O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, reforçou que será mais duro em sua tentativa de conter a inflação no país se a alta dos preços for mais resistente que o previsto, mas que fará isso modulando a velocidade de alta dos juros, e não a magnitude destes aumentos.
Segundo a ata da mais recente reunião de política monetária da instituição, a “maioria dos participantes apontou que, se a inflação não se mover para baixo como o esperado, seria apropriado o comitê remover a acomodação da política monetária num ritmo mais rápido do que o previsto”.
“Remover a acomodação”, neste caso, significa elevar os juros americanos mais rapidamente ou com mais força. A ata mostrou que a opção preferida do Fed seria pisar no acelerador.
“Comparando com as condições de 2015, quando o comitê começou um processo de remoção de acomodação da política monetária, os participantes acreditam que há uma perspectiva muito mais forte para o crescimento da atividade econômica, uma inflação substancialmente maior e um mercado de trabalho notavelmente mais aquecido”, disse a ata.
“Consequentemente, a maioria dos participantes sugeriu que um ritmo mais rápido de aumento nos juros do que no período pós-2015 pode ser justificável se a economia evoluir de forma geral em linha com a expectativa”, acrescentou o documento.
Em dezembro de 2015, o Fed aumentou os juros em 0,25 ponto percentual (pp), e esperou até dezembro do ano seguinte para elevar a taxa na mesma proporção. Em 2017, elevou a taxa em três ocasiões distintas – março, junho e dezembro. Em cada uma delas, a alta foi de 0,25 pp.
Reação do mercado
Antes da divulgação da ata do Fed, as apostas do mercado eram de que o Fed usaria a força – e não o ritmo de alta – para controlar a inflação.
A previsão para março, quando será anunciada a próxima decisão de política monetária, era de 48% de possibilidade de as taxas aumentarem 0,25 pp, ante 52% de chance de uma alta mais acentuada, de 0,50 pp.
Após a ata, estes percentuais se inverteram – 55,7% de chance de um avanço de 0,25 pp ante 44,3% de uma alta de 0,50 pp. Os dados são da CME Fedwatch Tool, ferramenta do CME Group que mede as apostas dos investidores com base nas negociações do mercado futuro de juros.
Para maio, a aposta majoritária antes da ata, com probabilidade de 51,4%, era de juros subindo para a faixa de 0,75% e 1,00% ao ano. Isso representaria aumento de 0,75 pp em relação à faixa atual. Depois da ata, esta probabilidade caiu para 46% e empatou com a de uma alta menos intensa, para a faixa de 0,50% a 0,75% ao ano.
Por que decisões do Fed mexem tanto com o Brasil?
Afinal de contas, por que as decisões sobre juros nos EUA acabam tendo tanto impacto no mercado brasileiro?
Para entender isso, é importante saber que, quando os juros sobem em países desenvolvidos, em especial na maior economia do mundo, que é a americana, a tendência é que aconteça um fenômeno batizado de “flight to quality” (quando investidores deixam ativos de maior risco, como os de países emergentes como o Brasil, para buscarem papéis considerados mais seguros).
Como os títulos da dívida pública dos EUA, conhecidos como treasuries, são considerados os ativos mais seguros do mundo, o interesse por eles sobe consideravelmente quando passam a pagar mais ao investidor.
Nessas horas, os investidores comparam os juros e a inflação dos EUA com esses mesmos indicadores para Brasil, calculando o chamado diferencial de juros. A partir dessas informações, avaliam o que vale mais a pena para a alocação de recursos em termos de risco e retorno.