Em janeiro, parecia que o mundo poderia florir após o arrefecimento da pandemia da Covid-19. O otimismo se refletiu na Bolsa brasileira, que fechou o primeiro mês do ano com alta de quase 7%. Passados cinco meses, o Ibovespa, principal índice de ações da B3, acumula queda de 6% em 2022. Só em junho, o recuo chegou a 11,5%.
O desempenho fortemente negativo registrado no primeiro semestre não é exclusividade do mercado brasileiro. Ainda que o país esteja à véspera de um período turbulento, o da eleição presidencial, e os riscos fiscais tenham crescido nas últimas semanas, foi a perspectiva de recessão nos Estados Unidos que, pouco a pouco, minou a confiança do investidor mundo afora.
Isso ficou bastante evidente com o recorde de baixa registrado pelo índice americano S&P 500. A desvalorização de 20,6% acumulada nos primeiros seis meses do ano foi a maior desde 1970. Dow Jones caiu menos, cerca de 15%, e Nasdaq foi o mais prejudicado, com recuo de quase 30%.
A queda ocorre após Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, o banco central americano, deixar claro que o objetivo da instituição é controlar a inflação – ainda que isso possa resultar em uma recessão nos Estados Unidos.
Na última quarta-feira (29), ele reiterou o discurso, ao falar da possibilidade de a alta nos juros travar a economia. “Existe o risco de irmos longe demais? Certamente há um risco. O maior erro que se pode cometer – vamos dizer desta forma – seria falhar em restaurar a estabilidade de preços”.
E, pode até ter demorado, mas autoridades monetárias de grandes economias mundiais também estão cientes da urgência de ações contra a inflação crescente.
Ainda neste mês, será a vez de o BCE (Banco Central Europeu) ratificar o que já sinalizou em junho: o aumento da taxa básica da zona do euro virá. Será o primeiro em 11 anos. O Fed segue na trilha apontada nas últimas reuniões. E o Banco Central brasileiro deverá realizar outra elevação da Selic, mas esta só em agosto.
Veja destaques da Agência TradeMap na semana.
Top 5 do Ibovespa
A Cielo (CIEL3) liderou as altas do Ibovespa no primeiro semestre, com alta de 67%. O segundo lugar ficou com a Eletrobras (ELET6), cujo avanço foi de 45% dos papéis prefereciais e de 39,4% dos ordinários (ELET3), de acordo com dados do TradeMap. No ano, até 29 de junho, apenas 35 ações do Ibovespa tiveram alta, ou seja, 38,5% estão conseguindo, de alguma forma, passar confiança para o investidor.
Os BDRs mais sensíveis a uma recessão dos EUA
Os investidores procuram entender quais são as melhores oportunidades de investimento no exterior – ou então de quem eles devem fugir diante do risco iminente de recessão nos EUA. Cinco BDRs (Brazilian Depositary Receipts) listados nesta matéria são – positiva ou negativamente – bastante sensíveis à economia americana. Um deles é o do Walmart (WALM34), empresa muito vinculada ao comércio físico do país.
Enjoei e Méliuz crescem base, mas mercado quer resultado
Ter aumento na base de usuários pode não ser suficiente para o futuro de Méliuz (CASH3) e Enjoei (ENJU3), segundo especialistas consultados pela Agência TradeMap. É que essa expansão não tem sido acompanhada por alta no lucro. Nesse contexto, as duas companhias vêm focando em gerar receita por meio do lançamento de novos produtos. E o caminho parece mais claro para a Enjoei.
Retorno acima de 200% do CDI
No cenário de juros altos, a estratégia das corretoras para captar novos clientes tem sido garantir CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) a percentuais expressivos, de mais de 200% do CDI (taxa que acompanha a Selic de perto e serve de referência para a renda fixa). A opção tem sido pelo que simples e garantido.
Fleury engole Hermes Pardini
A compra pelo Fleury (FLRY3) do Hermes Pardini (PARD3) saiu do papel após anos de diálogo. As sinergias entre os dois grandes players da medicina diagnóstica do Sudeste brasileiro saltam aos olhos dos investidores. O negócio proposto pelo Fleury avalia o Hermes Pardini em R$ 2,51 bilhões e, de forma conjunta, vai controlar 18% do mercado.
Existe bolha em Bitcoin?
O Bitcoin terminou o primeiro semestre valendo quase um terço do que valia ao fim de 2021. Mas analistas não se sentem confortáveis em rotular a queda brusca nos preços como o estouro de uma bolha. Um dos principais motivos é que eles consideram os criptoativos incomparáveis aos outros tipos de investimento disponíveis no mercado.
Agenda da semana
Dados da economia americana vão dominar a agenda da semana que vem. Na segunda-feira (4), as bolsas americanas permanecem fechadas por causa do feriado do Dia da Independência, mas na quarta-feira (6) o Fed divulga a ata da última reunião do Fomc, comitê de política monetária. No encontro, realizado no dia 17 de junho, foi definida mais uma alta da taxa básica de juro dos EUA, de 0,75 ponto percentual, para o intervalo de 1,50% a 1,75%.
Também na quarta-feira, serão divulgados dados sobre a atividade do setor de serviços dos EUA – indicador relevante para medir quão perto a economia americana está de uma recessão. Na sexta-feira (8), está previsto outro indicador importante para estava avaliação: o relatório mensal sobre a criação de empregos no país.
No Brasil, o item mais importante da agenda é a divulgação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de junho, o principal indicador de inflação do país e um dos orientadores da política monetária brasileira. A publicaçaõ ocorrerá na sexta-feira, e segundo o banco Mizuho, a previsão é que nos 12 meses até junho o índice apresente alta de 11,95% – maior que a de 11,73% observada em maio.