Ibovespa cai 2,22% e volta ao patamar de 113 mil pontos; Bradesco (BBDC4) despenca após balanço

Investidores seguem de olho na transição de governo e nas eleições de meio de mandato nos EUA

Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

Em mais um dia com investidores de olho na transição do governo em Brasília e nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Ibovespa fechou o pregão desta quarta-feira (9) em forte baixa de 2,22%, aos 113.580 pontos.

Com a queda de hoje, o saldo do índice no mês de novembro passou para recuo de 2,12%, enquanto o avanço acumulado do ano é de 8,35%.

De olho em Brasília

A política seguiu no foco do mercado nesta quarta, tanto no âmbito doméstico quanto no cenário internacional.

Por aqui, os investidores acompanham o desenrolar da transição do governo, um dia depois de o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) começar a anunciar os nomes que farão parte do processo.

Para a equipe econômica, Alckmin anunciou André Lara Resende, Nelson Barbosa, Guilherme Mello e Pérsio Arida. A senadora Simone Tebet (MBD), por sua vez, será uma das coordenadoras da área de desenvolvimento social.

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Também na frente política, os investidores monitoram os riscos fiscais com as negociações do Orçamento, com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunindo com os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, para discutir a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acomodará mais de R$ 100 em promessas feitas durante a campanha.

O mercado já dá sinais de impaciência com a demora na definição dessas despesas fora do teto e do nome que comandará a equipe econômica do presidente eleito. Ontem, o gestor do verde, Luis Stuhlberger, afirmou que a PEC está se tornando “mais um trem da alegria” de gastos fora do controle.

Política externa em destaque

Lá fora, os investidores monitoram os resultados das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.

Os dados vinham mostrando uma vantagem dos republicanos na Câmara, mas não apontavam a maioria necessária, enquanto os democratas continuam em vantagem no Senado.

Se o partido republicano passar a dominar uma das casas, a agenda do presidente Joe Biden, que é democrata, poderá passar a ser barrada.

Analistas avaliam que esse cenário é favorável aos mercados porque controlaria a política fiscal, forçando Biden a moderar gastos com a agenda econômica e colocando menos pressão sobre inflação e juros.

Agora, os resultados preliminares mostram os republicados em uma vantagem menor do que a esperada e, em meio à indefinição, os índices americanos fecharam em baixa, com o S&P 500 caindo 2,08%, o Dow Jones recuando 1,95% e o Nasdaq perdendo 2,48%. Na Europa, enquanto isso, o índice Euro Stoxx 50 fechou em queda de 0,3%.

Bradesco despenca

Em relação às ações, o sobe e desce do Ibovespa foi pautado pela divulgação de balanços.

A maior baixa do índice no pregão foi do Bradesco, com as ações preferenciais (BBDC4) e ordinárias (BBDC3) despencando 17,38% e 16,01%, respectivamente.

Segundo balanço publicado na noite de ontem, o banco teve lucro líquido de R$ 5,2 bilhões, queda de 22,8% em relação a igual período do ano passado, ficando 19% abaixo da estimativa mais pessimista, feita pelos analistas do Itaú BBA, que esperavam R$ 6,4 bilhões.

Com a piora do lucro, a rentabilidade do banco também caiu. No terceiro trimestre, o ROE (retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio) recuou para 13% no terceiro trimestre, de 18,6% em igual período de 2021, um desempenho também frustrante.

Além disso, o resultado do banco também foi marcado por uma nova piora da taxa de inadimplência, que mede a proporção de empréstimos que estão com atrasos superiores a 90 dias em relação à carteira total de crédito. O Bradesco, que já tinha a maior taxa de inadimplência entre os grandes bancos, viu o índice subir para 3,9%, de 3,5% no trimestre passado e contra 2,6% no terceiro trimestre do ano passado.

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Na sequência veio a Qualicorp (QUAL3), com queda de 15,6%, após a empresa divulgar seu balanço do terceiro trimestre e anotar uma queda de 55,4% no lucro líquido na comparação com o período equivalente do ano passado.

O lucro líquido de R$ 49,2 milhões decepcionou alguns analistas do mercado. Em relatório, a Genial Investimentos afirmou que o resultado foi “negativo”, impactado por cancelamentos e menos adições brutas. “Nem o controle de custos e despesas e receitas financeiras não recorrentes salvaram a última linha do balanço de Qualicorp”, comenta a corretora.

