Criptos derretem com crise da FTX e Bitcoin despenca mais de 10%, mas pior pode estar por vir

Investidores temem que colapso da corretora repita o crash histórico da Terra (LUNA)

Foto: Shutterstock/eamesBot

A crise de liquidez da FTX se estende para esta quarta-feira (9) com o derretimento do mercado cripto em meio à fuga dos investidores. O temor é que a derrocada da segunda maior corretora do mercado leve a uma espiral de prejuízos bilionários, semelhante ao crash histórico do sistema Terra (LUNA), em maio deste ano.

O mau humor generalizado custou quase 200 bilhões nas últimas horas, segundo dados da plataforma CoinGecko. No início desta tarde, a capitalização de todas as criptos somava US$ 870 bilhões, ante cerca de US$ 1 trilhão na segunda-feira (7).

João Galhardo, analista de criptomoedas e sócio da Quantzed Criptos, afirma que o pânico é justificado pela importância da FTX para o mercado. Antes dos rumores de insolvência começarem a circular, no domingo (6), a companhia era vista como uma das mais robustas da rede.

“O mercado está se comportando de acordo com a gravidade do evento”, destaca.

O especialista afirma que os impactos da derrocada da FTX têm potencial de causar mais estragos que a crise deflagrada pela quebra da Terraform Labs, apontada como um dos principais vetores para as baixas no mercado cripto em 2022.

“Ao contrário da Terra, que era um protocolo descentralizado, estamos falando da segunda maior corretora do mundo, uma instituição que envolvia empregos, acordos com lobistas americanos”, diz. “É um problema em uma escala muito maior do que tivemos no com a Terra”.

Pode ficar pior

Nesta terça-feira (8), a Binance anunciou a intenção de compra da FTX, em um movimento que pegou grande parte do mercado de surpresa diante da rivalidade entre as duas companhias. O acordo, porém, só será concluído após todos os dados e registros da corretora passarem por perícia.

O desfecho do negócio é fundamental para o destino dos investimentos dos milhares de clientes da FTX, que desde a manhã de ontem estão impossibilitados de sacarem os seus ativos.

Pedro de Luca, head de cripto da Levante Ideias de Investimento, afirma que a reação negativa do mercado não é exagero. O clima, no entanto, pode ficar ainda mais azedo caso a compra da FTX não seja concluída.

“Caso a Binance desista, se espera um cenário apocalíptico. Haverá uma corrida bancária na FTX, que não vai conseguir pagar todo mundo e isso vai gerar um caos”, explica.

O caminho mais plausível, diz o analista, é de um desfecho positivo, já que também não é interessante para a Binance estender a crise no mercado. “Vejo que a Binance possui um grande incentivo financeiro para fazer de tudo para salvar a FTX”.

Mercado contaminado

Os boatos de insolvência da FTX provocaram venda em massa do FTT, o token nativo da FTX, que já perdeu quase 45% do seu valor. O mau humor se estendeu para todo o mercado. A Solana (SOL), comumente associada à FTX, caiu cerca de 40%.

As principais criptos do mercado também não passaram ilesas pela turbulência. O Bitcoin (BTC) perde mais de 10%, negociado abaixo de US$ 18 mil, o pior patamar em dois anos. As perdas no Ethereum (ETH) são ainda mais intensas, com desvalorização de quase 12,6%, vendido abaixo de US$ 1,2 mil.

“A maior volatilidade vem com a incerteza quanto ao futuro da negociação, já que as exchanges não liberaram maiores detalhes”, explica Thiago Rigo, analista da Titanium Asset. “Além disso, reguladores dos EUA já anunciaram quase imediatamente que estão de olho na compra, uma resposta que mostra o quanto os reguladores do maior mercado mundial estão atentos ao cenário cripto”.

O movimento de sobe e desce não deve cessar até que maiores definições sobre o futuro da FTX fiquem mais claras, diz Hugo Trombini, fundador da HTDS Consultoria Cripto. Apesar de esperar por mais volatilidade no mercado, o especialista acredita que o Bitcoin já atingiu o limite de queda.

Galhardo, da Quantzed, também pontua a desconfiança generalizada dos investidores com as demais companhias do mercado. “Se a segunda maior corretora está tendo problemas de liquidez, imagine como estão as menores”, afirma.

Hora de entrar?

A liquidação dos ativos abre uma oportunidade para o aumento de posições ou a entrada de novos investidores, afirmam os especialistas. O momento, porém, pede cautela.

“Nessa hora, todo cuidado é pouco. Os investidores estão receosos de uma possível contaminação do mercado após o histórico da Terra”, diz Trombini.

Apesar da crise de liquidez, o conceito dos criptoativos segue inalterado, diz Galhardo, abrindo uma brecha para a entrada de novos aportes.

“Enxergamos boas oportunidades para a entrada no mercado, pelo menos no longo prazo. Porém, vamos ficar de olho em como as corretoras vão se comportar no futuro”, pontua.

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