E o ouro foi o melhor investimento de fevereiro. O metal, sempre demandado em momentos de incerteza, acumulou uma alta de 4,96% no mês. Já a lanterna ficou com o índice de BDRs (recibos de ações negociados na Bolsa), que caiu 6,80%.
Já no ranking de investimentos do acumulado dos dois primeiros meses do ano, foi o Ibovespa a aplicação que apresentou o maior ganho, com alta de 7,94%. Entre os investimentos mais populares, a Bitcoin é a opção com pior desempenho, queda de 23,16%.
O mês de fevereiro e o acumulado do ano foram marcados por uma série de turbulências: expectativa de juros em alta nos Estados Unidos, taxa Selic em dois dígitos e conflito, culminando em uma guerra, entre Rússia e Ucrânia.
A taxa de juros no Brasil causou dois efeitos. De um lado, tornou a renda fixa mais atrativa. Por outro, contribuiu para atrair investidores para o país, o que fez o real apreciar e ajudou na alta do Ibovespa no acumulado do ano.
“Apesar do que foi visto até agora, estamos em um momento negativo para os ativos de risco. Tivemos um alívio nesta sexta-feira, mas tudo vai depender de como esse conflito vai escalar ou se prolongar”, diz Fernando Araújo, gestor da FCL Capital.
Cautela no curto prazo
Esses fatores em um horizonte de curtíssimo prazo, ou seja, nos próximos dois meses, ainda devem prevalecer e por isso os investidores devem estar atentos à gestão de sua carteira e lembrar, sempre, que desempenho passado não garante rentabilidade futura.
Já para o segundo semestre, o investidor deve levar em conta os efeitos da corrida eleitoral no Brasil.
Felipe Vella, analista de valores mobiliários da Ativa Investimentos, ressalta que o cenário é de incerteza e que as alocações em renda fixa, em especial em títulos corrigidos pela inflação, são as mais adequadas.
Já para parcela de investimentos que vai ser aplicada em ativos de maior risco, como a Bolsa, a indicação é por ações de empresas que possuem demanda perene.
“No investimento em ações, o melhor são ações de demanda inelástica, ou seja, empresas que vão manter a demanda mesmo com uma piora da economia, e que devem sofrer menos”, diz.
Nesse grupo, ele cita as empresas de utilities (energia elétrica, telefonia e saneamento básico) e do setor financeiro (bancos e seguradoras).
Araújo, da FCL, lembra que as empresas do setor de commodities também podem ser uma alternativa no momento, uma vez que um cenário de conflito pode aumentar a demanda por materiais básicos. No entanto, são os papéis que podem sofrer maior volatilidade.