Eleição segue no radar, mas Ibovespa sobe 1,67%; Yduqs (YDUQ3) lidera altas com salto de 11%

Cenário mais favorável à vitória de Lula voltou a impulsionar as ações das empresas de educação

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Shutterstock/Vintage Tone

A três dias do segundo turno das eleições, o Ibovespa conseguiu deixar os ruídos políticos em segundo plano e ter um dia de alívio após três quedas consecutivas, fechando o pregão desta quinta-feira (27) em alta de 1,67%, aos 114.641 pontos, com R$ 26,46 bilhões em volume negociado.

O saldo do Ibovespa para o mês de outubro passou para alta de 4,18%, enquanto a valorização acumulada desde o início do ano agora soma 9,37%.

Efeito Lula e balanços

Os balanços do terceiro trimestre mexeram com as ações brasileiras, mas o maior destaque do pregão foram as companhias de educação. Na liderança do Ibovespa, a Yduqs (YDUQ3) teve alta de 11,14%, enquanto a Cogna (COGN3) valorizou 6,71%.

Desde o início da campanha eleitoral, as educacionais têm reagido positivamente na Bolsa sempre que o cenário se mostra mais favorável a uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vez que o candidato tem dito que vai novamente impulsionar os programas de financiamento estudantil criados nas gestões petistas, como o Fies, que turbinaram os resultados das companhias de educação no passado.

Outra alta relevante, de 6,64%, foi da Dexco (DXCO3). Ontem, a companhia informou que fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 162,9 milhões, contração de 39,1% em relação ao mesmo período do ano passado, diante de baixa demanda e custos em alta.

O resultado, porém, superou as expectativas do mercado, que já esperava piora nos números. A projeção do BTG Pactual era de R$ 30 milhões, enquanto o Santander apostava em R$ 85 milhões.

Por fim, o Assaí (ASAI3) teve alta de 6,21% após confirmar rumores de que seu acionista controlador, o grupo frânces Casino, iniciou estudos para potencial venda de parte de sua participação por cerca de US$ 500 milhões.

Para analistas do Bank of America, em relatório distribuído nesta quinta, uma possível saída do controlador pode ser benéfica por liberar a companhia para fazer “uma alocação de capital mais ágil e decisões estratégicas.”

Na ponta negativa, a Vale (VALE3) caiu 3,56%, refletindo o recuo de 4,1%, para US$ 88,96 por tonelada, no minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian. A commodity vem sendo pressionada por incertezas em torno da demanda por aço.

A queda da mineradora também reflete a expectativa com o balanço, que será divulgado após o fechamento. Mesmo com produção e vendas possivelmente maiores no período, o lucro e a receita devem ser menores na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, devido à queda no preço do minério de ferro e ao arrefecimento da economia chinesa.

Pelo menos é isso que afirma a própria companhia em uma prévia operacional divulgada há 10 dias e é o que esperam alguns analistas do mercado.

A Klabin (KLBN11) também teve um dos piores desempenhos do Ibovespa nesta quinta, em baixa de 0,71%, mesmo depois de registrar lucro líquido de R$ 2 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 69% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Entenda:
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Política e economia em foco

A corrida eleitoral segue no radar, desta vez com os mercados repercutindo o confronto entre a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ontem, o TSE rejeitou pedido de Jair Bolsonaro (PL) para que o tribunal eleitoral investigasse uma quantidade supostamente menor de inserções em rádios da campanha do candidato à reeleição. O ministro Alexandre de Moraes afirmou que as acusações são para “tumultuar o segundo turno”, e encaminhou o caso para o inquérito de milícias digitais que corre no STF.

A poucos dias das eleições, o mercado teme o que pode acontecer após o domingo, como a reação bolsonarista se o pleito confirmar o favoritismo de Lula. Ontem, apoiadores do presidente foram às redes para pedir o adiamento das eleições, e o próprio presidente Bolsonaro convocou comandantes militares para discutir o caso das rádios.

Na frente econômica, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) seguiu o esperado e manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, reafirmando seu compromisso com as metas de inflação e ressaltando que pode retomar o ciclo de alta de juros caso a pressão de preços não siga a trajetória esperada.

Em dados econômicos, a taxa de desemprego voltou a recuar no trimestre encerrado em setembro, caindo a 8,7%, a menor desocupação desde junho de 2015. Nos três meses encerrados em agosto, a taxa havia fechado em 8,9%, segundo dados do IBGE.

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Exterior misto

As Bolsas estrangeiras tiveram um dia misto, divididas entre PIB e balanços. Em Nova York, o S&P 500 teve baixa de 0,61% e o Nasdaq recuou 1,63%, enquanto o Dow Jones subiu 0,61%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve perdas de 0,02%.

O PIB dos Estados Unidos avançou 2,6% no terceiro trimestre, uma alta um pouco maior do que o projetado por analistas, que acreditavam em crescimento de 2,4% no período. O salto vem após a economia americana tombar 0,6% no segundo trimestre, em meio às pressões inflacionárias e impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Do lado negativo, a ação da Meta despencou 24,56% depois de a dona do Facebook informar que seu lucro caiu 52% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para US$ 4,39 bilhões.

Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) também seguiu o roteiro previsto pelo mercado e elevou os juros da zona do euro em 0,75 ponto percentual, para 1,5% ao ano. Os juros maiores vêm como resposta da instituição ao patamar elevado de inflação no bloco monetário.

Criptomoedas

Após dois dias de rali, o mercado criptoativos passa por um momento de correção e volta a operar próximo da estabilidade nesta quinta-feira.

Por volta das 17h, o Bitcoin (BTC) registrava leve queda de 0,4%, negociado a US$ 20.656, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH), que chegou a disparar quase 15% nos últimos dias, subia 0,7%, vendido a US$ 1.563.

A recente euforia com os ativos digitais foi deflagrada pela expectativa de que os juros americanos não vão precisar subir de forma tão agressiva quanto o esperado nos próximos meses.

Apesar de a maior parte do mercado apostar em um novo aumento de 0,75 p.p na semana que vem, sinais de desaceleração da economia já abrem brecha para um aumento mais suave no último encontro do Fed (o banco central americano), em dezembro.

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