Já a Braskem (BRKM5) recuou 5,53% após reportar queda na receita do terceiro trimestre em relação a um ano antes e um prejuízo bilionário para o período.

As perdas da Braskem somaram R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre, após lucro de R$ 3,5 bilhões um ano antes. O resultado foi reflexo tanto da diminuição de 10% na receita, para R$ 25,4 bilhões, quanto do aumento de 16% no custo dos produtos vendidos, para R$ 23,2 bilhões.

Também repercutindo o balanço, a Méliuz (CASH3) teve baixa de 5,69%. A companhia reportou prejuízo cinco vezes maior no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 18 milhões.

O resultado surpreendeu negativamente as expectativas dos analistas, que já previam prejuízo. A XP estimava que a companhia registraria perda de R$ 2 milhões; o Itaú BBA, de R$ 3 milhões; o BTG, de R$ 13 milhões; e a Genial Investimentos, de R$ 14 milhões, chegando mais próximo do resultado.

Petz lidera altas

Na outra ponta, a maior alta do dia foi da Petz (PETZ3), de 8,82%, mesmo depois de a empresa ter reportado queda no lucro, no Ebitda e nas margens no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o balanço publicado na noite de terça-feira (8), o lucro líquido ajustado registrado no terceiro trimestre foi de R$ 30,7 milhões, queda de 8,2% na comparação anual.

Na avaliação de Thiago Macruz, Maria Clara Infantozzi e Gabriela Moraes, analistas do Itaú BBA, este desempenho já era esperado e, dada a performance recente das ações, já estava incorporado no valor dos papéis.

A Gerdau (GGBR4) também teve forte alta, de 4,66%, mesmo depois de reportar queda de quase 50% no lucro do terceiro trimestre em relação a um ano antes. Segundo a empresa, o lucro líquido encolheu 46%, passando de R$ 5,6 bilhões para R$ 3,0 bilhões.

O motivo para isso, segundo a XP Investimentos, é que o mercado previa um resultado ainda pior para a siderúrgica. “Os resultados da Gerdau foram melhores do que o esperado e ainda mais positivos quando comparados a outras empresas de metais e mineração sob nossa cobertura”, disse a XP em relatório.

A terceira maior alta, de 4,02%, foi das ações da Totvs (TOTS3), que anotou lucro líquido ajustado de R$ 152,3 milhões no terceiro trimestre, expansão de 69,5% na comparação com o mesmo trimestre de 2021. O número ficou 9% acima das projeções do Bank of America e do Goldman Sachs.

Agora, o mercado estará de olho em balanços de empresas como Banco do Brasil (BBAS3), BRF (BRFS3), Carrefour (CRFB3), Eletrobras (ELET3), Equatorial (EQTL3), Minerva (BEEF3), MRV (MRVE3), Natura (NTCO3), Taesa (TAEE11) e Oi (OIBR3), que divulgam seus resultados após o fechamento.

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Critpomoedas

Os criptoativos passam por mais um dia de pânico com a fuga dos investidores em meio as negociações da Binance para adquirir o que restou da FTX. O acordo só será concluído após todos os dados e registros da corretora passarem por perícia.

O desfecho do negócio é fundamental para o destino dos investimentos dos milhares de clientes da FTX, que desde a manhã de ontem estão impossibilitados de sacarem os seus ativos.

A crise de insolvência da segunda maior corretora do mundo levou a um surto de desconfiança generalizado sobre as demais participantes do mercado. O movimento levou a liquidação de todo o mercado, impactando também as moedas mais fortes.

Por volta das 16h55, o Bitcoin (BTC) perdia 9,3%, negociado a US$ 17.262, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap. Esta é a menor cotação para a cripto em dois anos. O Ethereum (ETH) cai ainda mais forte, cerca de 11,1%, vendido a US$ 1.186.

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Pedro de Luca, head de cripto da Levante Ideias de Investimento, afirma que a reação negativa do mercado não é exagero. O clima, no entanto, pode ficar ainda mais azedo caso a compra da FTX não seja concluída.

“Caso a Binance desista, se espera um cenário apocalíptico. Haverá uma corrida bancária na FTX, que não vai conseguir pagar todo mundo e isso vai gerar um caos”, explica.

E as próximas horas prometem mais turbulência. Nesta quinta-feira (10) saem os dados do índice de preços ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês), um dos indicadores de inflação com peso nas decisões da política monetária.

Os números servirão para calibrar as expectativas dos investidores sobre os próximos passos da política monetária após o maior aperto nos juros em décadas.

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