar e o ouro são duas coisas complementares para proteger o patrimônio dos brasileiros e um fundo com exposição cambial acaba sobrepondo esses dois elementos, já que a cotação do ouro já é em dólar”, diz Monteiro.

O fundo BB Ouro rendeu 5,84% em fevereiro e acumula alta de 14,1% em 12 meses.

Há ainda fundos multimercados como da SPX, Dahlia e Legacy, que ampliaram a posição no metal precioso diante do aumento do risco geopolítico.

“O ouro é um ativo de proteção e, em momentos de aversão a risco, como por conta da tensão geopolítica, vemos o investimento em ouro como uma oportunidade”, diz Sara Delfim, sócia e membro do time de gestão da Dahlia. A gestão está com posição comprada em ouro.

“Tencionamos aumentar a posição em ouro, tendo em vista o cenário discutido”, diz a Legacy, na carta a investidores de fevereiro.

Compra do metal físico

É possível comprar o ouro físico ainda em barra ou lâminas a partir de uma grama, que estava custando R$ 325 em 14 de março.

Nesse caso, é preciso procurar uma corretora autorizada pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Essa opção, no entanto, envolve o risco de liquidez, pois é mais fácil vender o ativo negociado no mercado financeiro do que o metal físico. Além disso, tem a questão da segurança.

As corretoras costumam cobrar em torno de 0,1% por mês sobre o valor do ativo para o serviço de custódia do metal, diz Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas.

Contratos futuros de ouro

Outra alternativa para investir em ouro é via contratos de ouro na B3. Os contratos à vista são negociados por meio de lote fracionário de 0,225 grama (OZ3), de dez gramas de ouro (OZ2D) e lote padrão de 250 gramas (OZ1D).

O valor mínimo para negociação depende do valor da grama do ouro, que segue a cotação internacional. Por exemplo, em 14 de março de 2022, o contrato padrão de 250 gramas estava sendo negociado a R$ 81.250, considerando a cotação de R$ 325/grama.

“Os lotes fracionários têm pouca liquidez e o preço do lote padrão é alto”, frisa Cavalcante.

A liquidação pode ser tanto pela entrega do ouro físico como financeira.

Apesar de ser negociado em reais, o contrato segue a cotação internacional do ativo e tem exposição cambial.

Por isso, apesar de o ouro ter subido este ano no mercado internacional, o contrato de ouro na B3 de 250 gramas acumulava queda de 4,5% até 14 de março devido à desvalorização do dólar frente ao real.

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