Mesmo diante de um aumento de 51% nos custos de produção, a Klabin (KLBN11) foi capaz de reajustar preços, impulsionar a receita e fechar o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 2,05 bilhões, crescimento de 69% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o balanço publicado na noite desta quarta-feira (26).
Além de representar forte expansão anual, o lucro reportado pela papeleira também superou as expectativas do mercado. A XP Investimentos projetava o resultado em R$ 1,19 bilhão, enquanto o BTG Pactual esperava R$ 772 milhões e o Santander apostava em R$ 707 milhões.
A receita líquida, por sua vez, aumentou 26% na base anual, para R$ 5,49 bilhões, refletindo um crescimento consistente em todas as linhas de negócio, segundo a companhia.
“Os reajustes de preços realizados em todos os negócios ao longo dos últimos trimestres, associados ao maior volume de vendas e à desvalorização do real em relação ao dólar nas exportações, levaram ao crescimento da receita líquida”, declarou a companhia.
Outro fator que ajudou os resultados foi o preço da celulose, que seguiu elevado diante do balanço justo entre oferta e demanda, em um contexto de restrição da oferta global.
Já no segmento de papéis para embalagens, as vendas no mercado doméstico foram impulsionadas pela retomada no consumo de papelão ondulado, diz a companhia, enquanto no mercado externo o cenário foi de estabilização de demanda e manutenção de estoques elevados, causando redução nos preços.
Os custos de produção de celulose, por outro lado, subiram 51% na comparação anual, para R$ 1.416 por tonelada, refletindo a forte alta dos preços das commodities no período e o aumento nos custos de fibras devido à maior utilização de madeira de terceiros.
Como a receita cresceu mais do que os custos, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 2,31 bilhões, o maior da história da Klabin para um trimestre, e representa alta de 20% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A margem Ebitda ajustada do terceiro trimestre foi de 42%, retração de 2 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2021, devido ao maior custo caixa de produção.
Por fim, as despesas financeiras tiveram redução de 25% na mesma base de comparação, fechando o trimestre a R$ 232 milhões, seguindo a deflação e efeitos positivos de juros sobre os financiamentos para o projeto Puma II.
As receitas financeiras, por sua vez, totalizaram R$ 169 milhões no trimestre, alta de 104%, refletindo a expansão do CDI no período. Desta forma, o resultado financeiro da Klabin também impactou positivamente seu lucro no trimestre.
No âmbito operacional, a Klabin reportou produção de 1,054 milhão de toneladas no trimestre, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o volume de vendas totalizou 1,015 milhão de toneladas, 4% acima do anotado no terceiro trimestre de 2021.
Remuneração aos acionistas
Na esteira dos resultados, a Klabin informou, também na noite de hoje, que seu conselho de administração aprovou o pagamento de R$ 502 milhões aos acionistas, o equivalente a R$ 0,091237852 por ação ordinária e preferencial e R$ 0,456189258 por unit.
Do total, R$ 221 milhões correspondem a juros sobre capital próprio, enquanto R$ 281 milhões são de dividendos.
Terão direito a receber o pagamento, que irá ocorrer em 14 de novembro, acionistas que detiverem papéis da companhia em 31 de outubro. Desta forma, a partir de 1º de novembro, as ações passam a ser negociadas ex-dividendos e ex-juros sobre capital próprio.