Em sessão pré-feriado, de baixa liquidez e aversão ao risco, o Ibovespa operava em queda de 0,81% por volta das 13h15, aos 114.127 pontos, derrubado pelas ações de mineradoras e siderúrgicas, principalmente a Vale (VALE3). Caso o índice se mantenha no território negativo, fechará o pregão em baixa pela quarta vez consecutiva.
“Por ser véspera de feriado, naturalmente já poderíamos presumir um certo tom de aversão ao risco por parte dos investidores”, explica Matheus Spiess, analista da Empiricus.
O dia é de baixa generalizada para as ações ligadas a commodities: entre as maiores quedas do Ibovespa estavam Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3).
Os papéis seguem a performance do minério de ferro, que tem caído nos últimos dias, refletindo os lockdowns na China e os cortes nas projeções de crescimento econômico ao redor do mundo, o que cria temores em torno da demanda por matéria prima, de acordo com Spiess.
O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve queda de 1,75%, a 898,00 iuanes, o equivalente a US$ 140,04.
Além da tendência global, a Vale, que operava em queda de 2,97%, sentia o peso de seu relatório de produção, que não agradou os mercados, e a Usiminas, com perdas de 6,03%, repercutia o balanço do primeiro trimestre.
A Vale fechou o trimestre com produção de minério de ferro de 63,9 milhões de toneladas, queda de 6% na comparação com os mesmos três meses do ano passado.
Já a Usiminas reportou lucro líquido de R$ 1,26 bilhão no primeiro trimestre deste ano, avanço de 5% em relação aos primeiros três meses do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, porém, houve redução de 49%.
A receita líquida do primeiro trimestre deste ano chegou a R$ 7,8 bilhões, um crescimento de 11% em relação aos R$ 7 bilhões anotados no mesmo período de 2021. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o montante teve queda de 12,7%.
Segundo a mineradora, um dos fatores para a redução da receita em relação ao trimestre imediatamente anterior foi a depreciação do dólar. A companhia destacou também o menor volume vendido entre janeiro e março.
A Petrobras (PETR4) caía 0,85%, seguindo a correção do Brent, que recuava 2,13%, a US$ 104,97.
Além das commodities, os temores inflacionários também pesam sobre o Ibovespa, sobretudo depois da divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), que subiu 1,85% na segunda prévia de abril. No mesmo período do mês passado, o avanço havia sido de 0,9%. Em 12 meses, o indicador já mostra um aumento de 15,16%.
A disparada dos preços reforça a pressão para que o Banco Central (BC) eleve os juros mais do que o previsto anteriormente. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já afirmou que a autoridade monetária está reavaliando o cenário para a inflação, o que reduziu a possibilidade de o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) encerrar a alta de juros na reunião de maio, colocando a taxa em 12,75% ao ano.
Essa percepção de alta nas taxas está por trás da queda de 5,47% nas ações do Banco Inter (BIDI11), ação sensível à curva de juros, explica Spiess, que opera também em movimento de correção depois de fortes altas nos últimos dois dias. A escalada recente da ação reflete a nova proposta de reestruturação societária do banco para listar suas ações em Nova York.
Outros destaques do pregão
Outro acontecimento importante do dia é a sessão de julgamento da privatização da Eletrobras no TCU (Tribunal de Contas da União). Na terça-feira (19), o ministro do TCU Vital do Rego Filho afirmou à rede de televisão CNN que irá pedir vista de 60 dias do processo, o que travaria a privatização da companhia.
Agora, as expectativas giram em torno das negociações entre os ministros – caso o pedido de vista seja encurtado para sete dias, ainda haveria tempo hábil para finalizar o processo dentro do cronograma estipulado pelo governo, que pretendia aproveitar a janela de maio da B3 para realizar a oferta de ações no mercado.
Leia mais:
Eletrobras (ELET3) pode ficar distante da privatização com vista do TCU
As próximas janelas serão em agosto e outubro. Mas, por se tratar de uma estatal, analistas do mercado consideram improvável que o governo consiga avançar com o processo em meses que compreendem o período eleitoral. A capitalização, portanto, se não acontecer em maio, ficaria para o próximo ano e dependeria, é claro, da vontade política de quem estiver na sentado na cadeira de presidente da República.
As ações ordinárias da Eletrobras (ELET3) tinham baixa de 0,03%, enquanto as preferenciais (ELET6) subiam 0,47%.
As maiores altas do Ibovespa eram de Ecorodovias (ECOR3), Azul (AZUL4) e BB Seguridade (BBSE3), com ganhos de 3,75%, 3,75% e 3,04%, respectivamente.
O Assaí (ASAI3) também se destacava entre as altas, subindo 1,84%. A companhia divulgou recorde de receita líquida no primeiro trimestre, a R$ 11,4 bilhões. As outras varejistas de alimento que divulgaram suas prévias operacionais na terça-feira, Carrefour (CRFB3) e Pão de Açúcar (PCAR3), tinham baixas de 0,86% e 1,31%, nesta ordem.
Mercados externos
Nos Estados Unidos, os índices operavam mistos – enquanto S&P 500 e Dow Jones subiam 0,27% e 0,96%, respectivamente, o Nasdaq recuava 0,84%, pressionado pelas ações da Netflix, que despencavam 37,16% após a divulgação do balanço do primeiro trimestre, que frustrou o mercado. Os BDRs da plataforma de streaming, listados na B3, caíam 26,1%.
Leia mais: Da guerra aos preços: por que a Netflix perdeu assinantes pela primeira vez em 10 anos
Por lá, os investidores aguardam a divulgação do Livro Bege, documento do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) que fala sobre as condições econômicas e dá pistas sobre as decisões da instituição.
Na Europa, as bolsas operavam em alta, apesar da inflação ao produtor acima do esperado na Alemanha, refletindo alguns balanços positivos, como de Heineken e Danone. O índice Euro Stoxx 50 subia 1,72%.
O mercado segue monitorando os acontecimentos no leste europeu e avaliando as previsões do FMI, que cortou suas expectativas de crescimento global para 2022 e 2023, devido a impactos da guerra na Ucrânia.